Precisamos Falar Sobre Os Militares – e a Intentona

PRECISAMOS FALAR SOBRE OS MILITARES – E SOBRE A INTENTONA

Sob os auspícios do Celso Amorim e do embaixador Samuel Pinherio Guimrães, O Brasil desenvolveu uma Política Nacional de Defesa (PND) e a Estratégia Nacional de Defesa (END), lançados em 2008 e revistos em 2012, quando foram aprovadas as versóes atualmente em vigor. Os documentos foram submetidos pela Presidenta da República à apreciação do Congresso Nacional por meio da Mensagem nº 83, de 2012.

No geral, os documentos têm caráter nacionalista e progressita. A título de exemplo, na EDN é explicitado que “As instituições de ensino das três Forças manterão nos seus currículos de formação militar disciplinas relativas a noções de Direito Constitucional e de Direitos Humanos, indispensáveis para consolidar a identificação das Forças Armadas com o povo brasileiro.”

As concessões, como as feitas à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), são tímidas. A própria política atualmente em implantação de associação a uma super potência é criticada nos prolegomênos dos textos. Não surpreende que a maioria dos simpatizantes do lulo petismo desconheçam o texto, os esforços e lutas dentro do governo para que ele fosse adotado. Não surpreende também que a ultra esquerda, do alto de sua ignorância exuberante afirme que nada foi feito nesta área.

O pouco envolvimento da sociedade civil é culpa não apenas do burocratismo do governo Dilma mas também de uma imprensa que censura assuntos ao bel prazer e na maior cara de pau.

Isso facilitou a traição explícita do Alto Comando do Exército às diretrizes elaboradas, até com a participação deles, e aprovadas no Congresso Nacional.

Ouvimos dos Generais do Alto Comando do Exército uma quantidade extravagante de pensamento tosco, com retorno à lógica de uma guerra fria entre comunismo e capitalismo, assustadora, pois se assemelha ao discurso de jovens bolsominions de péssima formação educacional, rancorosos e ressentidos pela marginalização a que a sociedade do conhecimento os lança.

Como velhos generais que possuem tempo e dinheiro para formação e reflexão sobre o país, a geopolítica, a sociedade do conhecimento e o mundo, se deixaram levar para o caminho da negação do PND-END e seguiram a submissão à ideia de que o Brasil deve estar associado a um dos Impérios, os EUA?

Certamente o não acerto de contas da Constituinte de 1989 com o passado abre essa possibilidade, até pela não renovação dos principais quadros, pela manutenção do porão da ditadura intacto e pela falta de diálogo franco com a sociedade política brasileira ( a entrevista do Generall Heleno pelo Bial, no papel de sabujo lambe botas, é constrangedora e reveladora do atraso como a sociedade civil se vê frente aos coturnos.

Parece haver exceções na Força Aérea Brasileira, principalmente, e na Marinha.

Na Força Aérea Brasileiras há , pelo menos,  3 fatos auspiciosos:

1) A homenagem ao Brigadeiro Rui Moreira Lima, que foi um herói no combate contra o nazifascismo nos céus da Itália e foi preso e torturado pela ditadura de 1964, quando da sua morte em 2013, com o reconhecimento do seu heroísmo embora ainda não com o pedido de desculpas pela prisão e tortura pelo seu compromisso com a legalidade democrática. ( FAB-chora-a-perda-do-herói-Major-Brigadeiro-Rui-Moreira-Lima )

2) A mensagem do Comandante da FAB,  tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, comandante da Aeronáutica,  que descarta possibilidade de apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) a um golpe militar tal qual aventado pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, em abril de 2018. ( comandante-da-aeronautica-diz-que-militares-nao-devem-impor-sua-vontade-ao-pais )

3) Comentários jocosos sobre as acusações do MPF contra o Lula  no processo de compra dos caças Suecos Grispen, dado o conhecimento existente na aeronáutica sobra todo o processo.  ( fab-prefere-caca-sueco-a-frances  )

Na Marinha há muitos rumores sobre os submarinos atômicos e sobre a proteção ao pré sal. Infelizmente tudo muito encoberto.

O Exército, que já foi considerado a mais democrática das 3 forças, está tomado pela vulgaridade, moralismo seletivo e pela corrupção. Há focos de resistência, mas altamente vigiados e isolados politicamente. Os generais de 4 estrelas atuam severamente para impedir o aparecimento do descontentamento patriótico, ou a simples vergonha pela proeminência de um militar que chegou a ser expulso do exército por ser mal militar (Geisel) e por planejar atos de terrorismo, entre o oficialato.

O pior de todos os Generais de 4 estrelas , até onde se pode perceber, é o falante General Heleno. Ele adota e faz proselitismo da tese dos dois demônios e da Anistia, mentindo sobre ela ter sido ampla geral e irrestrita, se opondo à Comissão da Verdade como se ambos os lados tivessem tido um tratamento minimamente igual. Como se ambos os lados houvessem sido investigados e punidos de forma minimamente similar. Fez questão de repercutir uma entrevista de Celso Amorim,clique aqui para assistir, na CNN , de resto moderada e sóbria, acusando o ex-chanceler de ser “o primeiro ex-chanceler a usar vários diplomatas a ele ligados em uma campanha no exterior contra o seu próprio país, mentindo sobre a prisão de Lula. Atitude impatriótica, vergonhosa e injustificável”, em declaração para o site de extrema direita O Antagonista.  Na entrevista o General não se revela um Estadista mas um moleque de briga pirracenta, digno da intimidade que tem com Diogo Mainardi e o Antagonista.

O falante general ocupará o cargo de Comandante do Gabinete de Segurança Institucional do Bolsonaro, onde terá o comando da ABIN.

Gosta de falar e provocar mas diz que o novo cargo exigirá maior discrição. Veremos.

Na reserva desde 2011, o general comandou a missão de paz das Nações Unidas no Haiti. O presidente Lula o nomeou, em março de 2009, para a chefia do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.Em 2013, o general foi condenado pelo Tribunal de Contas da União, o TCU, por autorizar convênios ilegais, para os jogos olímpicos militares, que custaram R$ 22 milhões ao governo – e favoreceram militares conhecidos seus.

Quando saiu do Exército, Heleno aceitou o convite para ser consultor de segurança do ultra reacionário Grupo Bandeirantes de Comunicação. Depois, assumiu o cargo de diretor de Comunicação do Comitê Olímpico Brasileiro, subordinado ao notório corrupto Carlos Alberto Nuzmann com um super salário de R$ 59 mil por mês. Desse total, 80% (R$ 47 mil) eram verba pública. Segundo Heleno, o salário era referente ao acúmulo de três diretorias

– “Jamais questionei a origem do dinheiro porque não era meu papel”, disse ao Intercept, na velha versão de que não sabia de nada apesar de ser unha e carne do Nuzmann. ( general-heleno-tcu )

O General Mourão, cujo perfil foi escrito na última revista Piauí é uma decepção. Mostrou-se, em vários episódios, como o mais sensato da chapa, dada as declarações idiotas e preconceituosas do Bolsonaro. Trata-se, no entanto, de formalismo diplomático. O projeto econômico capitaneado por Paulo Guedes é motivo do mesmo – ou até maior – entusiasmo. No discurso político pode querer aparar os excessos do capitão mas tem a opinião, por exemplo, que no golpe militar de 2002 na Venezuela; a solução teria que ter sido o assassinato de Hugo Chávez pelo golpista general Néstor Gonzales Gonzales.

Diz que segue o pensamento estratégico geopolítico do General Meira Mattos que invadiu e fechou o parlamento em 1966. Pouco crível. Meira Mattos tenta atualizar Golbery do Couto e Silva e é visto pela atual predominante visão neoliberal do Alto Comando do Exército como ultrapassado. Mais crível são os seus hábitos de leitura : Site “O Antagonista”, livros sobre a biografia de um líder militar confederado na guerra da Secessão, livro do neoconservador pop escocês Nialll Fergunson, livro do historiador israelense Yuval Noah Harari e o livro do olavete Flavio Gordon .

O General Villa Boas apresenta-se como uma espécie de termostato do Alto Comando do Exército, diminuiria a temperatura de revolta dos seus pares frente a qualquer perspectiva de liberdade ou cumprimento da lei para Lula por meio de ostensiva interferência sobre o STF.

Difícil saber o nível da farsa. O que é inegável é que acuou o STF sempre que quis e transformou o Dias Tofolli de cãozinho do Gilmar Mendes em cãozinho de si próprio, no TSE e no STF.

No meio disso, o General propôs, como se não quisesse nada, uma comissão para estudar a Intentona Comunista de 1935.  Apesar do tom misterioso e das intenções duvidosas, entendemos que, pelo teor  tanto da Estratégia Nacional de Defesa (END) quanto do Plano Nacional de Defesa (PND) este é um assunto pendente de discussão qualificada entre as ciências históricas, sociais e militares, como propugnado pelos textos oficiais. Não pode ser um assunto estanque, onde a Academia formula e discute isoladamente e os setores da direita militar querem usá-lo com exclusividade na luta Politica chinfrim, seja em Ordens do Dia “ressuscitadas”, seja em comissões extemporâneas.

No capítulo da Análise de Contexto, a END (pagina 115) identifica os principais aspectos positivos e as vulnerabilidades para a Defesa Nacional e vislumbra, entre outras, a seguinte oportunidade a ser explorada:

• maior engajamento da sociedade brasileira nos assuntos de defesa, e maior integração entre os diferentes setores dos três poderes e das três instâncias de governo do Estado brasileiro e desses setores com os institutos nacionais de estudos estratégicos, públicos ou privados;

Esta é uma excelente oportunidade para as forças democráticas e populares iniciarem uma discussão franca com as Forças Armadas.

Pela END, traída mas em vigor, cabe:

“Promover maior integração e participação dos setores civis governamentais na discussão dos temas ligados à defesa, através, entre outros, de convênios com Instituições de Ensino Superior e do fomento à pesquisa nos assuntos de defesa, assim como a participação efetiva da sociedade brasileira, por intermédio do meio acadêmico e de institutos e entidades ligados aos assuntos estratégicos de defesa .

É urgente uma ampla mobilização acadêmica para um rigoroso acerto de contas com a política intervencionista, golpista e irresponsável da III Internacional, mostrando como o Brasil sempre foi alvo da cobiça  internacional.

Além da cobiça escancarada da URSS ficou evidente também a cobiça inglesa que tinha um agente infiltrado entre o grupo golpista enviado por Moscou e, em comum acordo com Getúlio, deixou a desastrada ação militar se desenrolar.  Cobiçar o Brasil, no entanto, um dos 5 países do mundo que reúne as condições de possuir mais de 2 milhões de KM², mais de 100 milhões de habitantes, e mais de US$ 600 bilhões de PIB, exige muito mais do que o voluntarismo do então Komintern , a glória da Coluna Prestes transformada em mito e as ilusões sobre a cientificidade estrita do marxismo e um sentido teleológico, inevitável, da história.

Exige, como a prática já mostrava e mostrará, uma base social e econômica capaz de subjugar os potenciais do que tem toda a vocação para ser uma das vozes altivas e ativas no concerto nacional, numa reles quase colônia, com a maioria do povo à míngua e uma elite desejosa de ser integrada ao jet set internacional.

Seja como for, Getúlio ganhou de bandeja um forte argumento contra os comunistas e a esquerda em geral (devido ao envolvimento irresponsável da Aliança Nacional Libertadora (ANL).  E pavimentou, com maestria e a cumplicidade dos militares, do parlamento e da casta judicial o caminho para a ditadura do Estado Novo.

Rapidamente, com o apoio tácito da maioria da sociedade, haverá sete mil presos políticos registrados nos porões do regime e graves denúncias de tortura e morte.

As semelhanças com os processos atuais deveriam saltar aos olhos de todos, não fosse esse competente olvido dos fatos, esse sistemático apagar dos rastros do tempo. A desmemoria é longa e indica perícia e precisão na arte do encobrimento da história, do fazimento de tocaias das versões mais esdrúxulas.

Aqui veremos a ação das potências estrangeiras (Inglaterra, EUA e Alemanha) por meio de prepostos nacionais, veremos a manipulação da cúpula do Exército Nacional, veremos julgamentos em que mais conta  a convicção do juiz e as delações do que provas, veremos a tortura como método de investigação dentro do aparato policial e a falsificação de documentos e narrativas como método de criação do “clamor publicado”.

Faz parte do nosso passado mas é como se tivesse desaparecido, como se não fosse nosso antepassado, não fornecesse estofo ao presente. Os vencedores contam parte da história, a revolta liderada por Prestes e pelo Komintern, e soterram todo o arbítrio, cinismo e oportunismo (obtenção de vantagens pecuniárias em troca de apoio político) que se segue e vem nos caracterizando.

Antes, porém, como já dito, é importante um acerto de contas rigoroso com o Komintern.

A AVENTURA DA CÚPULA COMUNISTA

Entraram no Brasil, sem problemas, disfarçados,  os alemães Johann Heinrich Amadeus de Graaf, especialista em explosivos e sabotagem, e Helena Kruger, datilógrafa e motorista. Os alemães Arthur Ernest Ewert e Elise Saborovsky. “Mr. Berger, um veterano de missões internacionais, já estivera na China e nos Estados Unidos, sempre atuando como representante graduado do Komintern. Sua nova missão era coordenar a equipe de espiões enviados ao Brasil”.(Lira Neto, ibid 177). Rodolfo José Ghioldi e Carmen de Alfaya Ghioldi, integrantes do Partido Comunista argentino e membros destacados do Bureau Sul-Americano (bsa) do Komintern. Os ucranianos Pável Vladímirovitch Stutchevski e Sófia Semiónova Stutchevskaia, respectivamente agentes da Naródni Komissariat Vnútrennikh Diel (a nkvd, polícia secreta soviética) e do 4 o Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho. Por fim,  Luís Carlos Prestes e Olga Benario. “Alemã, ela recebera intenso treinamento militar. Estava apta a pilotar aviões e saltar de paraquedas, caso necessário. Também atirava extraordinariamente bem. Sua missão era garantir a segurança pessoal de Prestes, o camarada brasileiro que o Komintern desejava instalar no poder após a queda de Getúlio Vargas.”(Lira Neto, ibid 177-178).

O superintendente da companhia de energia no Rio de Janeiro, a Light, Alfred Hutt, era, de fato, o principal agente do serviço secreto britânico no Brasil. Hutt abastecia a embaixada inglesa no Rio de Janeiro com as informações recebidas do agente duplo infiltrado na estrutura do Komintern, no caso, Johann de Graaf, ou simplesmente Johnny, o especialista em explosivos que também veio ao país para se juntar aos demais conspiradores Sem que seus camaradas desconfiassem de nada — e mesmo sem o conhecimento da própria esposa —, Johnny mantinha o mi6 a par de tudo o que acontecia. (R. S. Rose e Gordon D. Scott, Johnny: A vida do espião que delatou a rebelião comunista de 1935, pp. 263-4.)

Até pouco tempos antes, o Komintern proibia qualquer tipo de aliança com partidos ou agremiações não comunistas. A ascensão do nazifascismo propiciou uma alteração radical na política do Komintern durante o VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou, entre julho de 1935, com a proposta da realização de frentes amplas antifascista, frequentemente hegemonizadas pelos partidos comunistas locais.

Se a base de poder soviético era real, tendo havido um grande crescimento econômico da URSS e um crescente apoio e esperança de um mundo novo baseado nos ideais do comunismo, especialmente entre a classe operária e a intelectualidade progressista, a realidade continha trabalho escravo, repressão política, partido único, justiça sem independência e uma grande falsidade ideológica bancada pela cúpula e pela burocracia da URSS e da III Internacional.

Quando os agentes estrangeiros desembarcaram no Brasil, essa guinada teórica já se encontrava em plena execução prática, e a orientação do Comitê Executivo do Komintern às lideranças do PCB, era o abandono dos jargões mais radicais — como “ditadura do proletariado” — em troca da adesão momentânea às bandeiras genéricas da Aliança Nacional Libertadora. Ao invés do ˜todo poder aos sovietes!˜, a palavra de ordem deveria ser ˜todo poder à ANL!˜

Só o fato do tenente Luis Carlos Prestes ter sido cooptado pelo comunismo, durante seu exílio na Argentina, em 1934, representou um azar danado para as forças progressistas do Brasil. Isolou-se um líder nacionalista com preocupações sociais, da maioria dos seus pares, em troca de uma liderança imposta ao PCB pelo Komitern, com forte influência do pensamento positivista militar que conduziria o PCB a uma série de ziguezagues, derrotas e uma permanente dependência do Partido da URSS (num caso inédito, Prestes é filiado ao Komitern antes de ser filiado ao Partido Comunista local).

O levante de 1935 nunca representou um real perigo. Embora real e violento, causando a morte de 22  pessoas (quatro em Natal, um no Recife e dezessete no Rio de Janeiro), expressou também uma concepção não estranha ao meio militar no Brasil, a quartelada.

No caso da quartelada de 1935, seja pela precariedade teórica e prática do PCB, seja pela forçação de barra  do Komitern, como parte da política externa da URSS, seja pela desinformação pretensiosa da III Internacional, seja pelo perfeito conhecimento dos planos da cúpula comunista pelo imperialismo inglês e por Getúlio Vargas, ficaram expostas  as características de baixíssima capacidade estratégica e tática e o completo desconhecimento da realidade brasileira por parte desta cúpula. (“Posso afirmar a você que a maioria esmagadora dos membros do Partido não sabe uma palavra sobre esse golpe, e se soubesse o condenaria. Será, pois, um simples motim de quartéis, uma conspirata vulgaríssima”, jornalista Barreto Leite, membro do PCB, para Prestes).

Nem ao PCB, nem à URSS nem ao imperialismo Inglês interessava a exposição de tal precariedade. Era mais vantajoso, para todos, apresentar os acontecimentos como uma batalha épica.

As besteiras da III Internacional incluía análises como “Muitas vezes a luta pela terra não é imediatamente possível nem compreensível para as massas do campo. Mas o assalto de armazéns das fazendas é sempre possível e simpático às massas. E com Lampião, como vão as coisas? É necessário agir. Empreguem o nome de Prestes; pode ser que Lampião também adira”.

Antes da quartelada de novembro de 35 ocorrer, o governo tinha conhecimento de que a diretoria da ANL iria divulgar um manifesto assinado por Luís Carlos Prestes conclamando a população à luta. No dia 5 de julho o então jovem comunista, Carlos Lacerda, lê o manifesto de Prestes no encontro dos simpatizantes da Aliança Nacional Libertadora. “Todo o poder à Aliança Nacional Libertadora!”, era a conclamação final. Prestes e o PCB selavam a dependência da ANL aos seus ditames, uma organização que abrangia setores populares, para muito além do PCB, ficava explicitamente sob a sua hegemonia

Getúlio, faz um decreto lacônico, três curtos parágrafos. Um, estabelecendo a proibição das atividades da Aliança dali por diante. Outro, atribuindo ao Ministério da Justiça as providências legais para o caso. O último, determinando que o decreto passaria a vigorar imediatamente, logo após a assinatura presidencial.

As reações à proibição da Aliança foram poucas. Discursos da oposição na Câmara e uma passeata de protesto organizada em São Paulo por Miguel Costa e pelo historiador Caio Prado Júnior. O fechamento compulsório dos quatrocentos núcleos da ANL espalhados pelo país foi marcado pela passividade do movimento operário. Uma anunciada greve geral não se concretizou. Os trabalhadores, ao contrário do que conjecturaram as lideranças do PCB, não se mobilizaram para defender a Aliança Nacional Libertadora. As classes médias urbanas, que haviam enchido praças públicas para ouvir os oradores aliancistas, também não reagiram. Os camponeses, menos ainda.

Apesar disto, os planos de Prestes e do Komintern prosseguiam, superestimando as próprias forças, prevendo que em meados de dezembro, ou no máximo até janeiro, estariam devidamente preparados para desencadear o levante. Entre julho e setembro, outros funcionários enviados pela União Soviética desembarcaram no país. Era o caso do norte-americano Victor Allen Baron, especialista em radiotelegrafia, incumbido de montar uma estrutura de comunicação segura entre o Rio de Janeiro e Moscou; do italiano Amleto Locatelli, instrutor militar, encarregado de auxiliar os trabalhos de Johnny de Graaf, e do polonês Mendel Mirochevski, com larga experiência conspiratória junto aos movimentos sindicais

Para Getúlio Vargas, a grande incógnita passara a ser identificar o momento exato do levante militar comunista.
Getúlio, paciente, esperava. “Estamos no limiar de acontecimentos maiores”, escreveu, no dia 6 de novembro de 1935 (Getúlio Vargas, Diário, vol. 1, p. 437). Era como se aguardasse, de espingarda em punho, os caititus saírem da toca.(Lira Neto, op.cit. pp190)
No dia 27 de novembro, o movimento comunista explodiu em duas unidades do Exército na capital federal: a Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos; e o 3 o Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha.
No fim da tarde, Getúlio despachou normalmente no Catete, recebendo um grande número de deputados e senadores que foram lhe prestar homenagens pela vitória. “Tenho a impressão de que o prestígio do governo cresceu”, registrou à noite, pouco antes de deitar. “Fui dormir tranquilo.” (Getúlio Vargas, Diário, vol. 1, p. 447.)

RUMO Ã DITADURA DO ESTADO NOVO COM APOIO DOS MILICOS, DA JUSTIÇA E DA MAIORIA DO CONGRESSO

Getúlio Vargas extrairia o máximo possível das trapalhadas de Prestes e cia.  Não hesitou até mesmo em fomentar a informação de que muitas vítimas tinham morrido na cama, dormindo, executadas pelos colegas de armas.

Nos dezessete volumes que compõem o inquérito policial conduzido pelo delegado Eurico Bellens Porto, contudo, não houve nenhuma menção ao fato de os revoltosos terem cometido assassinatos a sangue-frio contra companheiros adormecidos, ao contrário da versão que se perpetuou no meio das Forças Armadas.

Todos os homens que tombaram no conflito, rigorosamente de acordo com o que ficou documentado no calhamaço publicado no ano seguinte pela Imprensa Oficial, pereceram acordados, embora pelo menos um deles estivesse de fato desarmado. (Lira Neto, op.cit. 

Getúlio conseguiu fazer o Congresso aprovar, já na segunda-feira, 25 de novembro, o estado de sítio em todo o país, por um prazo de noventa dias, que seria prorrogado constantemente. Passou na Câmara, por 172 votos a 57 — e com folga ainda maior no Senado, onde encontrou apenas um voto em contrário

No dia 3 de dezembro, Getúlio reúne a cúpula do Exército (23 generais) e recebe desta uma moção de solidariedade e carta branca para agir.
Em 17 de dezembro de 1935,a Câmara aprovou três emendas propostas em regime de urgência pelo governo. O estado de sítio foi momentaneamente suspenso no dia da votação, para não se ferir o artigo 178 da Carta Magna, que vedava qualquer reforma no texto constitucional durante a vigência de períodos de exceção.  A primeira delas, aprovada por 210 votos contra 59, autorizava o presidente da República a equiparar a então “comoção intestina grave” ao Estado de Guerra, o que quando posto em prática significaria a abolição de praticamente todas as garantias constitucionais. A segunda emenda determinava a perda de patente e de posto, por decreto do Executivo, de qualquer oficial da ativa ou da reserva que houvesse praticado crime de subversão. A terceira, defendia que os funcionários públicos acusados de crimes políticos também estavam sujeitos à demissão sumária.

Tão logo conseguiu aprovar as três emendas, Getúlio restabeleceu o estado de sítio, prorrogando-o por mais noventa dias, período durante o qual os quartéis, as delegacias de polícia e os presídios do país ficaram abarrotados de inimigos — reais e imaginários — do governo. Foi preciso ultimar a criação de cinco novas colônias penais agrícolas para dar conta do grande número de prisioneiros considerados “perigosos socialmente”. (Lira Neto, op.cit. pp 200)

“Forças do mal e do ódio campearam sobre a nacionalidade, ensombrando o espírito amorável da nossa terra e da nossa gente”, discursou Getúlio em cadeia de rádio, à meia-noite do dia 31 de dezembro de 1935, na saudação de Ano-Novo aos trabalhadores brasileiros. “Alicerçado no conceito materialista da vida, o comunismo constitui-se o inimigo mais perigoso da civilização cristã. À luz de nossa formação espiritual, só podemos concebê-lo como o aniquilamento absoluto de todas as conquistas da cultura ocidental, sob o império dos baixos apetites e das ínfimas paixões da humanidade.” Depois de insistir na tese de que os revoltosos haviam cometido “o assassínio frio e calculado de companheiros confiantes e adormecidos”.  Getúlio deixou claro que os responsáveis diretos pelos levantes não seriam os únicos a pagar pelo episódio. (Lira Neto, op.cit. pp. 201).

Nise da Silveira, presa arbitrariamente

E assim foi. Prisões arbitrárias e perseguições políticas correram soltas. A máquina do Anti Comunismo começava funcionar e mostrar suas mil e uma utilidades.

Getúlio instalou uma Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo, que incentivava, em caráter oficial, as delações públicas de adversários políticos — ou mesmo de simples desafetos (qualquer semelhança com a proposta do governador eleito do Rio de janeiro, Wilson Witzel, não é mera coincidência) . A comissão tinha por objetivo receber denúncias e propor a detenção de qualquer pessoa cuja atividade fosse reputada como potencialmente “prejudicial às instituições políticas e sociais do país”. Não havia necessidade de provas sólidas ou mesmo de se verem respeitados os ritos próprios à Justiça. A simples denúncia originava a prisão imediata do suspeito. Não era a certeza da prática efetiva do crime, mas a mera possibilidade de um delito vir a ser praticado que determinava o encarceramento de um indivíduo.

Hitler não precisou se esforçar para convencer o germanófilo Moniz de Aragão de que a experiência alemã contra os esquerdistas poderia ser de extrema utilidade para o governo de Getúlio. O Führer sugeriu um intercâmbio entre as autoridades policiais brasileiras e a Geheime Staatspolizei — a temida Gestapo, a polícia secreta nazista. A permuta de informações vinha ao encontro dos planos do ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares, que desejava aproximar o Itamaraty de organizações internacionais de combate ao comunismo — a exemplo da Entente Internationale contre la Troisième Internationale, entidade de extrema direita sediada em Genebra. (Lira Neto, op.cit. pp 206)

Victor Allen Baron, cidadão americano,  foi encontrado sem vida no chão de cimento do pátio da sede da Polícia Especial. Segundo a versão divulgada por Filinto Müller, ele se suicidara, pulando de uma janela do terceiro andar do prédio, após pedir a um investigador para ir ao banheiro. Embora se tratasse de um comunista, Baron era um legítimo cidadão norte- americano, e por isso o embaixador dos Estados Unidos, Hugh Gibson, interessou-se pelo caso.

Constrangido, Filinto reconheceu ao diplomata que o prisioneiro sofrera alguns “apertos” durante os interrogatórios. O embaixador enviou um relatório completo a Washington, informando que Baron passara por “medidas de terceiro grau”, um eufemismo para definir tortura.

Numa conversa particular com o embaixador brasileiro Oswaldo Aranha na Casa Branca, o próprio presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, mandou um recado pacificador a Getúlio, de quem aliás costumava receber caixas de charutos brasileiros produzidos na Bahia: “[Roosevelt] adiantou-me, no caso do suicídio do americano, que não lhes cabe examinar o assunto, uma vez que a defesa da ordem pública de um país é um direito que exclui todos os demais”, repassou Aranha, em carta confidencial, ao presidente (Carta de Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas, 22 de abril de 1936. Arquivo cpdoc-fgv, citado por Lira Neto

Getúlio decretou o estado de guerra, pondo fim ao brevíssimo interlúdio democrático que o país vivera entre julho de 1934 e aquele sinistro março de 1936. Suspensas as garantias constitucionais, inclusive as prerrogativas parlamentares, o Congresso Nacional foi invadido pela polícia.

Sem nenhum outro motivo aparente a não ser gerar um novo fato político e provocar comoção imediata nos quartéis, decidiu-se antecipar para 22 de setembro as homenagens oficiais às vítimas do levante de 1935 — episódio que só completaria o segundo aniversário dali a mais de dois meses, em 27 de novembro. O Ministério da Guerra distribuiu mensagem convocando a comunidade militar para uma romaria ao túmulo dos soldados e oficiais mortos “pela rajada nefasta do comunismo, acolhido por um pequeno número de tresloucados e mercadejado por maior porção de pescadores de águas turvas”.

Por determinação do Ministério do Trabalho, foi decretado ponto facultativo em todas as repartições públicas federais, a fim de que os servidores pudessem participar da solenidade marcada para as nove horas da manhã, no Cemitério São João Batista. Os sindicatos operários, sob controle do governo, negociaram com as entidades patronais a liberação dos trabalhadores da iniciativa privada, reforçando a ocorrência de público. Os bancos, por sua vez, anunciaram que só funcionariam no expediente da tarde, para que clientes e funcionários comparecessem ao evento. O Sindicato dos Lojistas seguiu-lhe o exemplo, mantendo fechadas as portas do comércio até o meio-dia.

A União Beneficente dos Choferes, por iniciativa de seus associados, disponibilizou duzentos automóveis aos oficiais que desejassem ser conduzidos ao cemitério. O diretor do tradicional Colégio Pedro II, Raja Gabaglia, cancelou as aulas do primeiro turno e nomeou uma comissão de professores e alunos para representar a escola.

“Foi verdadeiramente notável, muito além dos cálculos mais otimistas, a afluência popular ao São João Batista”, noticiou o Correio da Manhã.

Getúlio chegou ao local ladeado pelos ministros da Marinha e da Guerra e pronunciou um discurso rápido e duro.

“Esta romaria é uma lição e uma advertência. É uma lição porque significa que para a defesa de um ideal, de uma nacionalidade, e para a vitória de uma pátria nem sempre é preciso matar. Basta, às vezes, que se saiba morrer”, iniciou. “É uma advertência, porque significa que o povo brasileiro, as forças armadas do Exército e da Marinha estão vigilantes na defesa da pátria”, concluiu. Nesse exato momento, aviões de guerra fizeram evoluções sobre o São João Batista, arrancando brados de exclamação dos presentes.

O general Newton Cavalcanti — que comandara as tropas de ocupação ao 3o RI da Praia Vermelha — disse, diante dos túmulos dos mortos de 1935, que o arcabouço constitucional brasileiro, com suas “leis magnânimas”, se transformara no principal incentivo para a propagação do comunismo no país. “Não consentiremos nunca que o judeu moscovita faça deste Brasil invejável o mercado sórdido e infame do nosso caráter, das nossas tradições e de nossa dignidade”, declarou.

Desde o início de setembro, começara a circular nos meios militares cópias de um hipotético plano subversivo de tomada do poder, que teria sido descoberto pelo serviço de informações do Estado-Maior do Exército (EME). O chamado Plano Cohen — o nome judaico era particularmente sugestivo — detalhava as supostas ações que os comunistas estariam planejando para instituir um governo de extrema esquerda no Brasil. Ao longo de dezoito tópicos, as diretrizes da insurreição preveriam, entre outros itens, “regras para o trabalho de agitação das massas”, “organização de marchas coletivas de todo o operariado”, “incentivos a saques e depredações”, “desencadeamento de uma greve geral” e “formação de comitês de incêndio contra prédios públicos”. No caso de fracasso do levante, o texto recomendava o fuzilamento sumário de militares e civis situados em posição de destaque na hierarquia governamental.

O Plano Cohen era flagrantemente falso. Fora escrito no final de agosto pelo então coronel Olímpio Mourão Filho, chefe do serviço secreto da Associação Integralista Brasileira. De acordo com o que admitiria mais tarde o próprio Mourão, o texto teria sido redigido por ele a pedido de Plínio Salgado, mas como um exercício teórico.

Na condição de novo chefe do EME, Góes Monteiro fez chegar cópias do falso plano a Getúlio, Dutra e Filinto Müller, como evidência de que os comunistas preparavam uma versão revista e ampliada da “intentona” de 1935.151

O fato é que, na manhã do dia 27 de setembro, cinco dias após a homenagem aos mortos de 1935, Dutra convocou em seu gabinete uma reunião de cúpula que contou com as presenças de Góes Monteiro, Newton Cavalcanti e Filinto Müller, além dos generais Almério de Moura, comandante da 1a Região Militar, e Coelho Neto, diretor da Aviação. Segundo ficou registrado na ata do encontro, ante a existência de “documentos comunistas copiosos e precisos”, todos os participantes concordavam que era necessário tomar providências enérgicas em nome “do Exército, das instituições democráticas, da sociedade e da família brasileira”.

O general Cavalcanti, o mais exaltado de todos, aconselhou:

“É preciso agir, mesmo fora da lei, mas em defesa das instituições e da própria lei deturpada.”

Ao final da reunião, ficou acertado que os generais assegurariam a Getúlio o necessário apoio militar para a volta imediata do estado de guerra, sem restrições de qualquer espécie.

“Impõe-se o emprego de meios violentos, lançados de surpresa, capazes de frustrar o movimento articulado que todos percebem prestes a explodir”, considerou Cavalcanti.

No dia 28,  Getúlio recebeu no Palácio Guanabara a visita dos dois ministros militares, Eurico Gaspar Dutra e Aristides Guilhem. Ambos vinham lhe prestar solidariedade e comunicar que as Forças Armadas, em peso, diante da nova ameaça comunista, lhe recomendavam o restabelecimento do regime de exceção. Em uma exposição de motivos entregue ao presidente e posteriormente transmitida em cadeia nacional de rádio, justificaram: “A nação já conhece o plano de ação comunista desvendado pelo Estado-Maior do Exército. É um documento cuidadosamente arquitetado, cujo desenvolvimento meticuloso vem da preparação psicológica das massas, ao desencadear o terrorismo sem peias”.

O memorial assinado por Dutra e Guilhem argumentava ainda que era necessário abolir o quanto antes os protocolos judiciários e as garantias individuais previstas na Constituição: “Em face do arcabouço jurídico atualmente em prática no Brasil e diante das travas criadas pelo formalismo processual, é impossível impedir a conspiração”.

Em 30 de setembro, trechos selecionados do Plano Cohen foram divulgados pelo programa de rádio Hora do Brasil — instituído em 1935 pelo Departamento de Propaganda e Difusão Cultural, comandado por Lourival Fontes — e em seguida reproduzidos nos principais jornais do Rio.160 O país quedou escandalizado ante a estrepitosa “revelação”. Perante o estado de comoção pública, o Congresso aprovou a volta do estado de guerra por larga margem de votos. Na Câmara, 138 deputados votaram a favor; 52, contra. No Senado, foram 21 favoráveis e apenas três contrários.

Estavam devidamente eliminados todos — ou quase todos — os empecilhos para o golpe que Getúlio sugerira a Dutra. Para “salvar o Brasil do comunismo”, o Exército e a Marinha dariam amparo completo à “revolução de cima para baixo, desencadeada pelo próprio governo”.

O fantasma da ameaça comunista , com a devida e imprescindível contribuição de Prestes e da cúpula da III Internacional, mostrou-se uma arma portentosa para a manipulação da vida política nacional.

É incrível que setores da ultra esquerda hoje atribuam ao escândalo do mensalão e da Petrobras as maiores derrotas morais da esquerda no Brasil. Juntam-se ao olvido ou são cúmplices do intervencionismo soviético?

A esquerda democrática e popular não pode contemporizar com essas mistificações.

O erro da III Internacional constituiu-se sim numa intervenção militar indevida no território brasileiro, as propostas que trazia para o Brasil estavam completamente fora da realidade, levou uma frente de massa anti fascista que ganhava peso na vida nacional, a ANL, de roldão, como simples correia de transmissão da cúpula comunista, permitiu que a direita militar surfasse na onda do anticomunismo e tivesse a hegemonia política e cultural das FFAA.

Foi um erro, uma traição e foi uma derrota moral de repercussões históricas imensas, que repercutiu com intensidade até ao menos os anos 1980 (e que o governo Lula só conseguiu tirar da Ordem do Dia facciosa dos comandos militares lá por 2005) envolvendo não apenas o PCB, Prestes, a III Internacional mas toda a esquerda e que, ainda agora, 83 anos depois é um assunto em aberto.

No meio do oficialato e dos praças , a revolta de 1935 é fonte para o proselitismo anti esquerdista.

Há que se discutir , com rigor histórico, o quanto o combate à uma intervenção mal ajambrada, fadada ao fracasso, pela incúria dos conspiradores e pela total falta de aderência do povo brasileiro aos delírios do Komintern e de Prestes, deu origem à uma máquina anti comunista, de mil e uma utilidades, que ajudou a institucionalizar no Brasil o desapego aos ritos legais , a tortura como instrumento de luta política, as soluções ditatoriais em nome de combater a ditadura, as manobras de diversos grupos políticos e econômicos, nacionais e internacionais em favor dos seus interesses usando não apenas o  óbvio discurso do bem comum mas do mal diabólico para tudo que seja de esquerda ou centro esquerda.

A compreensão histórica do oficialato brasileiro, inclui saber não apenas o que ocorreu no dia do Levante Vermelho mas também os usos e consequências exauridos por Getúlio Vargas no seu caminho para a ditadura,  inclui saber quem quis e se esforçou para traçar uma END/PND, para capacitar minimamente o país a dissuadir ataques aos seus recursos naturais, principalmente na Amazônia e no Pré Sal.

O alto custo financeiro das FFAA brasileiras se transforma num acinte à população quando a provável maioria desta,  e com certeza a maioria do Exército, está preocupada em manter seus privilégios exagerados na Previdência Social e presta continência, por meio de um representante tosco, mal preparado, ao sub do sub do sub do império e assiste à entrega do patrimônio brasileiro na bacia das almas para o rápido novo enriquecimento de fundos bilionários de investimento nacionais e internacionais.

O Exército brasileiro conta hoje com um contingente de 147 generais na ativa e outros 5.290 na reserva, os generais de pijama (aposentados). São 36 generais na inatividade para cada general no serviço ativo. E ainda 11,6 mil pensionistas dependentes de 8 mil generais falecidos. A despesa com tão elevado número de generais é alta: os da ativa custam ao Exército por ano R$ 49 milhões e os aposentados, R$ 1,7 bilhão.

Não se trata de promover a cizânia, tal qual Bolsonaro e boa parte dos seus assessores do corpo de para quedistas promove. Trata-se de um programa de discussão franco, de alto nível, aberto à sociedade, onde a reivindicação da centro esquerda é de que as FFAA saibam analisar a História sob os vários prismas, recusem a doutrinação tosca e cumpram, ao invés de trair ao seu bel prazer, a EDN/PND.

A Academia deveria se debruçar sobre o assunto, convidar oficiais das FFAA, e elaborar um plano de Estudos ambicioso e amplamente discutido nas redes sociais e na sociedade em geral.

Publicado em Mercado Financeiro

Bolsa de valores, 2019

Coloquei novas fontes de informação no lado direito da TiViBrasil.  Entre eles, um da turma do mercado de capitais (Infomoney) e do Banco Central.  A ideia é diversificar um pouco mais as opções de acesso rápido a notícias e análises de cada pessoa que nos honra com a visita.

O Infomoney ajudou a alegrar um pouco mais o dia. É super interessante, e comum,  que eles comecem o dia com uma expectativa ( positiva ou negativa ) e fechem o dia com o oposto, e sempre com uma explicação “perfeita”.

Repito a partir daqui, na verdade um post antigo, “O Melhor Livro sobre Bolsa de Valores”, porque eu acho que uma das possibilidades para o início de 2019 é uma euforia no mercado de capitais, imobiliário e cambial. Basta ler a matéria da Piauí que traçou o perfil do Paulo Guedes para perceber como os Fundos de Investimentos, nacionais e estrangeiros, estão agitados para abocanhar o pré sal e as privatizações.  A expectativa da turma da bufunfa é ganhar muito, mas muito mesmo, dinheiro nestas operações.

O prolema é que quem estará só assistindo a festa, sentirá uma tentação danada de entrar no jogo.

Este post é um alerta bacana sobre isso. Aproveite, se quiser.

Ah, sim, por último, há indicativos da área política do novo governo de que aproveitarão o início de governo para uma espécie de Blitzkrieg   contras as principais lideranças da oposição, MST, MTST e PT e, talvez, PSOL.  As que importam.   Felizmente, posso estar errado. Tomara !

Agora, sigamos com o melhor livro sobre bolsa de valores que já li:

Se alguém lhe disser que há um jogo onde as suas chances de ganhar são de 50% e ao ganhar, seu lucro será de 60% e ao perder seu prejuízo será de 40%, o que você faz?

1) Entra alegre e feliz no jogo.

2)Calcula a média e joga.

3)Diz: Tô fora!

Se você não respondeu o item 3, sugiro o melhor livro que li sobre o Mercado de Capitais.

Escrito por um matemático que perdeu muito dinheiro na bolsa de Nova York: Jonh Allen Paulos.

A MATHEMATICIAN PLAYS THE STOCK MARKET, Basic Books,  2003.

Traduzido no Brasil como “A lógica no mercado de ações”.

Por meio de histórias, vinhetas, paradoxos e enigmas Paulos aborda todas as indagações do leitor pensante sobre o mercado.

Os métodos tradicionais de selecionar ações, como a análise fundamentalista, a análise técnica e outras abordagens contribuem realmente para alguma coisa? Como quantificar o risco? Quais são os erros mais comuns dos iniciantes? 

O mercado é eficiente? É aleatório? 

Qual o papel da ilusão cognitiva e da fraqueza psicológica?

Quais as principais trapaças?

O que são opções, teoria do portfolio, venda descoberta?

A curva normal, em forma de sino, realmente explica a volatilidade do mercado? E ferramentas outras como os fractais e a teoria do caos, iluminam o zig zag do mercado?

Mas, antes de tudo, o livro é a estória do seu desastroso caso de amor com a WorldCom. Uma companhia que foi estrela da onda pontocom; expoente da bolha da internet do início do século XXI.

A saga de Pauson com a WorldCom o levou a perder muito, mas muito mesmo, dinheiro.

O sucesso do livro compensou parte das perdas.

Contando casos, mostrando paradoxos, analisando as várias técnicas dos “players” e “traders” o livro elucida a matemática do mercado. Com poucas fórmulas. Fácil de entender.

Se você deseja entrar neste mercado, recomendo a leitura. Servirá como uma vacina contra os picaretas.

Ajudou-me a entender porque se me oferecerm um esquema onde na metade das vezes eu ganho 60% e na outra metade eu perco 40% eu vou mifú.

Simples aritmética, média e mediana.

Agora, se alguém lhe perguntar qual a variável que deve ter tido maior correlação com o índice S&P500 (índice que mede a média de ações selecionadas de ações negociadas na Bolsa de New York) e lhe apresenta as seguintes opções:

1) Crescimento do PIB dos EUA

2) Preço dos imóveis na Califórnia

3) Preço da mantega no mercado de Bangladesh

4) Ações da General Motors

E você não respondeu a opção 3, sério, não deixe de ler o livro.

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Uma perna esquerda, das mais cafajestes, no ataque em pinça

Sabemos que um dos ataques políticos e militares mais efetivos é o do movimento em pinça, onde a perna esquerda se move coordenada com a perna direita, mesmo que cada uma delas tenha seus próprios objetivos.

Nas lidas lá nos grupos de Araruama,  nenhum bolsonarista, a perna direita dos ataques desde 2013,  ousou ser tão covarde como Idelber Avelar, uma das pernas esquerdas mais sem vergonha do ataque em pinça contra a esquerda no Brasil. E , olha que isso não é pouca coisa não, como veremos em outros posts.

Foi super rápido. Não esperava. Afinal o cara tem mais de 20 mil seguidores, desenvolve com regularidade os ataques políticos quase todo santo dia e se deu ao trabalho de  me responder, em menos de 5 minutos, sobre um comentário relativamente ameno. Até aqui nenhuma covardia, claro.

Para entender: Ando intrigado com um fenômeno no Facebook que é o seguidor fanático e sabujo. Conversei sobre isso com algumas visitas. Todos nós Já refletimos muito sobre os haters , trolls e Stalkers,, que são fenômenos de ataque nas redes sociais. A sabujice me parece uma coisa mais recente, algo como a necessidade de uma fábrica de “Likes”

Deparei-me com este post onde o Idelber comemora uma suposta previsão com nove meses de antecedência ( UAU ! Depois, na discussão, ele vai falar que faz análise, não faz previsão, hahahaha !) .

Também não dei bola. Chamou-me a atenção o “SEGUIDOR“, como que saído de um conto do Cortazar, curte o post, não se contém e parabeniza o seguido nos seguintes termos : E detalhe que você cantou a pedra da eleição do bolsonaro bem lá atrás. Necrogovernistas em peso e mais alguns que estavam caindo no (necro)conto (eu incluso) riram. Pois é.

Obs: A diferença é que eu faço autocrítica sempre e não tenho medo de falar que errei minha leitura de conjuntura. Já a outra galera….”

Acontece que o seguido sempre apostou que Bolsonaro sequer iria para o 2ª turno, que era como um “espantalho” que o PT usava para espantar criancinhas.

Interessado nesse tipo de SEGUIDOR SABUJO, ainda mais um que persiste no uso do termo “necrogovernista”, em plena e evidente temporada de caça autoritária, em tempos de transição temer-bolsonaro, fiz o comentário:

“hahaha Seguidor é um fenômeno a ser estudado. O seguido previu , e apostou, que Bolsonaro se desmancharia quando a campanha começasse, uma espécie de “espantalho” do PT para assustar as criancinhas. A Hillary ganhou no voto popular e a previsão era de que ela perderia no voto popular. Bem , dá para relevar, né? “acertou”.

Previu que em janeiro de 2018 haveria a retomada das jornadas de julho de 2013.

Tudo furado. Mas o” seguidor” (aqui considerado como mais do que apessoa que aperta o botão de “seguir”, é seguidor e confirmador incondicional) consegue ver só acertos,
E o seguido curte o comentário sabujo, não sei se de peito estufado, mas curtiu sem qualquer senão. Eita !”

O gajo não gostou, foi rápido no gatilho mas inicialmente manteve uma certa decência:

“Cláudio, eu curto praticamente todos os comentários que aparecem por aqui. O Gustavo se enganou ligeiramente em um comentário. Você se enganou em vários. Se eu for corrigir cada pessoa que se engana em alguma coisa aqui, passo o dia sem fazer mais nada. Já que você faz tanta questão de correções, vamos a elas.

1 – Você está correto em dizer que eu previa que o Bolsonaro não chegaria ao segundo turno. Você está incorreto ao dizer que eu previa que ele iria “derreter”. A minha expectativa era que ele ficaria com os 15% ou 20% que tinha naquele momento, mas que mesmo assim não chegaria ao segundo turno. Errei. Se errei porque subestimei o arraigo que tinha Bolsonaro naquele momento, porque subestimei o esforço que faria o PT para colocá-lo no segundo turno, ou por causa da fatalidade da facada imprevisível — ou se por uma combinação desses fatores — é coisa que a gente pode conversar, e estou totalmente disposto e a fim de ter essa conversa.

2 – Você está totalmente equivocado ao dizer que eu previa que “em janeiro de 2018” se retomaria Junho de 2013. Tirou isso da sua cabeça. Inclusive porque eu não faço previsão com data. Se eu estiver enganado e você tiver um link, apresente. O que me lembro é de prever que o governo Temer não cairia, quando muita gente achava que ele tinha dias contados. Coloco o print abaixo com a data. O 12 de junho dela é 2016, não 2017.

3 – Você está também totalmente equivocado ao dizer que eu previ que Trump venceria no voto popular. Se eu estiver enganado e você tiver um link, apresente. Coloco abaixo a previsão feita em um grupo fechado, com a data, sempre com a ressalva de que meu principal intuito aqui é analisar coisas, e não fazer previsões.

Bem , não custa lembrar que o gajo lá em cima se gabava de ter acertado com 09 meses de antecedência que Trump ganharia.

Apertado? Apenas no colégio eleitoral mas perdendo no voto popular ? Não, o oráculo previa “Vai ser um massacre”. Não foi.

Deixei isso também de lado e respondi sobre o foco do meu comentário:

“meu foco aqui era o interesse no fenômeno do seguidor. Mas topo debater as opiniões e versões que você apresentou , Não o farei agora
Quando fizer , te aviso com certeza”

Idelber, ainda com alguma compostura, mas já meio nervoso, pois não houve pedido de desculpas, como é do seu agrado, ao contrário, houve o anúncio de que ele seria contestado.

Avise, sim. O meu erro de avaliação do potencial eleitoral do Bolsonaro está reconhecido acima. Quando estiver a fim de reconhecer que me atribuiu equivocadamente coisas que eu jamais disse, a gente prossegue.

Eu estava digitando no celular e não vi minha resposta publicada, repeti com as devidas escusas caso tivesse me enrolado:

” Parece q minha resposta se perdeu por alguma falha minha.
Desculpa se repito
Meu foco aqui era o fenômeno do seguidor . Mas topo discutir suas opiniões e versões . Não o farei agora. Mas te garanto que avisarei quando o fizer”

Aí aparece o valente de teclado de Facebook que, logo a seguir, dará lugar ao covarde, infame.

“Não se perdeu, não. Eu entendi essa parte. Também entendi a parte em que você equivocada ou mentirosamente disse:

1 – “A Hillary ganhou no voto popular e a previsão de que ela perderia era no voto popular.”

2 – “Previu que em janeiro de 2018 haveria a retomada das jornadas de julho de 2013.”

Duas falsidades que eu jamais disse. Vai apresentar link ou vai reconhecer que errou?

E completa :

Reiterando: se não for para apresentar link ou para reconhecer que errou, recomendo que não dê continuidade à conversa. Fica mais digno.

Respondo à essa bobagem de “fica mais digno” e reafirmando que ele poderia até querer mas não mandaria no meu tempo nem nas minhas prioridades

Qual não é a surpresa ? O valentão, que virou covarde, me bloqueou , não permitiu que minha última resposta aparecesse e nem sequer teve a hombridade de informar a seus seguidores que me bloqueara, o que impediu a que a última resposta aparecesse. (era como se eu tivesse enfiado o rabo entre as pernas e me apartado).

Alguma surpresa por esse comportamento vir de um suposto esquerdista, um ex-petista militante, chato pra caraio, que virou fanático anti-petista idem ?

Nenhuma surpresa.

Quem me conhece sabe que não estou interessado em seguidores, não tenho expectativa de poder político a curto, médio ou longo prazo. Admito que os principais intelectuais da esquerda brasileira devam ignorar este tipo de cafajestice.  Não é meu caso. Acompanho a ascensão dos grupos fascistas na periferia desde 2013, tenho muitos prints, com ameaças de morte, xingamentos desses que hoje as pessoas acreditam (quando falei para outro amigo sobre esse fenômeno no Facebook, ele também afirmava que era tudo fake, espantalho do PT , etc e tal), e o uso consciente das iniciativas da perna ESQUERDA pela extrema direita.

Isso para não falar na imensa confusão da turma da extrema esquerda compartilhando sites da extrema direta, como Revoltados On Line e Ursinhos Bolivarianos. O que me levou a pensar que se antes o Brizola falava que havia uma esquerda que a direita gostava, agora constatava que havia uma extrema direita que a extrema esquerda gosta

Então, dentro do meu compromisso de contar estórias para meus filhos, amigos, amigas e neto, esses traíras estarão frequentando meu blog. Sei bem o papel que eles cumpriram no ataque em pinça. Que continua, inclusive entrando na sua mais violenta fase.

Abaixo publico os prints do entrevero, inclusive o tal no qual ele prevê que Temer não cairá ! (O que que uma coisa tem a ver com a outra?  muito cabotino para o meu gosto, é como se tivesse mandando um”nude para se gabar. Eu hein!).
O

O primeiro é o do bloqueio. O segundo é mais um ataque mentiroso à Esquerda Brasileira, Primeiro porque fala como se toda a Esquerda tivesse boicotado uma palestra do Olavo de Carvalho. E, prezada amiga, prezado amigo,  perceba nos comentários de um SEGUIDOR SABUJO, sem correção pelo seguido, a afirmação de que o Olavo defende a livre manifestação do pensamento nas escolas. Mentira ! Ele se manifestou contra o Slogan “Escola Sem Partido”, e afirma que é impossível ensinar sem alguma doutrina, Mas o que propõe é a denúncia e a repressão feroz de qualquer “doutrinação de Esquerda”  É muita babação de ovo da extrema direita, as pernas mais uma vez se coordenam e se entendem;

Os outros prints seguem a sequência inversa, creio,

 

O debate não é esse não! Isso aqui é apenas a denúncia do caráter covarde revelado hoje no bloqueio, da forma como foi feito.

 

 

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Olavil Coletivo, um fenômeno do rebaixamento moral em massa.

Pensei que fosse Fake News que o guru do Flavio Bolsonaro, e como revelado ontem, 12/11/2018, do próprio Jair, tivesse se oferecido para ser Embaixador do Brasil nos EUA.

Um cara que não fez curso formal, que mal fala inglês, já seria muita ousadia, daquelas típicas de pilantra profissional, se esmera na pilantragem: Apresenta como credencial para “fazer dinheiro” e para ser “reizinho”, um período que morou na Romênia.

Diz que não pede, mas se cargo oferecido, cargo aceito.

Acresce que fez algumas indicações para o Ministério da Educação e que todas estavam sendo muito bem recebidas. Meu Deuxxxx !

Colocarei, mais abaixo, o vídeo onde, com aquela boca asquerosa, as sandices são pronunciadas como se proviessem de um oráculo auto proclamado e com o orgulho típico dos mais tolos.

Adiante veremos também o pensamento dele sobre as universidades públicas e o horror que causa a simples menção ao fato de estarem lhe dando atenção. (A possibilidade de haver uma dose de bravata é razoável, Hosana nas Alturas ! )

O pior, no entanto, será apresentado em avant premiére, para que saibamos desde logo com quem estamos tratando:

Falamos de um ser que foi capaz de atacar a própria filha no Facebook, às vistas dos seus mais de 500 mil “olavetes” , que formam o tal do Olavil Coletivo, nos termos aí de baixo, após ter anunciado, para surpresa de quem o conhece, que responderia às acusações da filha mas não a atacaria nem aceitaria que a atacassem,

A maldade contra a filha, quando ele, Olavo,  voltou ao seu modo normal, veio furiosa e vil:

A filha, Heloísa, ainda tentou, dias depois se defender de tal agressão, usando de ironia ao comentar uma “contradição” nos aforismas de Facebook do pai :

“Heloisa De Carvalho Martin Arribas
12 de outubro às 14:36
“O peixe morre pela boca.”

Algum efeito ? qual o quê ! O guru passa a chamá-la também de “espermatozoide perdido em Atibaia” (Atibaia é cidade onde Heloísa mora).

“O Peixe morre pela boca” ? Nem o guru, nem seus seguidores são capazes de perceber a contraditória vida de moral mesquinha que praticam e revelar algum grau de arrependimento por tamanha vileza. Ignoraram-na, a maioria, ou a zoam, a minoria militante mais sabuja.

Agora adentramos o recinto universitário:

O guru não fez o ensino médio e ficou dando tratos à bola de como seria uma vida na Universidade, Eis o resultado: Pior do que ejaculação precoce em coroa bichado;.

Uma das mágoas declaradas da Heloísa refere-se ao próprio abandono escolar, quando criança, bem como dos irmãos da época. Além de um ambiente familiar promíscuo, com tentativas de levar a vida por meio de seitas , ora muçulmanas, “Tariqas” , esotéricas ou astrologia, aparentemente com o uso de drogas estupefacientes.

Mais uma vez ela tenta pegar o “Peixe pela boca” (o texto em negrito no post abaixo é dela, revelando nova contradição e apontando o uso de drogas presenciado na infância. Debalde. O Olavil Coletivo defende o guru com unhas e dentes: “Faculdade para quê ?”

Saíamos do calo do Guru – o ideólogo embusteiro – a Universidade, e adentramos a vileza no seu estado mais puro,   íntimo e familiar.Um ataque covarde, por meio de um perfil falso, de uma tal de Lu Arianov, que simula ser uma ex amiga da filha, Heloísa, desde então desaparecida, que ele mesmo publicou, alegando ter recebido como mensagem de apoio da filha de uma seguidora, também desconhecida, e onde acusa a Heloísa das maiores baixarias

Lu Arianov é provavelmente o pseudônimo mais infame da história do Facebook (reproduzo o trecho inicial direto da página do ideólogo embusteiro, guru de mais de 500 mil olavetes ! Que coisa !

Olavo de Carvalho 

17 de setembro de 2017

Por Lu Arianov

“Carta aberta à Heloisa de Carvalho Martin Arribas.
Olha só. Vem essa daí e fica falando um monte de merda a respeito do pai e da família. Já que você se coloca em busca da verdade, Heloisa, pare de contar tudo pela metade e conte exatamente como aconteceu.
Essa história sobre a sua mãe ter sido despejada é verdade, mas você não morava com ela. Morava com a sua tia e estava pouco se lixando para sua mãe e seus irmãos. Quanto ao suicídio, ela realmente tentou, mas a sua participação nessa história se resumiu a um surto e gritos histéricos, enquanto o Olavo puxou o Luiz e o Tales pela mão e disse que estava na hora de eles aprenderem a ser homens. Foi ele quem a tirou da banheira e levou para o hospital, enquanto as outras pessoas tentavam acalmar você, que gritava sem parar. Minha mãe foi uma dessas pessoas, já que era aluna da Escola Júpiter, e foi o que ela me disse.
Você diz que nunca gostou de sujeira, mas no pouco tempo em que seu filho morou com você, ligou para a sua tia pedindo para salvá-lo, e ao chegar na sua casa, estava tudo sujo e a comida na geladeira estava podre. Você não tem moral nenhuma para falar sobre abandono de filho, já que fez exatamente a mesma coisa com o seu, que foi criado pela sua tia, tendo ela, inclusive a guarda judicial dele.
Sobre a sua avó, faltou colocar nessa sua carta que imediatamente após o enterro, você correu para o apartamento dela e literalmente pilhou o que tinha lá. Objetos do seu pai e até mobília. Agora colocou tudo para vender, e eu me pergunto aqui se você realmente tem direito. Não é você que é doutora das leis, que sabe tudo sobre todos os códigos que existem? Então você deve saber que esses objetos são do seu pai até que ele morra, quando então passarão à você E AOS SEUS IRMÃOS. Na conta final de todas essas vendas, você vai dividir o dinheiro com eles, ou entregar ao seu pai? Na verdade, não sei se você sabe responder a minha pergunta. Você fez o curso de Direito numa universidadezinha qualquer, curso este que alguem pagou pra você pois nem pra isso você tinha os meios, mas até hoje não conseguiu passar no exame de ordem. E nós, que acompanhamos as suas lamúrias há algum tempo, jamais vimos qualquer agradecimento a quem quer que seja que tenha feito isso por você. Todos sabem que sem a aprovação no exame, você não passa de bacharel, mas, por favor, conte pra todo mundo aqui como você advogava na cidade onde mora, mesmo sem poder e consciente de que não podia.
Continuando… Você fala tanto sobre a sua mãe, mas você nem morava com ela. Você escolheu morar com a sua tia, porque a sua mãe era só uma “louca, preta e desdentada”, como você dizia. Agora fica posando de boa moça, que cuida da mamãe, mas também esqueceu de contar que deu queixa na polícia dessa mesma mãe, acusando-a de roubo e coisas que você sabe bem que ela nunca fez. Mesmo assim, até onde eu sei, ela te perdoou.
Quanto aos ataques histéricos do seu pai, é verdade, mas isso prova que você teve MUITO BEM a quem puxar, já que faz exatamente a mesma coisa com quem quer que te desagrade de alguma forma. Como eu sei que você vai fazer comigo, já que não vai ter coragem pra rebater o que eu estou dizendo aqui.
Quanto ao seu suposto abuso sexual aos 9 anos… Nem vou comentar. Você tem quase 50 anos na cara e fica choramingando por uma coisa que aconteceu no século passado. Em um comentário aí em cima você mesma admitiu que não houve conjunção carnal, mas que o cara passou a mão na sua bunda. E, convenhamos, pra quem deu que nem puta em beira de estrada, inclusive para vários ao mesmo tempo, uma passada de mão na bunda não é problema, né?
Sobre pegar dinheiro indevidamente, já contou pra todo mundo aqui que o papaizinho te mandou R$ 80 mil e que você torrou a maior parte em cachaça e o resto entregou na mão de um safado que te passou a perna? Aliás, sabe que você é piada na sua cidade por causa disso né?
Eu posso continuar por várias horas aqui. Posso contar pra todo mundo o quanto você adora e faz questão de cuspir da mão de quem te alimentou, de puxar o tapete de quem te ajuda. Posso contar que você bateu na sua outra avó e enfiou a cara numa cerca de arame farpado e depois foi pra delegacia dizendo que sua tia, a mesma que te criou, tinha te agredido. Não contente, ainda a processou. Quer que eu continue?
Então, olha… O seu problema é o seguinte, e nem precisa ir muito longe pra descobrir. Vai no Google e joga “sintomas de psicopatia”, e você vai ver que você se encaixa perfeitamente em todos eles. Quer um exemplo: gera problemas e põe a culpa nos outros; se acha sempre com a razão e não tem um pingo de remorso pelas maldades que já fez. Você precisa de dinheiro é pra ir num bom psiquiatra, e começar a frequentar o AA, pois todo mundo sabe que você tem um sério problema com a mardita.
Toma vergonha nessa cara, menina. Vai arrumar um trabalho decente, já que você passa o dia no Facebook falando mal do seu pai, vai estudar pra passar na ordem, vai se tratar. Você não tem moral pra falar e julgar ninguém.”

 

A estória continua pois Olavo abriu processo criminal – acusando a filha de associação criminosa , por causa de entrevistas que ela concedeu e pelo apoio que recebeu de antigos desafetos do guru !  Além de processos por calúnia e difamação.

É desse senhor, de comportamento moral tão ilibado que você poderá assistir  o incrível vídeo onde ele apresenta suas credenciais para ser Embaixador do Brasil nos EUA :

No período que morou na Romênia conviveu com uns brasileiros da época da instauração por Getúlio Vargas do DASP, que lá estavam tratando sobre problemas de comércio exterior e “alguma coisinha eu aprendi”, “não sou completo ignorante no assunto”.

Como Embaixador seria uma espécie de, nas suas palavras de guru, Reizinho que pode mandar prender ou expulsar qualquer um, sem precisar dar explicações.

Leu a biografia de Bonaparte e aprendeu que ele sustentou a França, por uma período, com o que roubava dos vizinhos. Ficou encantado com o próprio saber e seu possível uso, não para saquear os vizinhos mas para sustentar o Brasil .

Divirtam-se, apesar daquela boca asquerosa e de um orgulho típico dos mais tolos deslumbrados. E não percam o desconto de super liquidação (60% !) que aproveitou para promover da sua lojinha,

 

 

OLAVO TEM RAZÃO

O guru frequentemente se queixa que seus críticos não se aprofundam no estudo da sua obra auto didática. Por vezes se desespera com os próprios seguidores.


Aqui, teremos alguns posts sobre essa figura folclórica, o pior do seu pensamento , as covardias, a embromação e a bazófia.
Não nos esqueçamos que foi ele quem inventou a estória do Fernando Haddad ter escrito num livro a defesa do incesto. O recuo foi covarde e facilmente percebido por qualquer um, menos pelos seu seguidores. O que, sem dúvida, é um fenômeno a ser averiguado.  Tal qual Osho, Jim Jones, etc.Infelizmente, o fascismo nos trouxe a obrigação de acompanhar as façanhas do Olavil Coletivo, e assim o faremos em novos posts.
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Lula, Fevereiro, Brasil 2018 e a trilogia da batalha do Chile

Lula, Fevereiro, Brasil 2018 e a trilogia da batalha do Chile (Patrício Guzman, 1975, 1976, 1979)

Então, José Luis Fevereiro é um quadro inteligente do PSOL e orientado para uma inserção política para além da zona sul carioca. Não é sectário. Como prova seu recente artigo

Ainda assim, quero demarcar uma discordância básica. Parece que Fevereiro sabe o que aconteceria se ao invés disso Lula tivesse feito aquilo, como se houvesse uma linha justa de acordo com uma correlação de forças capaz de ser cientificamente determinada.

Daí que puxo pela memória. Em 1972 estive no Chile de Allende. Depois do golpe, participei da campanha de denúncia das atrocidades do Pinochet usando diversos materiais, inclusive, não exclusive, panfletos do MIR. Comprei o livro do Mario Toer “La via Chilena, un balance necesario” , 1974, que possuo até hoje e devo ter lido umas 3 vezes, entre outros. Cito o Mario Toer pois ele era um ácido crítico, pela esquerda, da experiência chilena. Depois comprei a trilogia do Patrício Guzman, “A Batalha do Chile”, um espetáculo que também assisti diversas vezes.

Sinto-me, pois, à vontade para declarar que sinto um enorme carinho pela figura do Salvador Allende.

No entanto, é honesto reconhecer que Allende, e as forças da Unidade Popular, fizeram muito do que dizem que Lula não fez. E que, por outro lado, Lula conseguiu resultados econômicos e sociais para a parte mais pobre da população que Allende não conseguiu (Isso não importa ? Separarei um trecho mais abaixo só para essa discussão, por ora voltemos ao processo político).

Até na comunicação,lá eles tinham rádios e TVs da Unidade Popular. A mobilização de rua era constante. A mobilização nos bairros fabris impressionante, com os cordões industriais. Os bairros populares, com suas juntas de abastecimento e preço dificilmente deixaria um esquerdista frustrado quanto à mobilização e politização do povo (modo de falar,né? claro que tinha uns grupos mais à extrema esquerda que criticavam pra caramba. Mas isso não tem jeito. O Ego , o sectarismo, o narcisismo das pequenas diferenças são velhos conhecidos, não?)

E, no entanto, apesar de uma primeira vitória contra uma tentativa de golpe, com mobilização popular, e apesar do heroísmo de Allende e assessores na 2.a tentativa de golpe, já com muito pouca mobilização popular, dada a rapidez da movimentação militar (liderada por quem ? Por um indicado do Allende, Augusto Pinochet ! Então, – observo, não resisto – tantos que são tão críticos e até satíricos quanto às indicações governamentais do Lula e são tão silentes à desastrosa indicação, como chefe do Estado Maior das Forças Armadas, do General Pinochet , como apenas mais uma dessas irônicas demonstrações que as narrativas “científicas” incorrem.)

Li e ouvi muitos dizerem que ao menos no Chile houve luta e , portanto, a classe operária chilena e a esquerda chilena não saíram desmoralizadas, Derrotadas, mas não desmoralizadas.

Sinto engulho. Vejo o revolucionário profissional elucubrando passagens memoráveis com o heroísmo de um massacre, com milhares (trinta ?) de mortos, incluindo na paisagem corpos passando pelos rios da cidade sob os olhares assustados dos trabalhadores e da classe média progressista e sob o júbilo dos fascistas e dos abastados.

E leio Alexander Herzen, socialista russo do século XIX (não autoritário, não pré bolchevique, não pré leninista, não pré stalinista) como que respondendo ” Quem é esse Moloch que, quando os trabalhadores se aproximam, ao invés de recompensá-los retrocede e, como consolo para as multidões exaustas e condenadas, gritando ‘morituri te salutant’, só pode dar […] escarninha resposta de que, depois de morrerem tudo será lindo na terra […]” Você realmente quer condenar os seres humanos hoje vivos ao triste papel de cariátides que sustentam o chão para que algum dia os outros dancem em cima […] ou de desgraçados escravos das galés que, com a lama até os joelhos, arrastam uma barcaça […] com as humildes palavras “progresso no futuro” em sua bandeira ? […] uma meta que está infinitamente distante não é uma meta, apenas uma ilusão, uma meta deve ser mais próxima – no mínimo, o salário do trabalhador ou o prazer do trabalho feito. Cada época, cada geração, cada vida teve e tem sua própria plenitude, e ‘en route’ surgem novas exigências, novas experiências, novos métodos [….] O fim de cada geração é ela mesma. Não só a natureza nunca faz de uma geração o meio para a realização de alguma meta futura, como tampouco se importa minimamente com o futuro: como Cleópatra, está pronta para dissolver a pérola no vinho pelo prazer do momento [….] Se a história seguisse um programa estabelecido, perderia todo o interesse, se tornaria desnecessária, tediosa, ridícula [….] Apuros acontecem, sagrada insatisfação, o fogo da vida, e o interminável desafio aos combatentes, para provar sua força, para ir onde querem, onde há um caminho, e onde não há, o gênio fará irromper uma trilha.”

Então, não sabemos ainda qual será a dimensão da tragédia brasileira. Espero que saibamos evitar / derrotar o massacre. Porém, confesso, prefiro essa derrota ainda não sangrenta e também ainda não autoritária da nossa parte (nisso, como Allende, não criamos Gulags, partidos únicos, censura e coisas assim, e isso não nos desmoraliza ) do que assistir à derrota sangrenta que desmoralizou sim a classe operária chilena, basta assistir com atenção aos filmes do Guzman e ao seu depoimento sobre a própria depressão.

“Não procurem soluções nesse livro pois elas não existem. Em geral o homem moderno não tem soluções”
Alexander Herzen, Introdução a Da Outra Margem.

“Não procurem soluções nesse modesto post pois elas não existem. Em geral o homem moderno desenvolve soluções tecnológicas que erguem e destroem coisas belas (infelizmente destruir é, normalmente, mais fácil) ”

Uma das desgraças do anti petismo de esquerda é que eu me sinto quase que obrigado a explicar que estive no governo Lula, com Ana Fonseca.André Teixeira , Guto Pires , com muito orgulho , implantando o bolsa família,com muita luta política, nas bases, no nordeste, na lida pauleira com o Ali Kamel de O Globo, e que de lá saí acompanhando Ana por uma divergência política (e não por uma disputa de carguinho! Como ousam, esses esquerdistas de salão ! ).

Depois, em 2011, 2.º governo Dilma, voltamos para “implantar” o programa Brasil Sem Miséria. Aí me assustei com o que me pareceu um governo burocrático de uma gente que já tinha sido de esquerda, Fiquei, solidário com Ana até janeiro de 2012, mas insistindo que deveríamos sair o mais rápido possível pela incompatibilidade política. Saímos, mas não saímos atirando. Divergíamos mas sabíamos que não eram eles, os do governo, os nossos inimigos. Que os nossos inimigos vinham de longe, mostraram a cara e se organizaram sob a batuta da Globo e, a participação de setores da ultra esquerda que curtiam páginas como Revoltados On Line, Partido Anti PT e a fascistoide Ursinhos Bolivarianos, em 2013.

É uma merda ter que explicar isso. Mas é o que o anti petismo vulgar de ex petistas muito chatos como Giuseppe Cocco e Idelber Avelar, que se tornaram anti petistas mais chatos ainda, impõem, com suas ousadas previsões e apostas furadas, cheias de ódio, mentiras, raiva e provocações baratas (bem, deixarei isso pra lá, por ora, assunto para um post específico, já que Fevereiro não tem esses péssimos hábitos e caráter)

Mas, de qualquer forma, sinto-me impelido a dar tais explicações para dizer que pode ser que o PT tenha que ser superado mesmo. Mas talvez não. Talvez, tenha que ser preservado, ao lado de novas alternativas e experiências, pela memória do que conseguiu, pelos bravos militantes que ainda tem. E , quando menos, pelo cerco que sofre , desde fora e desde dentro do país, com Lula preso político. Paulo Arantes, por exemplo, nosso velho militante mais à esquerda, de origem trotskista, neste último aspecto, tenho certeza, não arreda pé. Nem preciso consultar. Sei que está do mesmo lado da cerca. É uma questão de caráter, pode até deixar escapar uma ironia, críticas mais ácidas e tal. Não importa:  logo sinaliza: “Eis o alambrado. Não o costearei”

O melhor resumo que posso fazer, creio, é clamar contra o sectarismo. O Ciro quer se distanciar do PT. Ok Deixa ele, Não vamos brigar por isso. Vamos brigar para enfrentarmos juntos, se possível, as lutas reais sobre previdência, saúde, educação, salários, etc.

Não há problema que haja diversas iniciativas. É mesmo inevitável. No mínimo, por sermos uma espécie egoica.

Saibamos conviver com isso. Sem abaixar a cabeça mas sem alimentar o narcisismo das pequenas diferenças.

Lembrei, em má hora, ao final de um post, fica como um rabo perdido, de um último exemplo. O Simpaticíssimo Milton Temer do PSOL (que já foi um anti brizolista chato ) volta e meia se mostra entusiasmado com o surgimento do Jeremy Corbyn, de dentro do ultra reformista Partido Trabalhista Inglês e ainda assim parece não ser capaz de dialogar com o PT (neo PT, como ele faz questão de chamar) como se o velho Partido Trabalhista Inglês não tivesse uma história bem mais à direita e complicada, Tony Blair e suas “invasões bárbaras”.

Para encerrar, podem pegar todos os dados estatísticos. Lula fez muito mais pelos pobres do Brasil e pela inserção do país no debate internacional do que Allende no Chile (não escondamos : No Chile houve inflação galopante, desemprego, desabastecimento grave, filas. Por outro lado mais reforma agrária, com limites impostos pela justiça chilena e mais politização) e do que o Syriza na Grécia, tão saudado pelo nosso Milton Temer quando da sua vitória eleitoral. Muito mais. Já ali, junto com a Inês Patrício, apostava que se conseguissem 40%  do que Lula conseguiu aqui, para o povo grego, já seria muito.

Lula Livre.

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Sinto que nós, eu e você, vivemos, intensos, a chegada da morte, por amor à vida

 

3 de novembro de 2018

Para nunca esquecer como foi, trago Chico:

4 de novembro de 2018

só de ouvir o vento passar

6 de novembro de 2018

Amor bastante

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

( Paulo Leminski )

7 de novembro de 2018

Eu não te falei ? Esses canalhas não suportam poesia.

“Os moradores da Ilha de Paquetá, na baía de Guanabara, foram surpreendidos na manhã desta quinta-feira (1) por uma decisão do atual administrador do bairro, o militar da reserva da Força Aérea Brasileira, Edson Moreira Brígido: a retirada de placas com poesias.” JB 1/11/2018

Olha a cara do gajo:

Enquanto isso, sigamos (façamos) com um pequeno trecho de Saudação a WALT WHITMAN (Àlvaro de Campos – Fernando Pessoa)

“E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,

De mãos dadas, Walt [Maísa], de mãos dadas, dançando o universo na alma.”

8 de novembro de 2018

Maísa, ainda que falte o ar
para bem alto expressar
que possa aqui consignar,
Para ti (e Paque tá)
um trecho da prece de Pessoa
que me veio silente e ainda ressoa

“Dá-me alma para te servir e alma para te amar.
Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar,
e mãos para trabalhar em teu nome.’

9 de novembro de 2018

 

Maisinha querida, juro que não queria trazer a esse nosso recanto poético nem a ira nem a bacante fria.
Queria os ventos, os olhares, o ar,o mar, o universo da alma, o fazedor do amanhecer, o estágio de ser árvore,
outras bandeiras, Quitanas, Moraes, Miltons e tantos mais.

Porém, perdoe-me. Ao ver tanta infâmia e covardia, não resisti:

“Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! …

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!..”

Trecho de Navio Negreiro, Castro Alves

Maísa Tude Objeto
de meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois

SEJA

Paulo Leminski

10 de novembro de 2018

Maisinha querida,

Ando a quebrar regras, você bem sabe embora não saibamos muito bem porquê. Hipóxia ? aproximação da liberdade absoluta ?
Vai saber, eu deixo para lá, por desimportante ser compreender.

Porém há alguma lógica nesta quebra da regra. Aqui, o Agualusa, numa prosa poética (?) ,
refere-se à imagem que abre este post. Está lá embaixo, trago-a para cá:

“E agora?” — pergunta um jovem, numa charge que corre nas redes sociais. 
— “Agora vamos fazer poesia.” —Responde a mulher: “Eles odeiam poesia.” 

Depois, ele , o Agualusa, relembra :

“Uma ocasião encontrei minha filha do meio estendida no assoalho da sala com duas amigas.
“O que estão a fazer?” —Perguntei. “Sonhamos.” —Respondeu-me a menina. 
— “Sonhamos juntas.”
Pedi licença e juntei-me a elas.”

E aí, lembrei que mesmo quando os pesadelos vêm, nos damos as mãos sonhamos juntos, e cuidamos das flores no meio da batalha.

Pronto.  Veja se não valeu a pena quebrar a regra e invadir o espaço com uma prosa:

A noite dos jardineiros – José Eduardo Agualusa

Há muitos anos, quando ainda trabalhava como jornalista, visitei uma pequena localidade chamada Andulo, no sul de Angola, ocupada pela guerrilha. A cidade onde nasci, Huambo, não fica muito distante. Alguns dos guerrilheiros haviam sido alunos da minha mãe. Outros conheciam os meus primos. Queriam saber como era a vida em Luanda, onde eu vivia. Estavam interessados sobretudo em conhecer os últimos sucessos musicais. Eu queria saber como estava o Huambo, após ter sido cruelmente bombardeado durante 55 dias pela aviação governamental. No meio da conversa, alguém mencionou o caso de um jardineiro que todos os dias, durante o período em que decorreram os bombardeamentos, saía de casa para trabalhar na Estufa Fria, jardim botânico que era, desde a época colonial, um dos locais emblemáticos da cidade. Pareceu-me que poderia dar uma matéria interessante e perguntei se seria possível falar com o homem. Dois dias depois trouxeram à minha presença um sujeito magro, tímido, com óculos de lentes grossas, que parecia muito frágil frente à bruta escuridão daqueles dias. Cumprimentei-o. Quis saber por que arriscara a vida para ir trabalhar, enquanto as outras pessoas se escondiam em bunkers improvisados, debaixo dos escombros das casas onde antes tinham vivido. Olhou-me espantado, como se a minha pergunta não fizesse sentido algum: “Não havia mais ninguém para tratar das flores.” —disse-me. —“Se eu não fosse trabalhar, as plantas todas teriam morrido.” Não sei o que aconteceu ao jardineiro, mas lembro-me dele sempre que os dias escurecem. Quase todos os grandes heróis que conheci eram pessoas comuns. Os monstros também. Pessoas comuns tendem a revelar sua verdadeira alma — heróica ou monstruosa — naqueles momentos em que o Estado se distrai, colapsa ou assume um perfil totalitário.
Ao longo dos anos que durou a ditadura angolana compreendi também que o que segura a civilização, enquanto a noite se expande, são os gestos simples de heróis comuns: aquele jardineiro arriscando a vida para regar as rosas; o sujeito que avança um passo e diz, “sou eu”, quando a polícia política entra no escritório onde trabalha, perguntando não por ele, mas por um amigo dele; a secretária que recusa os avanços do ministro; o soldado que se nega a torturar o prisioneiro; o radialista que insiste em difundir a canção proibida; o jovem estudante que permanece em silêncio e de braços cruzados, enquanto os colegas saúdam o ditador.
A coragem é muitas vezes invisível. Contudo, é a soma desses pequenos atos de bravura que assegura a sobrevivência da dignidade de todo um povo — ainda que a maioria jamais se manifeste.
“E agora?” — pergunta um jovem, numa charge que corre nas redes sociais.
— “Agora vamos fazer poesia.” —Responde a mulher: “Eles odeiam poesia.”
Gosto de pensar que sim, que ditadores e tiranófilos odeiam poesia. Ou melhor: que receiam a poesia, tanto quanto o sonho ou o humor. Porque a poesia, como o sonho ou o humor, é transgressora, irreverente e indomável.
Uma ocasião encontrei minha filha do meio estendida no assoalho da sala com duas amigas.
“O que estão a fazer?” —Perguntei. “Sonhamos.” —Respondeu-me a menina.
— “Sonhamos juntas.”
Pedi licença e juntei-me a elas.
Ao longo dos anos que durou a ditadura angolana compreendi que o que segura a civilização são os gestos simples de heróis comuns.
(O Globo, 3 nov. 20)

11 de novembro de 2018

Maísa, querida:
Plagiei “A Viagem” da Ana Maria Marques, uma das poetas do seu novo livro:

“RUA ARIBAU” coletânea de poemas

A VIAGEM

“Que coisa devo levar
nesta viagem em que parto?
Cartas de navegação ? Servem mais
a quem fica.

Com que mapa desvendar
um continente
que falta?

Já, já, deportado do teu corpo
tão comum desde tanto,
desde uma vida,
quantas línguas aprender
para calar-me?

Também quem fica
procura
um oriente
Também a quem fica
cabe uma paisagem nova
e a travessia insone do desconhecido
e a alegria difícil da descoberta.

O que levo do que fica,
O que, do que levo, retiro?”

Claudio plagiando, com todo respeito, Ana Maria Marques que nasceu em Belo Horizonte.
Em 2009 estreou na poesia, com o livro ” A vida submarina, publicado pela Editora Scriptum e, desde então,
publicou “Da arte das Armadilhas” (Companhia das Letras, 2011), que obteve o prêmio da Biblioteca Nacional,
e “O Livro das Semelhanças (Companhia das Letras, 2015), um dos vencedores do Prêmio Oceanos.

11 de novembro de 2018

Veja, querida Maisinha, as coincidências do amor:
Após uma noite de febres e fantasmas acordei, sem inspiração, e me deparei com uma poesia (prosa poética ?)
do filho do nosso amigo, Guto Pires , o Lucas Pires , que fala sobre poetas e fantasmas, nesses tempos esquisitos
que vão escorrendo pelas minhas já trêmulas mãos, e achei que era uma espécie de codinome beija-flor,

12 de novembro de 2018

Maisinha querida,
Sigo acossado pelas coincidências e dissidências. Rio de Janeiro, 1954 eu nascia e o Vinícius de Moraes alertava para o amor fratricida dos homens que matam a morte por medo da vida enquanto sinto que nós, eu e você, vivemos intensos a chegada da morte por amor à vida. Beijos

A MORTE

Rio de Janeiro , 1954

“A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.”

16 de novembro de 2018

O cerco de Leminsky (para Maísa)

Ar
Mar

No arpoador
olhando o mar
o mar
não parou
pra ser olhado
foi mar
pra tudo quanto é lado

fisguei uma dor
sonhei uma cor
La vie en close

minha alma breve breve
o elemento mais leve
na tabela de mendeleiev

 

19 de novembro de 2018

Maisinha querida,

Ontem notei umas lágrimas querendo brotar nos seus belos olhos. Era a propaganda dos Médicos Sem Fronteiras , que passava enquanto esperávamos o capitulo da distopia “Contos de Aia” (Handmaide’s tale”). Uma distopia que parece tão próxima do Brasil .

No capítulo de ontem, o jovem casal que será condenado com base na “lei,”do antigo testamento, Exodus, 20,14 .

E é com poesia, do Novo Testamento, Coríntios 13:4-7 , que o jovem casal mantém o amor e enfrenta o ódio.

A tradução é original , da série. Fica como a nossa poesia do dia , com muitos beijos nos seus olhos, no seu corpo:

“O amor é paciente
o amor é bondoso
Não inveja,
Não se vangloria.
Não é desonroso,
Ou egoísta.”

Coríntios 13:4-7

 

 

23 de novembro de 2018

Maisinha querida, obedeci.

“Num conto que nunca cheguei a publicar acontece o seguinte: uma mulher, em fase terminal da doença, pede ao marido que lhe conte uma história para apaziguar as insuportáveis dores. Mal ele inicia a narração, ela o faz parar:
_ Não, assim não. Eu quero que me fale numa língua desconhecida.
_ Desconhecida ? _ pergunta ele.
_Uma língua que não exista. Que eu preciso tanto de não compreender nada !

Mia Couto , Línguas que não sabemos que sabíamos, em “E se Obama fosse Africano ? ”

04 de dezembro de 2018

Minha querida Maisinha, o céu na cabaça molhada: e beijo-a

 

A codeína veio,
Veio a mescalina,
Não veio a cocaína,
O Cloridrato é geral.
O verapamil tem estilo,
Losartana é arroz de festa
A Potássica parece fuderosa
Eu suo e deliro, você me seca e me
me ?
Seco ,saio do borbulhar e há ar, há ar, há ar, há ar
Você me salvou de novo e de novo leio o Paul Ludwig,
não sei se faz qualquer sentido, já sabemos que tudo é e será
evanescente , fora, claro, o motorista e o cobrador, tudo é passageiro,
tudo é sofrimento, no nascimento o grito por ar , por ar, o ar , faz pulmão funcionar,
e, ainda assim tudo deve se suportavel, mesmo quando não suporto o posto do torturador
devo ver a água do rio a passar, seguindo seu curso e devo ser também um procurante mas
e se a codeína faltar, se a mescalina encalhar, se o cloridrato sumir e o verapamil morrer
vou procurar o quê? a losartana, fuderosa , potássica ? Sem delíro ou com delírio?
Para que você voltará a me secar ,me salvar a e apenas vislumbrar amares ?
E entra no recinto o que jovem morreu, Paul Ludwig Landsberg
“Se o homem é o único ser vivo que sabe que vai morrer
convém lembrar que os animais também têm algum
pressentimento da morte, quando os ameaça
não é propriamente um saber, dizem
o vínculo nascimento e morte
morte do eu é precisa
para a espécie e
a da espécie
precisa
para a
vida.

Assim falou o que morreu jofem, Paul Ludwig Landsberg:
“Se o homem é o único ser vivo que sabe que vai morrer, convém lembrar que os animais também têm algum pressentimento da morte, quando ela os ameaça com a presença imediata. Deitam-se à espera da morte, atitude calma e digna que misantropos preferiram à de muitos homens. Mas esse tipo de pressentimento, essa percepção do imediato, não é propriamente um saber. Mesmo que pudesse se transformar em um saber correspondente, ainda não seria um saber da necessidade da morte. O animal não saberia, por exemplo, que a morte do indivíduo pertence à essência da vida e da espécie. A compreensão do vínculo entre nascimento e morte, da necessidade biológica de o indivíduo desaparecer em favor da espécie e da espécie desaparecer em favor da realização da vida em formas sempre novas, essa compreensão, sem dúvida, está reservada apenas ao homem.”

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Brás Cubas não foi às urnas em 2018

Não estava com meu exemplar de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” aqui, ficou lá pelo abandono de Araruama. Fui votar com a velha carteira de trabalho azul e com o excelente livro “Patrimônio”, do Philip Roth.

Lembro que há um capítulo no livro do Machado que é todo ele um sonho do Brás Cubas atravessando os séculos: Guerras, caças às Bruxas, Inquisições, Torturas, traições, e mais uma penca de horrores que nós os humanos somos capazes.

Ver uma parte majoritária da nação brasileira ser capaz de apoiar o que apoiou neste fatídico 28/10 não pode ser motivo de surpresa. Mais um capítulo.


Ver os fascistas incapazes de entoar músicas bacanas, elaborar versos inspiradores, para almas sensíveis, elaborarem danças belas, fazerem rodas mágicas e dançarem com a felicidade; vê-los apenas capazes de buzinar, soltar fogos de guerra, urrar, provocar, também não constitui surpresa.

A surpresa será o lado de cá vencer o sectarismo e manter juntas as mãos que se reencontraram para o combate à calúnia, ao tsunami das fake news, às arbitrariedades da casta judicial, dos meganhas, dos dedo duros e dos ratos dos porões da ditadura,

Que venha uma bela surpresa. Surpresa será.

 

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Plebiscito sobre Renda Básica Incondicional na Suíça

O PLEBISCITO SOBRE RENDA BÁSICA INCONDICIONAL NA SUÍÇA

Renda básica

O que você faria se tivesse renda garantida? Faixa recorde em tamanho na campanha pelo SIM


A proposta era ousada: 2.500 Francos Suíços (US$2.550, R$ 9.000) para os adultos e cerca de $625 (R$ 2.200) para as crianças, por mês. Era o que estava na cédula do referendo para incluir a renda básica incondicional (RBI) na Constituição Suíça, em acréscimo à rede de proteção social existente.

Quatro vezes por ano o povo suíço, os que possuem passaporte suíço, decidem sobre 5 assuntos de interesse nacional, cada um destes precisando do apoio assinado de no mínimo 100.000 eleitores.
A iniciativa de colocar a proposta da Renda Básica num dos plebiscitos deste ano, o de 5 de junho, não veio de um partido ou organização. Foi feita pelo cineasta e agitador cultural Daniel Hani e pelo escritor e artista Enno Schmidt, alcançou mais de 120 mil assinaturas de apoio e foi o item mais discutido, ganhando repercussão internacional.

Porque a Suíça ?

A Suíça é conservadora, não está em crise econômica, ao contrário dos seus vizinhos europeus, é forte e tradicional a moral zwingliano/calvinista em relação ao trabalho. Não estaria, pois, em melhores condições do que qualquer outro país para adotar a renda básica. Foi graças à possibilidade que a democracia direta abre que se conseguiu um amplo debate sobre o tema.

FOTO: STEFAN BOHRER; ORT: BERN 04.10.2013: AKTION AUF DEM BUNDESPLATZ IN BERN.

Criatividade na campanha:Entrega das assinaturas acompanhadas de 8 milhões de moedas de 5 centavos

A mídia inicialmente ignorou a iniciativa; Depois, muito por causa da criatividade da campanha pelo SIM, passou a zombar e, por fim, travou algum debate embora sempre enviesado para o NÃO. O parlamento e o conselho de ministros recomendaram o voto NÃO. Nenhum partido apoiou o SIM embora em todos tenha havido militantes interessados e apoiadores do SIM.

Nem o mais otimista dos apoiadores da proposta esperava vitória, qualquer coisa acima de 20% seria, e foi, motivo de comemoração.

Renda basica 23

comemorando o resultado


Na esteira dessas discussões, o ex ministro grego
Yanis Varoufakis, cuja relevância no debate econômico é notória, se associou à ideia marcando-a como necessária para o futuro do trabalho.

Mais importante ainda, foram revelações trazidas por várias pesquisas de opinião que tentaram destrinchar a percepção sobre a proposta de uma RBI. Numa delas, algo bastante pitoresco: 90% das pessoas responderam que continuariam a trabalhar apesar da RBI e 80% julgam que os demais não vão fazer nada por causa da RBI. Uma desconfiança e tanto nos outros. Apenas 2% disseram que não fariam nada se recebessem RBI. Talvez esses sejam algo parecido com Diógenes o filósofo que passava todo o seu dia num barril e, ao fim e ao cabo, trouxe sua contribuição à humanidade. Ou sejam zumbis frustrados a realizar trabalhos sujos, prejudiciais e que melhor fariam nada fazendo.

Outras pesquisas revelaram que :
69% de todos os eleitores acreditam que votarão em outro referendo sobre renda básica no futuro.
83% dos que votaram SIM acreditam que haverá outro referendo.
63% dos que votaram NÃO acreditam que haverá outro referendo.
72% acreditam que muitos tipos tradicionais de trabalho se tornarão redundantes e que a renda básica é necessária para atingir novos modelos de estilo de vida. O argumento mais forte para a renda básica, na Suiça, é a natureza mutável do trabalho devido ao avanço das tecnologias e que novos modelos de estilo de vida são, por conseguinte, necessário.
Dos eleitores jovens (18-29 anos de idade) 41% imaginam que a renda básica será introduzida nos próximos anos. 78% acham que as questões relativas à RBI têm que ser discutidas e que ela é um caso a ser estudado.
Oito em cada dez eleitores com menos de 39 consideram este primeiro voto como apenas o começo.

49% vêem a renda básica como valorizando e incentivando o trabalho doméstico e voluntário não remunerado.
Metade da Suíça aceita a renda básica como uma forma de reconhecer, finalmente, todo o trabalho não remunerado e não reconhecido que está acontecendo fora do emprego.
Dois terços de todos os eleitores acreditam que a renda básica será introduzido dentro das próximas duas décadas.
70% dos eleitores do NÃO acreditam que a renda básica será introduzido dentro de 25 anos.
44% da eleitores do SIM acreditam que renda básica será apresentada no prazo de 15 anos.
77% dos suíços querem testar RBI em municípios locais versus 14% que preferem que seja testado em outros lugares.

Fontes: http://www.pressenza.com/es/2016/06/referendum-en-suiza-la-renta-basica-requiere-de-un-cambio-de-paradigma/

Ver no Medium.com

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Silêncio ofensivo

cachos-de-uva

Há um silêncio na campanha presidencial dos EUA sobre a ofensiva do império que aterroriza, ou deveria aterrorizar, os que observam a política

A candidata do Partido Verde, Jill Stein, destoa e, por isso mesmo, não aparece na mídia nem estará nas pesquisas eleitorais e nas cédulas da maioria das cidades nas eleições de 8 de novembro deste ano, 2016.

Em 1968 as ações da contrarrevolução foram ousadas, precedendo a formulação teórica da ofensiva neoliberal. Martin Luther King e Robert Kennedy foram assassinados. A convenção do partido democrático, com muitos delegados de esquerda, foi fraudada sob o manto de uma violência, então inaudita nesses ambientes, da polícia de Chicago que salivava ódio e veio com sangue nos olhos.

John Pilger, jornalista e cineasta australiano, radicado na Inglaterra em visita aos EUA foi filmar no Lincolm Memorial, em Washington. Presenciou o guia proclamando para crianças e adolescentes: “Perdemos 58.000 jovens soldados no Vietnã, e eles morreram defendendo sua liberdade. Nunca esqueçam isso.”

O guia inverteu a verdade sobre o Vietnã com uma mentira sem contestação, de um modo automático, sem malícia, como se fosse uma verdade incontrastável.

Os milhões de vietnamitas que morreram e foram mutilados e envenenados e despossuídos pela invasão norte-americana não têm lugar histórico nas mentes jovens, para não mencionar os cerca de 60.000 veteranos que se suicidaram.

É assim que funciona também na exposição popular chamada “The Price of Freedom” no venerável Smithsonian Institution, em Washington. As filas de pessoas comuns, na sua maioria crianças, são brindadas com uma variedade de mentiras: o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki salvou “um milhão de vidas”; Iraque foi libertado por ataques aéreos de precisão sem precedentes”. O tom é infalivelmente heroico: somente os americanos pagam o preço da liberdade.

A campanha eleitoral 2016 é notável não só pelo surgimento de Donald Trump e Bernie Sanders, mas também pela resiliência de um silêncio duradouro sobre uma divindade autoconcedida assassina. Um terço dos membros das Nações Unidas já sentiram a bota de Washington, seja derrubando governos, subvertendo a democracia, seja pela imposição de bloqueios e boicotes. A maioria dos presidentes responsáveis foram liberais – Truman, Kennedy, Johnson, Carter, Clinton, Obama.

O registro da perfídia, de tirar o fôlego, é tão alterado na mente do público, escreveu o falecido Harold Pinter, que “nunca aconteceu … Nada jamais aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer isso não estava acontecendo. Não importava. Foi sem interesse. Não importava … “. Pinter expressa uma admiração zombeteira para o que ele chamou de “uma manipulação bastante clínica do poder em todo o mundo, enquanto que aparece como uma força para o bem universal. É ato de hipnose brilhante, até espirituoso , e altamente bem sucedido. “

Pegue Obama. Enquanto se prepara para deixar o cargo, a bajulação começou de novo. “Ele é legal”. Um dos presidentes mais violentos, Obama restabeleceu pleno poder aos aparelhos de fazer guerra do Pentágono de seu desacreditado predecessor. Ele processou mais denunciantes – na verdade reveladores da verdade – do que qualquer presidente. Ele proclamou Chelsea Manning culpado antes deste ser julgado. Hoje Obama dirige uma campanha mundial sem precedentes de terrorismo e assassinato por drones.

Em 2009 Obama prometeu ajudar a “livrar o mundo de armas nucleares” e foi premiado com o Nobel da Paz. Nenhum presidente americano construiu mais ogivas nucleares do que Obama. Ele está “modernizando” o arsenal do fim do mundo da América, incluindo uma novo “mini” arma nuclear, cujo tamanho e tecnologia “inteligente”, diz um general de ponta, permite que o seu uso “não seja mais impensável”.

James Bradley, o autor best-seller de Bandeiras dos Nossos Pais e filho de um dos fuzileiros navais americanos que levantaram a bandeira em Iwo Jima, disse: “[Um] grande mito que estamos vendo esvair é o de Obama como uma espécie de cara tranquilo que está tentando se livrar das armas nucleares. Ele é o maior guerreiro nuclear que existe. Ele nos compromete a um curso ruinoso de gastar um trilhão de dólares em mais armas nucleares. De alguma forma, as pessoas vivem nesta fantasia porque ele dá coletivas de imprensa e discursos vagos e fotos promocionais bacaninhas como se de alguma forma isso estivesse conectado à política real. Não está. ”

No relógio de Obama, uma segunda guerra fria está em curso. O presidente russo é um vilão caricato; os chineses ainda não estão de volta à sua caricatura sinistra -, quando todos os chineses foram banidos dos Estados Unidos – mas os guerreiros de mídia estão trabalhando nisso.

Nem Hillary Clinton nem Bernie Sanders mencionam nada disso. Não há nenhum risco e não há perigo para os Estados Unidos e para todos nós. Para eles, o maior reforço militar nas fronteiras da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial não aconteceu. Em 11 de maio, a Roménia ficou “viva” com uma base da Otan “de mísseis de defesa” que mira seus mísseis americanos de primeiro ataque no coração da Rússia, segunda potência nuclear do mundo.

Na Ásia, o Pentágono está enviando navios, aviões e forças especiais para as Filipinas numa clara ameaça à China. Os EUA já circundam a China, com centenas de bases militares que se curvam em um arco desde a Austrália até a Ásia passando por todo o Afeganistão. Obama chama isso de “pivot”.

Como consequência direta, China supostamente mudou sua política de armas nucleares a partir do “não primeiro uso” para o alerta máximo e colocou submarinos no mar com armas nucleares. A escada rolante está se acelerando.

Foi Hillary Clinton quem, como secretária de Estado, em 2010, elevou as disputas territoriais sobre rochas e recifes no Mar da China do Sul para uma questão internacional; histeria da CNN e BBC se seguiu; China estava construindo pistas sobre as ilhas em disputa. No seu jogo de guerra de mamute em 2015, a Operação Talisman Sabre, os EUA e a Austrália praticaram “asfixia” do Estreito de Malaca por onde passa a maior parte do petróleo e do comércio da China. Isso não foi notícia.

Clinton declarou que os Estados Unidos tinham um “interesse nacional” nestas águas asiáticas. Filipinas e Vietnã foram incentivados e subornados para apresentar as suas queixas e velhas inimizades contra a China. Nos Estados Unidos, as pessoas estão sendo preparados para ver qualquer posição defensiva chinesa como ofensiva, e assim o terreno é preparado para rápida escalada. Uma estratégia similar de provocação e propaganda é aplicada à Rússia.

Clinton, a “candidata das mulheres”, deixa um rastro de golpes de Estado sangrentos: em Honduras, na Líbia (mais o assassinato do presidente da Líbia) e na Ucrânia. Esta última é agora um parque de diversões da CIA repleta de nazistas e a linha de frente de uma guerra acenando para a Rússia. Foi através da Ucrânia – literalmente fronteira – que os nazistas de Hitler invadiram a União Soviética, que perdeu 27 milhões de pessoas. Esta catástrofe épica continua a ser uma presença na Rússia. A campanha presidencial de Clinton recebeu dinheiro de todos, exceto uma, das dez maiores empresas de armas do mundo. Nenhum outro candidato chega perto.

Sanders, a esperança de muitos jovens americanos, não é muito diferente de Clinton em sua opinião de proprietário do mundo para além dos Estados Unidos. Ele apoiou o bombardeio ilegal de Bill Clinton da Sérvia. Ele apoia o terrorismo de Obama pelos drones, a provocação da Rússia e o regresso das forças especiais (esquadrões da morte) para o Iraque. Ele não tem nada a dizer sobre o trambor de ameaças à China e o risco acelerado de guerra nuclear. Ele concorda que Edward Snowden deve ser julgado e ele chama Hugo Chávez – como ele, um social-democrata – “um ditador comunista morto”. Ele promete apoiar Clinton se ela for nomeada.

A eleição de Trump ou Clinton é a velha ilusão de escolha onde não há escolha: duas faces da mesma moeda. Ao culpar minorias e prometer “fazer América grande de novo”, Trump é uma medida populista de direita doméstica; No entanto, o perigo de Clinton pode ser mais letal para o mundo.

“Só Donald Trump disse algo significativo e crítico da política externa dos EUA”, escreveu Stephen Cohen, professor emérito de História da Rússia em Princeton e na NYU, e um dos poucos especialistas sobre Rússia nos Estados Unidos que fala sobre o risco de guerra.

Em uma transmissão de rádio, Cohen referiu as questões críticas que só Trump levantou. Entre elas: porque é que os Estados Unidos estão “em todos os lugares do globo”? Qual é a verdadeira missão da OTAN? Por que os EUA sempre buscam uma mudança de regime no Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia? Por que Washington trata a Rússia e Vladimir Putin como um inimigo?

A histeria na mídia liberal sobre Trump serve como uma ilusão de “debate livre e aberto” e “democracia em ação”. Seus pontos de vista sobre os imigrantes e os muçulmanos são grotescos, mas o deportador-em-chefe das pessoas vulneráveis da América não é Trump, mas Obama, cuja traição ás pessoas de cor é o seu legado: como o encarceramento de uma população prisional, em sua maioria negros, agora mais numerosa do que o gulag de Estaline.

Esta campanha presidencial pode não ser sobre populismo mas sobre o liberalismo americano, uma ideologia que se vê como moderna e, portanto, superior e o único caminho verdadeiro. Setores de direita deles têm uma semelhança com imperialistas cristãos do século 19, com um dever dado por Deus para converter ou cooptar ou conquistar.

Na Grã-Bretanha, este é o blairismo. O cristão criminoso de guerra Tony Blair avançou com sua preparação secreta para a invasão do Iraque, em grande parte porque a mídia e a classe política liberal apaixonou-se por sua “Britannia cool”. No Guardian o aplauso era ensurdecedor; ele foi chamado de “mito”. Uma distração conhecida como política de identidade, importado dos Estados Unidos, restou facilmente sob seus cuidados.

A história foi declarada encerrada, classes abolidas e gênero promovido como feminismo; muitas mulheres se tornaram novas deputadas pelo Trabalhismo. Eles votaram no primeiro dia do Parlamento para cortar os benefícios de famílias monoparentais, na sua maioria mulheres, conforme instruídas. A maioria votou por uma invasão que produziu 700.000 viúvas iraquianas.

O equivalente nos EUA são os fomentadores da guerra politicamente corretos no New York Times, no Washington Post e nas redes de TV que dominam o debate político. Eu assisti a um debate furioso na CNN sobre infidelidades de Trump. Ficou claro, eles disseram, que não se pode confiar num homem como esse na Casa Branca. Não foram levantadas questões. Nada sobre o 80 por cento dos norte-americanos cuja renda entrou em colapso para os níveis de 1970. Nada sobre a deriva para a guerra. A sabedoria recebida parece ser “tampe o nariz” e vote em Clinton: qualquer um , menos Trump. Dessa forma, você detêm o monstro e preserva um sistema que silencia para outra guerra.

Texto baseado no artigo de John Pilger:
http://johnpilger.com/articles/silencing-america-as-it-prepares-for-war

Texto baseado no artigo de John Pilger

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Publicado em Política

Croácia rumo ao fascismo

Tornar a Croácia grande novamente: como o fascismo surgiu no Estado mais jovem da União Européia
Sao Marco Zagreb

Nas entranhas croatas, o declínio econômico juntou-se aos receios sobre a migração do Oriente Médio.

Em 14 de maio, milhares de croatas se reuniram num campo no sul da Áustria para acompanhar uma missa católica realizada para homenagear os soldados fascistas mortos no final da Segunda Guerra Mundial. Bandeiras negras ondulavam na brisa, tendo a saudação “Pela pátria, pronto!” associado ao regime Ustashe – um estado fantoche nazista que enviou dezenas de milhares de judeus, ciganos e sérvios a serem executadas nos campos de extermínio.

Entre os VIPs na primeira fila da cerimônia sentou-se Branimir Glavaš, um criminoso de guerra condenado desde o conflito dos Balcãs dos anos 1990. A uma curta distância estava Zlatko Hasanbegovic, novo ministro da Cultura da Croácia, e perto dele Tomislav Karamarko, líder da direitista Coalizão Patriótica, que chegou ao poder em janeiro deste ano.

A presença de figuras proeminentes do governo em um evento que tem sido um ponto de encontro dos pró-nazistas croatas é um dos indícios mais claros de que o estado membro mais recente da União Europeia tombou perigosamente para a direita. A mudança segue movimento semelhante para o autoritarismo de extrema direita pela Europa Oriental, como na Polônia e na Hungria. Neste último, o primeiro-ministro, Viktor Orbán, mereceu condenação da ONU por sua postura anti-imigrante linha-dura, considerada necessário, ele disse, “para manter a Europa cristã “.

Em Varsóvia, Jarosław Kaczynski, o arqui-conservador líder do partido Lei e Justiça parece ter adotado Orbán como um modelo em seus esforços para tomar de assalto as instituições democráticas do país. Nos Estados-Membros mais jovens da UE, ao que parece, a extrema-direita voltou ao palco principal.

Zlatko Hasanbegovic é um adepto do Ustashe. Durante uma entrevista na televisão pública no ano passado, ele disse que o anti-fascismo era “um chavão”, que “não tinha base na Constituição”. Com exceção de alguns intelectuais e ativistas, os croatas parecem não se importar. Hasanbegovic liderou uma repressão contra a imprensa independente, tirando o financiamento público da mídia sem fins lucrativos e desdenhou das acusações de “limpeza política” após a remoção de dezenas de jornalistas de TV estatal.

“Democracia? Não temos isso, na verdade “, diz Saša Lekovic, presidente da Associação de Jornalistas da Croácia ‘, quando nos encontramos em seu escritório ao largo da praça Marechal Tito em Zagreb, capital do país. “Oficialmente, é claro, temos um sistema parlamentar. Mas estamos nos aproximando ao mesmo nível que a Polónia e a Hungria. . . O que você vê é uma tendência. ”

Zagreb – em contraste com os populares paraísos balneários do país – é uma cidade de fachadas em ruínas, varandas enferrujadas e afetadas pelos graffitis . Declínio econômico na sequência da adesão à UE em 2013 forneceu terreno fértil para a ascensão do conservadorismo nacionalista. Só no ano passado a economia emergiu de uma recessão de seis anos. O desemprego está em 17,5 por cento, com o desemprego entre os jovens em 40 por cento. A dívida pública é de 87 por cento do PIB e continua a crescer. A crise migrante, que obrigou um grande número de refugiados sírios a atravessar a Croácia, desde 2014, tem endurecido as tendências nacionalistas entranhadas.

O sentimento de direita é mais forte em áreas rurais do interior da Croácia, ainda marcada pelas guerras dos Balcãs. Mas quase igualmente problemática é a apatia predominante entre a elite de jovens urbanos do país. Perguntado sobre o que eles achavam de ter um simpatizante fascista no governo, a maioria das pessoas com quem falei em Zagreb simplesmente deu de ombros: uma indiferença que brota da sua percepção de que faz pouca diferença quem está no poder. Esquerda e direita estão unidos na cleptocracia.

Trinta e oito anos de idade Thomir Durkan chega no Café Godot em Zagreb às 11 hs para beber cerveja e fumar desbragadamente. “Desempregado”, ele me diz, quando perguntado o que ele faz para ganhar a vida. Pergunto o que ele gostaria de fazer se ele tivesse um emprego. “Na verdade, eu possuo uma empresa”, diz ele, com um sorriso amargo. “Design de interiores. Mas não há trabalho. . . Então, eu estou desempregado. ”

Ao virar da esquina na Universidade de Zagreb, Katerian, de 24 anos de idade,  uma estudante de Inglês, me conta sobre sua visão da boa vida. “Eu só quero ter um contra-cheque  constante”, diz ela. “Um lugar para viver. Contas pagas.Algo parecido. Apenas o básico. Eu gostaria de viver sem pensar se eu vou ter dinheiro suficiente para pagar minhas contas ou comprar comida amanhã “.

No coração da Croácia, o declínio econômico combinado com os receios sobre a migração do Oriente Médio, especialmente entre as legiões de veteranos da guerra dos Bálcãs,  formam a base de apoio para a nova liderança do país. Muitas destas pessoas permanecem consumida pelas disputas de sangue das guerras dos Bálcãs e olham para trás nostalgicamente para a era Ustashe como um momento de orgulho  e integridade territorial, antes dos danos causados pelo comunismo. A Croácia, como a Polônia e a Hungria, teve apenas 25 anos de democracia e dinâmicas autoritários podem parecer confiáveis em tempos difíceis.

“Essas personalidades autoritárias emergem numa crise, oferecendo uma promessa para superá-la”, diz Gvozden Flego, professor de filosofia social na Universidade de Zagreb. ” ‘Se você me seguir, as coisas vão melhorar”, dizem. ”

Cemitério Mirogoj, nos arredores de Zagreb, é um necrópole do século 19, onde bouquets frescos repousam sobre imaculados lotes. Parece a mundos de distância dos apodrecidos edifícios da capital. Na Croácia, ao que parece, as pessoas se preocupam mais com os mortos do que com os vivos.

E ainda há lembranças dolorosas aqui: no monumento às centenas de crianças sérvias que morreram em um campo de concentração Ustashe, por exemplo, ou no “Muro da Dor” , um memorial para os croatas, soldados e civis, mortos em conflito com os sérvios.

Há também a esperança. Mirogoj é um lugar onde as pessoas de todos os credos e etnias são enterradas: cristãos, judeus, ciganos e muçulmanos. E Flego sublinha que – mesmo que o governo da Croácia açule a inimizade dos tempos de guerra – todos os lados nos conflitos da região cuidam das suas tragédias. “Cada vítima é uma vítima”, diz ele. “Devemos ter tristeza para todos.”

“Esta é a verdadeira tragédia do momento presente”, diz ele. “Estamos virando a cabeça para o passado, quando deveríamos estar focando um futuro melhor.”

Original por Joji Sakura em:
http://www.newstatesman.com/culture/observations/2016/05/make-croatia-great-again-how-fascism-emerged-eu-s-youngest-state

Original por Joji Sakura

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