Plebiscito sobre Renda Básica Incondicional na Suíça

O PLEBISCITO SOBRE RENDA BÁSICA INCONDICIONAL NA SUÍÇA

Renda básica

O que você faria se tivesse renda garantida? Faixa recorde em tamanho na campanha pelo SIM


A proposta era ousada: 2.500 Francos Suíços (US$2.550, R$ 9.000) para os adultos e cerca de $625 (R$ 2.200) para as crianças, por mês. Era o que estava na cédula do referendo para incluir a renda básica incondicional (RBI) na Constituição Suíça, em acréscimo à rede de proteção social existente.

Quatro vezes por ano o povo suíço, os que possuem passaporte suíço, decidem sobre 5 assuntos de interesse nacional, cada um destes precisando do apoio assinado de no mínimo 100.000 eleitores.
A iniciativa de colocar a proposta da Renda Básica num dos plebiscitos deste ano, o de 5 de junho, não veio de um partido ou organização. Foi feita pelo cineasta e agitador cultural Daniel Hani e pelo escritor e artista Enno Schmidt, alcançou mais de 120 mil assinaturas de apoio e foi o item mais discutido, ganhando repercussão internacional.

Porque a Suíça ?

A Suíça é conservadora, não está em crise econômica, ao contrário dos seus vizinhos europeus, é forte e tradicional a moral zwingliano/calvinista em relação ao trabalho. Não estaria, pois, em melhores condições do que qualquer outro país para adotar a renda básica. Foi graças à possibilidade que a democracia direta abre que se conseguiu um amplo debate sobre o tema.

FOTO: STEFAN BOHRER; ORT: BERN 04.10.2013: AKTION AUF DEM BUNDESPLATZ IN BERN.

Criatividade na campanha:Entrega das assinaturas acompanhadas de 8 milhões de moedas de 5 centavos

A mídia inicialmente ignorou a iniciativa; Depois, muito por causa da criatividade da campanha pelo SIM, passou a zombar e, por fim, travou algum debate embora sempre enviesado para o NÃO. O parlamento e o conselho de ministros recomendaram o voto NÃO. Nenhum partido apoiou o SIM embora em todos tenha havido militantes interessados e apoiadores do SIM.

Nem o mais otimista dos apoiadores da proposta esperava vitória, qualquer coisa acima de 20% seria, e foi, motivo de comemoração.

Renda basica 23

comemorando o resultado


Na esteira dessas discussões, o ex ministro grego
Yanis Varoufakis, cuja relevância no debate econômico é notória, se associou à ideia marcando-a como necessária para o futuro do trabalho.

Mais importante ainda, foram revelações trazidas por várias pesquisas de opinião que tentaram destrinchar a percepção sobre a proposta de uma RBI. Numa delas, algo bastante pitoresco: 90% das pessoas responderam que continuariam a trabalhar apesar da RBI e 80% julgam que os demais não vão fazer nada por causa da RBI. Uma desconfiança e tanto nos outros. Apenas 2% disseram que não fariam nada se recebessem RBI. Talvez esses sejam algo parecido com Diógenes o filósofo que passava todo o seu dia num barril e, ao fim e ao cabo, trouxe sua contribuição à humanidade. Ou sejam zumbis frustrados a realizar trabalhos sujos, prejudiciais e que melhor fariam nada fazendo.

Outras pesquisas revelaram que :
69% de todos os eleitores acreditam que votarão em outro referendo sobre renda básica no futuro.
83% dos que votaram SIM acreditam que haverá outro referendo.
63% dos que votaram NÃO acreditam que haverá outro referendo.
72% acreditam que muitos tipos tradicionais de trabalho se tornarão redundantes e que a renda básica é necessária para atingir novos modelos de estilo de vida. O argumento mais forte para a renda básica, na Suiça, é a natureza mutável do trabalho devido ao avanço das tecnologias e que novos modelos de estilo de vida são, por conseguinte, necessário.
Dos eleitores jovens (18-29 anos de idade) 41% imaginam que a renda básica será introduzida nos próximos anos. 78% acham que as questões relativas à RBI têm que ser discutidas e que ela é um caso a ser estudado.
Oito em cada dez eleitores com menos de 39 consideram este primeiro voto como apenas o começo.

49% vêem a renda básica como valorizando e incentivando o trabalho doméstico e voluntário não remunerado.
Metade da Suíça aceita a renda básica como uma forma de reconhecer, finalmente, todo o trabalho não remunerado e não reconhecido que está acontecendo fora do emprego.
Dois terços de todos os eleitores acreditam que a renda básica será introduzido dentro das próximas duas décadas.
70% dos eleitores do NÃO acreditam que a renda básica será introduzido dentro de 25 anos.
44% da eleitores do SIM acreditam que renda básica será apresentada no prazo de 15 anos.
77% dos suíços querem testar RBI em municípios locais versus 14% que preferem que seja testado em outros lugares.

Fontes: http://www.pressenza.com/es/2016/06/referendum-en-suiza-la-renta-basica-requiere-de-un-cambio-de-paradigma/

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Silêncio ofensivo

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Há um silêncio na campanha presidencial dos EUA sobre a ofensiva do império que aterroriza, ou deveria aterrorizar, os que observam a política

A candidata do Partido Verde, Jill Stein, destoa e, por isso mesmo, não aparece na mídia nem estará nas pesquisas eleitorais e nas cédulas da maioria das cidades nas eleições de 8 de novembro deste ano, 2016.

Em 1968 as ações da contrarrevolução foram ousadas, precedendo a formulação teórica da ofensiva neoliberal. Martin Luther King e Robert Kennedy foram assassinados. A convenção do partido democrático, com muitos delegados de esquerda, foi fraudada sob o manto de uma violência, então inaudita nesses ambientes, da polícia de Chicago que salivava ódio e veio com sangue nos olhos.

John Pilger, jornalista e cineasta australiano, radicado na Inglaterra em visita aos EUA foi filmar no Lincolm Memorial, em Washington. Presenciou o guia proclamando para crianças e adolescentes: “Perdemos 58.000 jovens soldados no Vietnã, e eles morreram defendendo sua liberdade. Nunca esqueçam isso.”

O guia inverteu a verdade sobre o Vietnã com uma mentira sem contestação, de um modo automático, sem malícia, como se fosse uma verdade incontrastável.

Os milhões de vietnamitas que morreram e foram mutilados e envenenados e despossuídos pela invasão norte-americana não têm lugar histórico nas mentes jovens, para não mencionar os cerca de 60.000 veteranos que se suicidaram.

É assim que funciona também na exposição popular chamada “The Price of Freedom” no venerável Smithsonian Institution, em Washington. As filas de pessoas comuns, na sua maioria crianças, são brindadas com uma variedade de mentiras: o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki salvou “um milhão de vidas”; Iraque foi libertado por ataques aéreos de precisão sem precedentes”. O tom é infalivelmente heroico: somente os americanos pagam o preço da liberdade.

A campanha eleitoral 2016 é notável não só pelo surgimento de Donald Trump e Bernie Sanders, mas também pela resiliência de um silêncio duradouro sobre uma divindade autoconcedida assassina. Um terço dos membros das Nações Unidas já sentiram a bota de Washington, seja derrubando governos, subvertendo a democracia, seja pela imposição de bloqueios e boicotes. A maioria dos presidentes responsáveis foram liberais – Truman, Kennedy, Johnson, Carter, Clinton, Obama.

O registro da perfídia, de tirar o fôlego, é tão alterado na mente do público, escreveu o falecido Harold Pinter, que “nunca aconteceu … Nada jamais aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer isso não estava acontecendo. Não importava. Foi sem interesse. Não importava … “. Pinter expressa uma admiração zombeteira para o que ele chamou de “uma manipulação bastante clínica do poder em todo o mundo, enquanto que aparece como uma força para o bem universal. É ato de hipnose brilhante, até espirituoso , e altamente bem sucedido. “

Pegue Obama. Enquanto se prepara para deixar o cargo, a bajulação começou de novo. “Ele é legal”. Um dos presidentes mais violentos, Obama restabeleceu pleno poder aos aparelhos de fazer guerra do Pentágono de seu desacreditado predecessor. Ele processou mais denunciantes – na verdade reveladores da verdade – do que qualquer presidente. Ele proclamou Chelsea Manning culpado antes deste ser julgado. Hoje Obama dirige uma campanha mundial sem precedentes de terrorismo e assassinato por drones.

Em 2009 Obama prometeu ajudar a “livrar o mundo de armas nucleares” e foi premiado com o Nobel da Paz. Nenhum presidente americano construiu mais ogivas nucleares do que Obama. Ele está “modernizando” o arsenal do fim do mundo da América, incluindo uma novo “mini” arma nuclear, cujo tamanho e tecnologia “inteligente”, diz um general de ponta, permite que o seu uso “não seja mais impensável”.

James Bradley, o autor best-seller de Bandeiras dos Nossos Pais e filho de um dos fuzileiros navais americanos que levantaram a bandeira em Iwo Jima, disse: “[Um] grande mito que estamos vendo esvair é o de Obama como uma espécie de cara tranquilo que está tentando se livrar das armas nucleares. Ele é o maior guerreiro nuclear que existe. Ele nos compromete a um curso ruinoso de gastar um trilhão de dólares em mais armas nucleares. De alguma forma, as pessoas vivem nesta fantasia porque ele dá coletivas de imprensa e discursos vagos e fotos promocionais bacaninhas como se de alguma forma isso estivesse conectado à política real. Não está. ”

No relógio de Obama, uma segunda guerra fria está em curso. O presidente russo é um vilão caricato; os chineses ainda não estão de volta à sua caricatura sinistra -, quando todos os chineses foram banidos dos Estados Unidos – mas os guerreiros de mídia estão trabalhando nisso.

Nem Hillary Clinton nem Bernie Sanders mencionam nada disso. Não há nenhum risco e não há perigo para os Estados Unidos e para todos nós. Para eles, o maior reforço militar nas fronteiras da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial não aconteceu. Em 11 de maio, a Roménia ficou “viva” com uma base da Otan “de mísseis de defesa” que mira seus mísseis americanos de primeiro ataque no coração da Rússia, segunda potência nuclear do mundo.

Na Ásia, o Pentágono está enviando navios, aviões e forças especiais para as Filipinas numa clara ameaça à China. Os EUA já circundam a China, com centenas de bases militares que se curvam em um arco desde a Austrália até a Ásia passando por todo o Afeganistão. Obama chama isso de “pivot”.

Como consequência direta, China supostamente mudou sua política de armas nucleares a partir do “não primeiro uso” para o alerta máximo e colocou submarinos no mar com armas nucleares. A escada rolante está se acelerando.

Foi Hillary Clinton quem, como secretária de Estado, em 2010, elevou as disputas territoriais sobre rochas e recifes no Mar da China do Sul para uma questão internacional; histeria da CNN e BBC se seguiu; China estava construindo pistas sobre as ilhas em disputa. No seu jogo de guerra de mamute em 2015, a Operação Talisman Sabre, os EUA e a Austrália praticaram “asfixia” do Estreito de Malaca por onde passa a maior parte do petróleo e do comércio da China. Isso não foi notícia.

Clinton declarou que os Estados Unidos tinham um “interesse nacional” nestas águas asiáticas. Filipinas e Vietnã foram incentivados e subornados para apresentar as suas queixas e velhas inimizades contra a China. Nos Estados Unidos, as pessoas estão sendo preparados para ver qualquer posição defensiva chinesa como ofensiva, e assim o terreno é preparado para rápida escalada. Uma estratégia similar de provocação e propaganda é aplicada à Rússia.

Clinton, a “candidata das mulheres”, deixa um rastro de golpes de Estado sangrentos: em Honduras, na Líbia (mais o assassinato do presidente da Líbia) e na Ucrânia. Esta última é agora um parque de diversões da CIA repleta de nazistas e a linha de frente de uma guerra acenando para a Rússia. Foi através da Ucrânia – literalmente fronteira – que os nazistas de Hitler invadiram a União Soviética, que perdeu 27 milhões de pessoas. Esta catástrofe épica continua a ser uma presença na Rússia. A campanha presidencial de Clinton recebeu dinheiro de todos, exceto uma, das dez maiores empresas de armas do mundo. Nenhum outro candidato chega perto.

Sanders, a esperança de muitos jovens americanos, não é muito diferente de Clinton em sua opinião de proprietário do mundo para além dos Estados Unidos. Ele apoiou o bombardeio ilegal de Bill Clinton da Sérvia. Ele apoia o terrorismo de Obama pelos drones, a provocação da Rússia e o regresso das forças especiais (esquadrões da morte) para o Iraque. Ele não tem nada a dizer sobre o trambor de ameaças à China e o risco acelerado de guerra nuclear. Ele concorda que Edward Snowden deve ser julgado e ele chama Hugo Chávez – como ele, um social-democrata – “um ditador comunista morto”. Ele promete apoiar Clinton se ela for nomeada.

A eleição de Trump ou Clinton é a velha ilusão de escolha onde não há escolha: duas faces da mesma moeda. Ao culpar minorias e prometer “fazer América grande de novo”, Trump é uma medida populista de direita doméstica; No entanto, o perigo de Clinton pode ser mais letal para o mundo.

“Só Donald Trump disse algo significativo e crítico da política externa dos EUA”, escreveu Stephen Cohen, professor emérito de História da Rússia em Princeton e na NYU, e um dos poucos especialistas sobre Rússia nos Estados Unidos que fala sobre o risco de guerra.

Em uma transmissão de rádio, Cohen referiu as questões críticas que só Trump levantou. Entre elas: porque é que os Estados Unidos estão “em todos os lugares do globo”? Qual é a verdadeira missão da OTAN? Por que os EUA sempre buscam uma mudança de regime no Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia? Por que Washington trata a Rússia e Vladimir Putin como um inimigo?

A histeria na mídia liberal sobre Trump serve como uma ilusão de “debate livre e aberto” e “democracia em ação”. Seus pontos de vista sobre os imigrantes e os muçulmanos são grotescos, mas o deportador-em-chefe das pessoas vulneráveis da América não é Trump, mas Obama, cuja traição ás pessoas de cor é o seu legado: como o encarceramento de uma população prisional, em sua maioria negros, agora mais numerosa do que o gulag de Estaline.

Esta campanha presidencial pode não ser sobre populismo mas sobre o liberalismo americano, uma ideologia que se vê como moderna e, portanto, superior e o único caminho verdadeiro. Setores de direita deles têm uma semelhança com imperialistas cristãos do século 19, com um dever dado por Deus para converter ou cooptar ou conquistar.

Na Grã-Bretanha, este é o blairismo. O cristão criminoso de guerra Tony Blair avançou com sua preparação secreta para a invasão do Iraque, em grande parte porque a mídia e a classe política liberal apaixonou-se por sua “Britannia cool”. No Guardian o aplauso era ensurdecedor; ele foi chamado de “mito”. Uma distração conhecida como política de identidade, importado dos Estados Unidos, restou facilmente sob seus cuidados.

A história foi declarada encerrada, classes abolidas e gênero promovido como feminismo; muitas mulheres se tornaram novas deputadas pelo Trabalhismo. Eles votaram no primeiro dia do Parlamento para cortar os benefícios de famílias monoparentais, na sua maioria mulheres, conforme instruídas. A maioria votou por uma invasão que produziu 700.000 viúvas iraquianas.

O equivalente nos EUA são os fomentadores da guerra politicamente corretos no New York Times, no Washington Post e nas redes de TV que dominam o debate político. Eu assisti a um debate furioso na CNN sobre infidelidades de Trump. Ficou claro, eles disseram, que não se pode confiar num homem como esse na Casa Branca. Não foram levantadas questões. Nada sobre o 80 por cento dos norte-americanos cuja renda entrou em colapso para os níveis de 1970. Nada sobre a deriva para a guerra. A sabedoria recebida parece ser “tampe o nariz” e vote em Clinton: qualquer um , menos Trump. Dessa forma, você detêm o monstro e preserva um sistema que silencia para outra guerra.

Texto baseado no artigo de John Pilger:
http://johnpilger.com/articles/silencing-america-as-it-prepares-for-war

Texto baseado no artigo de John Pilger

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Croácia rumo ao fascismo

Tornar a Croácia grande novamente: como o fascismo surgiu no Estado mais jovem da União Européia
Sao Marco Zagreb

Nas entranhas croatas, o declínio econômico juntou-se aos receios sobre a migração do Oriente Médio.

Em 14 de maio, milhares de croatas se reuniram num campo no sul da Áustria para acompanhar uma missa católica realizada para homenagear os soldados fascistas mortos no final da Segunda Guerra Mundial. Bandeiras negras ondulavam na brisa, tendo a saudação “Pela pátria, pronto!” associado ao regime Ustashe – um estado fantoche nazista que enviou dezenas de milhares de judeus, ciganos e sérvios a serem executadas nos campos de extermínio.

Entre os VIPs na primeira fila da cerimônia sentou-se Branimir Glavaš, um criminoso de guerra condenado desde o conflito dos Balcãs dos anos 1990. A uma curta distância estava Zlatko Hasanbegovic, novo ministro da Cultura da Croácia, e perto dele Tomislav Karamarko, líder da direitista Coalizão Patriótica, que chegou ao poder em janeiro deste ano.

A presença de figuras proeminentes do governo em um evento que tem sido um ponto de encontro dos pró-nazistas croatas é um dos indícios mais claros de que o estado membro mais recente da União Europeia tombou perigosamente para a direita. A mudança segue movimento semelhante para o autoritarismo de extrema direita pela Europa Oriental, como na Polônia e na Hungria. Neste último, o primeiro-ministro, Viktor Orbán, mereceu condenação da ONU por sua postura anti-imigrante linha-dura, considerada necessário, ele disse, “para manter a Europa cristã “.

Em Varsóvia, Jarosław Kaczynski, o arqui-conservador líder do partido Lei e Justiça parece ter adotado Orbán como um modelo em seus esforços para tomar de assalto as instituições democráticas do país. Nos Estados-Membros mais jovens da UE, ao que parece, a extrema-direita voltou ao palco principal.

Zlatko Hasanbegovic é um adepto do Ustashe. Durante uma entrevista na televisão pública no ano passado, ele disse que o anti-fascismo era “um chavão”, que “não tinha base na Constituição”. Com exceção de alguns intelectuais e ativistas, os croatas parecem não se importar. Hasanbegovic liderou uma repressão contra a imprensa independente, tirando o financiamento público da mídia sem fins lucrativos e desdenhou das acusações de “limpeza política” após a remoção de dezenas de jornalistas de TV estatal.

“Democracia? Não temos isso, na verdade “, diz Saša Lekovic, presidente da Associação de Jornalistas da Croácia ‘, quando nos encontramos em seu escritório ao largo da praça Marechal Tito em Zagreb, capital do país. “Oficialmente, é claro, temos um sistema parlamentar. Mas estamos nos aproximando ao mesmo nível que a Polónia e a Hungria. . . O que você vê é uma tendência. ”

Zagreb – em contraste com os populares paraísos balneários do país – é uma cidade de fachadas em ruínas, varandas enferrujadas e afetadas pelos graffitis . Declínio econômico na sequência da adesão à UE em 2013 forneceu terreno fértil para a ascensão do conservadorismo nacionalista. Só no ano passado a economia emergiu de uma recessão de seis anos. O desemprego está em 17,5 por cento, com o desemprego entre os jovens em 40 por cento. A dívida pública é de 87 por cento do PIB e continua a crescer. A crise migrante, que obrigou um grande número de refugiados sírios a atravessar a Croácia, desde 2014, tem endurecido as tendências nacionalistas entranhadas.

O sentimento de direita é mais forte em áreas rurais do interior da Croácia, ainda marcada pelas guerras dos Balcãs. Mas quase igualmente problemática é a apatia predominante entre a elite de jovens urbanos do país. Perguntado sobre o que eles achavam de ter um simpatizante fascista no governo, a maioria das pessoas com quem falei em Zagreb simplesmente deu de ombros: uma indiferença que brota da sua percepção de que faz pouca diferença quem está no poder. Esquerda e direita estão unidos na cleptocracia.

Trinta e oito anos de idade Thomir Durkan chega no Café Godot em Zagreb às 11 hs para beber cerveja e fumar desbragadamente. “Desempregado”, ele me diz, quando perguntado o que ele faz para ganhar a vida. Pergunto o que ele gostaria de fazer se ele tivesse um emprego. “Na verdade, eu possuo uma empresa”, diz ele, com um sorriso amargo. “Design de interiores. Mas não há trabalho. . . Então, eu estou desempregado. ”

Ao virar da esquina na Universidade de Zagreb, Katerian, de 24 anos de idade,  uma estudante de Inglês, me conta sobre sua visão da boa vida. “Eu só quero ter um contra-cheque  constante”, diz ela. “Um lugar para viver. Contas pagas.Algo parecido. Apenas o básico. Eu gostaria de viver sem pensar se eu vou ter dinheiro suficiente para pagar minhas contas ou comprar comida amanhã “.

No coração da Croácia, o declínio econômico combinado com os receios sobre a migração do Oriente Médio, especialmente entre as legiões de veteranos da guerra dos Bálcãs,  formam a base de apoio para a nova liderança do país. Muitas destas pessoas permanecem consumida pelas disputas de sangue das guerras dos Bálcãs e olham para trás nostalgicamente para a era Ustashe como um momento de orgulho  e integridade territorial, antes dos danos causados pelo comunismo. A Croácia, como a Polônia e a Hungria, teve apenas 25 anos de democracia e dinâmicas autoritários podem parecer confiáveis em tempos difíceis.

“Essas personalidades autoritárias emergem numa crise, oferecendo uma promessa para superá-la”, diz Gvozden Flego, professor de filosofia social na Universidade de Zagreb. ” ‘Se você me seguir, as coisas vão melhorar”, dizem. ”

Cemitério Mirogoj, nos arredores de Zagreb, é um necrópole do século 19, onde bouquets frescos repousam sobre imaculados lotes. Parece a mundos de distância dos apodrecidos edifícios da capital. Na Croácia, ao que parece, as pessoas se preocupam mais com os mortos do que com os vivos.

E ainda há lembranças dolorosas aqui: no monumento às centenas de crianças sérvias que morreram em um campo de concentração Ustashe, por exemplo, ou no “Muro da Dor” , um memorial para os croatas, soldados e civis, mortos em conflito com os sérvios.

Há também a esperança. Mirogoj é um lugar onde as pessoas de todos os credos e etnias são enterradas: cristãos, judeus, ciganos e muçulmanos. E Flego sublinha que – mesmo que o governo da Croácia açule a inimizade dos tempos de guerra – todos os lados nos conflitos da região cuidam das suas tragédias. “Cada vítima é uma vítima”, diz ele. “Devemos ter tristeza para todos.”

“Esta é a verdadeira tragédia do momento presente”, diz ele. “Estamos virando a cabeça para o passado, quando deveríamos estar focando um futuro melhor.”

Original por Joji Sakura em:
http://www.newstatesman.com/culture/observations/2016/05/make-croatia-great-again-how-fascism-emerged-eu-s-youngest-state

Original por Joji Sakura

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Antonio Carlo, Meus companheiros, minhas dívidas

Já estávamos pelo final de 1976, de sorte que completara 22 anos de idade e, com o senso de responsabilidade de um pretenso adulto, senso muito acentuado pelo “desaparecimento” de uma geração imediatamente anterior à minha, fui encontrar-me com o atual deputado Ivan Valente, nosso “tio”, no auge dos seus 30 anos, num ponto clandestino e rumamos para um bar no catete. Não foi demorada a conversa. Eu levantara um problema. O texto da revista Pasado y Presente, nº43, escrito por “Antonio Carlo” me influenciara decisivamente. Era uma portentosa crítica ao Leninismo, O MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado, aliás ao chamá-lo de Movimento DE Emancipação do proletariado, o excelente historiador e figura humana ímpar, Jacob Gorender, comete um dos pequenos e raros erros do seu excelente livro “Combate nas trevas – a esquerda brasileira – das ilusões perdidas à luta armada”) era Leninista mas tinha duas coisas bem interessantes para mim, mesmo naquele final de 76. A mais importante era a sua auto definição como uma das fontes (o plural fazia toda a diferença) para a criação de um Partido dos Trabalhadores. A outra, sua determinação em rever os dogmas e desempoeirar a teoria marxista. Mas, Ivan deixou claro: Somos Leninistas e não há espaço para essa discussão entre nós. E conciliou: Podemos aceitar que você não se considere Leninista, continue entre nós, desde que não abra essa discussão interna.

Aceitei.

Imagino que pesou a falta de alternativa e a crença exagerada de que era necessário estar organizado para lutar contra a ditadura. Não me toquei na possibilidade da esquerda independente, provavelmente pelo dogma introjetado sobre o papel do revolucionário e pela pobreza teórica sobre o papel do indivíduo na história.

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Esquina da Avenida Boedo e San Juan, Buenos Aires

Não digo que me arrependo. Um amigo, Paulo Roberto, me alertou para a frase do mestre Yoda (star wars) “O futuro está sempre em movimento”. Impossível prever o futuro se tivesse recusado o acordo.  O futuro se moveu na direção da minha segunda prisão, em 1977, mas quem sabe? Poderia ter decidido voltar a Buenos Aires reencontrar a esquerda luxemburguista de lá e sido atropelado por um portenho bêbado na saída de uma noitada típica de tango na avenida Boedo, e lá falecer com os versos de Gardel ainda ressoando nas últimas conexões neurais
“Me voy, me voy a tierras extrañas.
Adios, caminos que he recorrido, rios, montes y quebradas.
Tapera donde he nacido”

Não, disso não me arrependo. Arrependo-me de não ter conversado com meus companheiros sobre a crítica ao leninismo, especialmente aos companheiros a quem assistia na Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e aos operários navais de Niterói.

A muitos, pela distância que nos separou, jamais poderei me desculpar pessoalmente. Ficam públicas as escusas portanto. Aos que posso encontrar, procurarei encontros particulares e conversas sinceras.

A revista nº 43, tantas vezes lida foi perdida numa das muitas mudanças da vida. Reencontrar o texto do Antonio Carlo demorou. Apenas com a expansão da internet, há uns três ou quatro anos atrás, consegui localizá-lo. Imprimi e reli. A parte onde periodiza o pensamento de Lênin e o critica continua me parecendo excelente. A parte mais otimista, no entanto, a parte onde deposita uma fé na transformação socialista capitaneada por um movimento quase espontâneo da classe operária parece-me hoje datada e ultrapassada. Faltou o lembrete do mestre Yoda, o futuro está sempre em movimento.
Gostaria de saber a trajetória de Antonio Carlo, provavelmente um pseudônimo. Passado e presente. Devo muito a ele, a ousadia de questionar os ídolos da minha tribo. Fica aqui o texto salvo, caso o link do Cebrap suma.

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A reflexão historiográfica sobre os rumos do bolchevismo, especialmente na URSS, foi muito aprofundada de lá para cá. Pouca repercussão entre a esquerda brasileira, é verdade, constituindo uma honrosa exceção a Revista Fevereiro, especialmente o filósofo político Ruy Fausto, embora não o acompanhe em várias de suas análises sobre o Brasil e a América Latina. É um mundo complicado. Querer ler a última página e selar um entendimento é uma ilusão.

“Não estamos perdidos. Ao contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender.”

 

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Encantamento pela Rosa

 ‘A política é um servir a Baal idiota, em que toda a existência humana, vítima de seu próprio dilaceramento , da sua atrofia espiritual, se sacrifica. Se eu acreditasse em Deus, estaria convencida de que ele nos castigaria severamente por este tormento.’ Carta a Leo Jogiches, datada de 20.10.1905.

Vivemos um momento no Brasil em que a militância política se renova e chama muitos de nós, comprometidos com uma compreensão da organização da vida em sociedade de cunho democrático, de esquerda, progressista. Porém, mesmo agora, ao enfrentar o fascismo e o golpismo brasileiros, há lembranças de Rosa Luxemburgo que merecem destaque.

Rosa Luxemburgo, para muito além dos seus trabalhos teóricos e de agitação política, deixou um legado singular no campo confessional, humano, diria que não demasiadamente humano mas na precisão do ser humano. Esse legado vital, ao invés de teorético, se expressa com força em dois tipos de escritos que ela deixou.

Num primeiro grupo, do qual transcrevo trechos de 3 cartas para destinatários diferentes em anos distintos , ela, que nunca abandonou o campo de batalha político, demonstra a vontade pela vida acima do partido, dos camaradas, da política.

Há, pelo menos havia, entre militantes da esquerda uma certa crença de que a política seria a essência do viver, seria o que transformaria uma vida sem sentido numa vida plena, ao menos a partir do momento mágico em que a pessoa se tornasse “consciente”. A partir desta espécie de nascimento, a vida deveria ser dedicada prioritariamente à luta política. Isso se manifesta, e se auto denuncia, de várias formas, inclusive pela linguagem “massa atrasada”, “massa avançada”, “consciência”.  Ou pelos conhecidos versos de Brecht “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”, que não me seduzem exatamente porque comungo dos sentimentos de Rosa. Imprescindível é viver,  deixar viver e florescer a diversidade. Bom que haja os políticos abnegados de uma vida inteira dedicada, mas não estão acima de ninguém por isso, ao contrário, exatamente pela dedicação à política precisam entender que outras opções são tão nobres, válidas ou precisas quanto a sua. Caso contrário, os “imprescindíveis” podem se transformar em  “guias geniais” que tiranizam a vida alheia.

Ao expor esse sentimento há quem reaja como se estivesse defendendo a alienação. Sinto muito, querido, penso que a alienação está no espelho.

O LEGADO LIBERTÁRIO
O outro legado espetacular de Rosa é a oposição precoce ao autoritarismo que surfava na vaga vitoriosa da revolução bolchevique. O sentimento de vitória esmagadora opera milagres. No Brasil quase todo o movimento social e operário era anarquista. Quase todos os anarquistas viraram bolcheviques, inclusive a formação do Partido Comunista do Brasil (PCB) contou com uma maioria de fundantes que vinha dos quadros anarquistas. Delineou-se uma época em que todos os sacrifícios pareciam imprescindíveis para o nascimento de um “homem novo”, todos os escrúpulos poderiam ser jogados às favas , Rosa escreveu alertas que ressoam como uma música boa e sobreviveram aos escombros da ditadura bolchevique  “A liberdade apenas para os partidários do governo, apenas para os membros do partido, por muitos que sejam, não é liberdade. A liberdade é sempre a liberdade para o que pensa diferente.”

“Sem eleições gerais, sem uma liberdade de imprensa e uma liberdade de reunião ilimitadas, sem uma luta de opiniões livres, a vida vegeta e murcha em todas as instituições públicas, e a burocracia torna-se o único elemento ativo”.

INTERMEZZO
“Não estamos perdidos. Ao contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender.”

O LEGADO DA VIDA

‘Dentro de mim sinto-me bem mais em casa num pequeno canto de jardim como aqui, ou no campo, sentada na grama, cercada de zangões que … num congresso do partido. Posso dizer-lhe tudo isto tranquilamente, você não vai desconfiar de que estou traindo o socialismo. Você sabe, espero, apesar de tudo, morrer no meu posto, numa batalha de rua ou nos trabalhos forçados. Mas o meu eu mais profundo pertence antes aos meus pardais que aos “camaradas” ‘
Carta a Sonia Liebknecht, datada de 2.5.1917.

‘Aliás, como sempre na vida, estou em marcante contradição com o que faço. Como pretendo fundar novamente o jornal, tenho cinco reuniões por semana e trabalho pela futura organização. Mas apesar disso, por dentro, nada mais quero a não ser calma e renúncia, para sempre, a toda esta enorme atividade sem sentido.’
Carta a Kostia Zetkin, datada de 24.12.1914.
‘Ontem à noite, por uma estranha coincidência, peguei a caixa com as ultimas cartas de mamãe e papai e cartas antigas de Andzia e J6zio [ irmãos ]. Li-as todas, chorei ate os olhos ficarem inchados e fui para a cama desejando nunca mais acordar. Particularmente odiosa tomou-se-me toda a ‘politica’. Por causa dela … não respondia as cartas de mamãe e papai durante semanas inteiras. Nunca tinha tempo para eles . por causa destes trabalhos de abalar 0 mundo (e isso continua ate hoje). Meu ódio voltou-se contra ti. porque toste tu que me acorrentaste para sempre a esta maldita politica. (Lembro-me de ter seguido 0 teu conselho para não deixar a sra. Lubeck ir a Weggis. pois poderia perturbar 0 acabamento de um artigo de marcar época para os Sozialistische Monatshefte. e ela vinha com a noticia da morte da minha mãe !). Digo-te tudo ista de coração aberto. Hoje passeei ao sol e sinto-me um pouco melhor. Ontem estava quase a desistir para sempre, de toda esta maldita politica, ou melhor, da cruel paródia da nossa vida ‘política’, e mandar o mundo para o inferno. A política é um servir a Baal idiota, em que toda a existência humana, vítima de seu próprio dilaceração, da sua atrofia espiritual, se sacrifica. Se eu acreditasse em Deus, estaria convencida de que ele nos castigaria severamente por este tormento.’
Carta a Leo Jogiches, datada de 20.10.1905.

E AGORA?

Sigo com interesse quem procura manter e desenvolver os escritos de Rosa, bem mais amplos do que aqui abordado. Exemplo: http://www.rosalux-nyc.org/  ou https://www.facebook.com/RosaluxSaoPauloBuenosAires/?fref=ts

Mas não me filio a uma corrente “Luxemburguista”, creio que Rosa também não.

Em todo caso, devo muito a um autor de nome Antonio Carlo, provavelmente um pseudônimo que, apesar de muito pesquisar, não consegui identificar. Parece-me que Antonio Carlo foi muito influenciado por Rosa. Ele fez um esforço fabuloso em 1973, Argentina, Revista Pasado y Presente, nº 43, para sistematizar o pensamento político de Lênin sobre o partido político. Neste estudo “A concepção do partido revolucionário em Lenin” Antonio Carlo mostra várias fases e contradições na obra de Lênin. Sua leitura exerceu um papel fundamental para me afastar do leninismo. Mas isso é uma outra história que merece uma confissão própria. Dívida antiga, com as escusas necessárias a algumas pessoas.

Tinha iniciado a tradução do texto da Pasado y Presente, em espanhol, para o português. No entanto, descobri que já há uma tradução. Segue o link, meus comentários seguirão no outro post aludido acima.

 

 

Pasado y Presente

https://www.cebrap.org.br/v2/files/upload/biblioteca_virtual/a_concepcao_do_partido_revolucionario.pdf

Voltando à Rosa

Rosa JazigoRosa Luxemburgo

https://www.youtube.com/watch?v=wLAURi-Zx2c (legenda em português)

Rosa Luxemburgo SPD

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Uma carta para Rosa Luxemburg

De Rosa para nós

Roza

De John Berger para Rosa
Rosa! Conheço-te desde que eu era criança. E agora tenho o dobro da tua idade quando te golpearam até a morte em janeiro de 1919, poucas semanas depois de você e Karl Liebknecht terem fundado o Partido Comunista Alemão.

Você muitas vezRosa Jazigoes aparece numa página que estou lendo – e às vezes aparece numa página que eu estou tentando escrever – sai para se juntar a mim com um balanceio de sua cabeça e um sorriso. Nenhuma página  e nenhuma das celas da prisão onde repetidamente te colocaram jamais poderiam aprisioná-la.

Eu quero enviar-lhe algo. Antes que me tenha sido dado, este objeto estava na cidade de Zamosc, no sudeste da Polônia. Na cidade onde você nasceu e seu pai era um comerciante de madeira. Mas a ligação com você não é tão simples assim.

O objeto pertencia a uma amiga polonesa chamada Janine. Ela morava sozinha, não na elegante praça principal como você fez durante os dois primeiros anos de sua vida, mas em uma pequena casa de subúrbio na periferia da cidade.
A casa de Janine e seu pequeno jardim estavam cheios de vasos de plantas. Havia até mesmo vasos de plantas no chão de seu quarto. Não há nada que ela mais gostasse do que quando tinha um visitante para apontar, com seus dedos envelhecidos de mulher trabalhadora, a particularidade especial de cada uma de suas plantas. Suas plantas eram sua companhia. Ela conversava e brincava com elas.

Embora eu não fale polonês, o país europeu que talvez me sinta mais em casa é a Polônia. Eu compartilho com o povo algo como sua ordem de prioridades. A maioria deles não está fascinada pelo poder, porque eles viveram todo tipo concebível de poder-de-merda. Eles são especialistas em encontrar maneiras de contornar obstáculos. Eles continuamente inventam estratagemas para consegui-lo. Eles respeitam segredos. Eles têm memórias longas. Eles transformam limão em limonada [nota da tradução: “sorrel soup from wild sorrel”, i.e. azedinha selvagem em sopa]. Eles querem ser alegres.

Você diz algo semelhante em uma de suas iradas cartas da prisão. A auto-piedade sempre te irritou e você estava respondendo a uma carta de lamentações  de um amigo. “Para ser um ser humano”, você diz, “é a principal coisa acima de tudo. E isso significa ser firme, claro e alegre, sim, alegre, apesar de tudo e qualquer coisa, porque ficar uivando é negócio para os fracos. Para ser um ser humano é preciso alegremente atirar toda a sua vida nas escalas gigantes de destino se assim deve ser, e ao mesmo tempo de se alegrar com o brilho de cada dia e com a beleza de cada nuvem.”

Na Polônia nos anos recentes um novo comércio se desenvolveu e qualquer um que o pratica é chamado de stacz, que significa “guardar o lugar”. Paga-se um homem ou uma mulher para se juntar a uma fila e depois de um tempo muito longo (a maioria das filas são muito longas), quando o stacz está perto da cabeça da fila, a pessoa toma o seu lugar. As filas podem ser por comida, por um utensílio de cozinha, algum tipo de licença, um selo do governo em algum documento, açúcar, botas de borracha. . .
Eles inventam muitas manobras para seguir adiante.

Rosa Luxemburgo

ILUSTRAÇÃO: JOHN BERGER

No início de 1970, minha amiga Janine decidiu tomar um trem para Moscou, como vários de seus vizinhos haviam feito. Não foi uma decisão fácil de tomar. Apenas um ou dois anos antes, em 1970, houve o massacre de Dzank e outros portos marítimos, onde centenas de trabalhadores da construção naval em greve foram abatidos por soldados poloneses e policiais sob as ordens de Moscou.

Você previu, Rosa, os perigos implícitos na forma bolchevique de discutir, com toda perspicácia, você previu já em 1918, em seu comentário sobre a Revolução Russa, que. “Liberdade apenas para os membros do governo, apenas para os membros do partido -ainda que eles sejam muitos – não é liberdade. Liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente. Não por causa de qualquer conceito fanático da justiça, mas porque tudo o que é instrutivo, saudável e purificador na liberdade política depende dessa característica essencial, e sua eficácia desaparece quando “liberdade” se torna um privilégio especial. ”

Janine pegou o trem para Moscou para comprar ouro. Ouro custava lá um terço do que na Polônia. Saindo da Estação Belorussky ela encontrou os becos onde os joalheiros proscritos tinham anéis para vender. Já havia uma longa fila de outras mulheres “estrangeiras” que esperavam para comprar. Para o bem da lei e da ordem, cada mulher tinha um número marcado na palma da sua mão para indicar seu lugar na fila. Um policial estava lá a checar os números. Quando Janine finalmente chegou ao balcão com seus rublos preparados ela comprou três anéis de ouro.

No seu caminho de volta para a estação avistou o objeto que eu quero enviar para você, Rosa. Custou apenas 60 copeques. Ela comprou-o no calor do momento. Ele fez cócegas sua fantasia.Ele poderia conversar com seus vasos de plantas.

Ela teve que esperar um longo tempo na estação para o trem de volta. Você sabia, Rosa, essas estações Russas que se tornam acampamentos de passageiros de longa espera. Janine deslizou um de seus anéis para o quarto dedo da mão esquerda, e os outros dois ela se escondeu em lugares mais íntimos. Quando o trem chegou e ela subiu a ele, um soldado ofereceu-lhe um assento de canto enquanto ela suspirou de alívio; ela seria capaz de dormir. Na fronteira ela não tinha problemas.

Em Zamosc ela vendeu os anéis por duas vezes a soma que ela tinha pago por eles, e eles ainda eram consideravelmente mais baratos do que poderia ser comprado em uma loja polaca. Janine, após a dedução de seu bilhete de trem, tinha realizado um lucro extra.

O objeto que eu quero enviar-lhe ela colocou em sua janela da cozinha.

O objetivo de uma enciclopédia é reunir todo o conhecimento espalhado sobre a superfície da terra, para demonstrar o sistema geral para as pessoas com quem vivemos e transmiti-lo para as pessoas que virão depois de nós, para que as obras de séculos passados ​​não seja inútil para os séculos que se seguem, que os nossos descendentes, tornando-se mais instruídos, possam tornar-se mais virtuosos e felizes. . .

Assim Diderot explicou, em 1750, a enciclopédia que ele acabou de ajudar a criar.

O objeto no peitoril da janela tem algo enciclopédico sobre ele. É uma caixa de cartão fino, o tamanho de uma folha de papel 1/4. Impresso em sua tampa está uma gravura colorida de um papa-moscas de colar, e debaixo dela duas palavras em cirílico: pássaros canoros.

Abra a tampa. No interior estão três fileiras de caixas de fósforos, com seis caixas para cada linha. E cada caixa tem uma etiqueta com uma gravura colorida de um pássaro diferente. Dezoito cantores diferentes. E abaixo de cada gravura em letras muito pequenas o nome do pássaro em russo. Você que escreveu furiosamente em russo, polonês e alemão teria sido capaz de lê-los. Eu não posso: eu tenho que adivinhar a partir das minhas vagas memórias de esporádico observador de pássaros.

A satisfação de identificar uma ave viva, como ele voa sobre, ou desaparece, em uma cerca viva, é estranha, não é? Trata-se, uma intimidade momentânea, esquisita, como se naquele momento de reconhecimento que se dirige ao pássaro – apesar do barulho e confusões de inúmeros outros eventos – o abordamos pelo seu próprio apelido particular. Wagtail! Wagtail!

Das dezoito aves nas etiquetas, eu talvez tenha reconhecido cinco.

As caixas estão cheias de fósforos com cabeças verdes impressionantes. Sessenta em cada caixa. O mesmo que segundos em um minuto e minutos em uma hora. Em cada um, uma chama potencial.

“A classe proletária moderna”, você escreveu, “não leva a cabo a sua luta de acordo com um plano estabelecido em algum livro ou teoria; a luta do trabalhador moderno é uma parte da história, uma parte do progresso social, e no meio da história, no meio de progresso, no meio da luta, nós aprendemos como devemos lutar “.

Na tampa da caixa de papelão há uma curta nota explicativa dirigida aos colecionadores de rótulos de caixas de fósforos (phillumenists, como são chamados) na URSS dos anos 1970. [Nota da tradução: phillumenist deriva do Grego filo- [amar] + Latim lumen- [luz], foi introduzida pelo colecionador britânico Marjorie S. Evans em 1943].

A nota tem a seguinte informação: em termos evolutivos as aves precedem animais, no mundo de hoje, existem cerca de 5.000 espécies de aves, na União Soviética, há 400 espécies de pássaros, em geral, são as aves machos que cantam, aves canoras tem cordas vocais especialmente desenvolvidas no fundo de suas gargantas, elas geralmente fazem ninhos em arbustos ou árvores ou no chão, eles são úteis à agricultura cereal porque eles comem e, assim, eliminam hordas de insetos, recentemente, em áreas mais remotas da União Soviética três novas espécies de pardais cantantes foram identificadas.

Janine manteve a caixa em sua janela da cozinha. Dava-lhe prazer e no inverno a lembrava os pássaros cantando.

Quando você foi presa por veementemente se opor à Primeira Guerra Mundial, você ouviu um chapim azul [titmouse blue] “que sempre permaneceu perto da minha janela, veio com os outros para ser alimentado, e diligentemente cantou sua pequena música engraçada, tsee-tsee-bay, mas ela soava como a provocação maliciosa de uma criança. Ele sempre me fez rir e eu respondia com o mesmo canto. Então o pássaro desapareceu com os outros no início deste mês, sem dúvida para nidificar em outro lugar. Não vi nem ouvi nada dele durante semanas. Ontem suas notas bem conhecidas apareceram de repente do outro lado do muro que separa o nosso pátio de uma outra parte da prisão; mas estava consideravelmente alterado, pois o pássaro cantou três vezes em breve sucessão, Tsee-tsee-bay, Tsee-tsee-bay, Tsee-tsee-bay, e então tudo ficou quieto. Ele foi para o meu coração, pois havia tanto expresso por este canto corrido à distância – toda uma história de vida das aves “.

Depois de várias semanas Janine decidiu colocar a caixa em seu armário debaixo da escada. Ela pensou neste armário como uma espécie de abrigo, o mais próximo que tinha de uma adega, e nele ela manteve o que ela chamou sua reserva. A reserva consistia em uma lata de sal, uma lata de cozinhar o açúcar, uma lata maior de farinha, um pouco de saco de kasha e fósforos. A maioria das donas de casa poloneses mantiveram essa reserva como meio de sobrevivência mínima para o dia quando, de repente, as lojas, durante uma crise nacional, não teriam nada em suas prateleiras.

A próxima crise como essa seria em 1980. Mais uma vez, começou em Dzank, onde os trabalhadores entraram em greve em protesto contra o aumento dos preços dos alimentos e sua ação deu origem ao movimento nacional de Solidarnosc, que derrubou o governo.

“A classe proletária moderna”, você escreveu uma vida mais cedo, “não realiza sua luta de acordo com um plano estabelecido em algum livro ou teoria: a luta dos trabalhadores modernos é uma parte da história, uma parte do progresso social, e no meio da história, no meio de progresso, no meio da luta, nós aprendemos como devemos lutar. ”
Quando Janine morreu em 2010, seu filho Witek encontrou a caixa no armário sob as escadas e ele trouxe-a para Paris, onde ele estava trabalhando como encanador e construtor. Ele trouxe-a para dá-la a mim. Somos velhos amigos. Nossa amizade começou jogando cartas juntos noite após noite. Nós jogamos um jogo russo e polaco chamado Imbecil. Neste jogo, o primeiro jogador a perder todas as suas cartas é o vencedor. Witek adivinhou que a caixa me deixaria maravilhado.

Um dos pássaros na segunda fileira de caixas de fósforos que eu reconheço como um linnet, com o peito rosa e suas duas faixas brancas em sua cauda. Tsooeet! Tsooeet! . . . muitas vezes vários deles cantam em coro do topo de um arbusto.
“Aquele que tem feito o máximo para me restabelecer a razão é um pequeno amigo cuja imagem estou enviando em anexo. Este camarada com as costas confiantes, a testa ingrime e os olhos de um sabe-tudo é chamado hypolais Hypolais, ou na linguagem cotidiana a ave caramanchão ou também o escarnecedor jardim”.  Você está presa em Poznan em 1917, e você continua a sua carta assim:

“Este pássaro é bastante excêntrico. Ele não canta apenas uma canção ou uma melodia como outros pássaros, mas ele é um orador público, pela graça de Deus, ele se mantém firme, fazendo seus discursos para o jardim, e faz isso com uma voz muito alta cheia de emoção dramática , saltando transições e passagens de pathos intensificada. Ele traz à tona as questões mais impossíveis, então se apressa para respondê-las a si mesmo, com um disparate, fazendo as afirmações mais ousadas, acaloradamente refutando visões que ninguém tenha indicado, cargas através de portas abertas, então, de repente exclama em triunfo: “Eu não disse ? Eu não disse ?” Imediatamente depois ele solenemente avisa a todos quer estejam dispostos ou não a ouvir:” Você vai ver! Você vai ver! “(Ele tem o hábito inteligente de repetir cada comentário espirituoso duas vezes.)

A caixa do linnet, Rosa, está cheia de fósforos.

“As massas”, você escreveu em 1900, “são, na realidade, seu próprio líder, dialeticamente criam seu próprio processo de desenvolvimento. . . ”

Como enviar esta coleção de caixas de fósforos para você? Os bandidos que te mataram, jogaram seu corpo mutilado em um canal de Berlim. Foi encontrado na água estagnada três meses mais tarde. Alguns duvidaram se era o seu cadáver.

Eu posso enviá-lo para você escrevendo, nestes tempos escuros, essas páginas.

“Eu era, eu sou, eu serei”, você disse. Você vive no seu exemplo para nós, Rosa. E aqui está, eu estou enviando-o para o seu exemplo.

“Retratos: John Berger sobre Artists” será publicado pela Verso em 6 de outubro
John Berger estará em conversa com Ali Smith e Tom Overton no British Library, London NW1, em 18 de Setembro

original em inglês aqui   em http://www.newstatesman.com/2015/09/letter-rosa-luxemburg-0

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De BBB-rasil para BB+rasil ou o significado do grau de investimento

http://nakedkeynesianism.blogspot.com.br/2015/09/from-bbb-razil-to-bbrazil-or-meaning-of.html?m=1

So Brazil (or here about Petrobras, the State oil company) lost its investment grade status with Standard & Poor’s. You would think this is huge given the media attention in Brazil. If you read S&P’s actual rationale for the downgrading (here) it is essentially about the fiscal situation. They say: “We now expect the general government deficit to rise to an average of 8% of GDP in 2015 and 2016 before declining to 5.9% in 2017, versus 6.1% in 2014. We do not expect a primary fiscal surplus in 2015 or 2016.” They do discuss the political problems too, the corruption investigations,* and the political instability that has plagued the government. There is a discussion of the external vulnerability, but here they are quite sensible and know there is no problem. The report says that: “despite the wider current account deficit, Brazil has low external financing needs compared with its current account receipts and its high level of international reserves compared with some of its peers.” So this is a fiscal problem in their view.
And therein lies the problem. They had years ago also revised the outlook of US debt negatively (my comments here), also on the basis of fiscal, and political, factors. As much as the US then, Brazil now has no risk of not paying its internal debt in domestic currency. And yes, the fiscal outlook has worsened, and the reasons are no secret. It’s austerity. If you cut spending, output falls, and the recession leads to lower revenue and higher deficits. It’s part of the problems caused by policies that S&P’s analysts actually favor. Austerity also is the cause of the recession, and the worsening of the growth outlook in the next couple of years, which are also discussed in S&P’s rationale for the downgrade. So the fiscal problems that are the main cause for the downgrade are self-inflicted wounds (see Serrano and Summa), and the cause of the lack of growth and the worsening of the future fiscal balances.

But more importantly, the downgrade itself is kind of irrelevant. S&P doesn’t think, as I quoted above, that the external situation is particularly problematic. The recession will actually reduce the current account problems, by reducing imports. So there is no external crisis. The devaluation of the real has been part of a global trend, and in part has been reinforced by the government that seems to believe, incorrectly in my view, in the New Developmentalist philosophy that fiscal adjustment (to control inflation) and devaluation (to promote export-led growth) are part of the solution. If the downgrade cannot worsen the external situation, certainly it cannot have an effect on the ability of the government to pay its bills in domestic currency.

At any rate, even if in this case the downgrade is kind of irrelevant, it is important to remember that credit rating agencies were, and still are, one of the worst citizens in international financial markets. They were co-responsible in the bubble, that preceded the crisis, and in the meltdown of the financial sector in the 2008 Global Financial Crisis. The fact that they complain about corruption in Brazil, while they profited giving triple-A ratings to subprime junk is outrageous. And as they say, their views are just opinions. I would add biased and not particularly accurate. They should be put out of business with a public rating agency.

* I could go on on the corruption stuff, but I’ll post something later.

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