Plebiscito sobre Renda Básica Incondicional na Suíça

O PLEBISCITO SOBRE RENDA BÁSICA INCONDICIONAL NA SUÍÇA

Renda básica

O que você faria se tivesse renda garantida? Faixa recorde em tamanho na campanha pelo SIM


A proposta era ousada: 2.500 Francos Suíços (US$2.550, R$ 9.000) para os adultos e cerca de $625 (R$ 2.200) para as crianças, por mês. Era o que estava na cédula do referendo para incluir a renda básica incondicional (RBI) na Constituição Suíça, em acréscimo à rede de proteção social existente.

Quatro vezes por ano o povo suíço, os que possuem passaporte suíço, decidem sobre 5 assuntos de interesse nacional, cada um destes precisando do apoio assinado de no mínimo 100.000 eleitores.
A iniciativa de colocar a proposta da Renda Básica num dos plebiscitos deste ano, o de 5 de junho, não veio de um partido ou organização. Foi feita pelo cineasta e agitador cultural Daniel Hani e pelo escritor e artista Enno Schmidt, alcançou mais de 120 mil assinaturas de apoio e foi o item mais discutido, ganhando repercussão internacional.

Porque a Suíça ?

A Suíça é conservadora, não está em crise econômica, ao contrário dos seus vizinhos europeus, é forte e tradicional a moral zwingliano/calvinista em relação ao trabalho. Não estaria, pois, em melhores condições do que qualquer outro país para adotar a renda básica. Foi graças à possibilidade que a democracia direta abre que se conseguiu um amplo debate sobre o tema.

FOTO: STEFAN BOHRER; ORT: BERN 04.10.2013: AKTION AUF DEM BUNDESPLATZ IN BERN.

Criatividade na campanha:Entrega das assinaturas acompanhadas de 8 milhões de moedas de 5 centavos

A mídia inicialmente ignorou a iniciativa; Depois, muito por causa da criatividade da campanha pelo SIM, passou a zombar e, por fim, travou algum debate embora sempre enviesado para o NÃO. O parlamento e o conselho de ministros recomendaram o voto NÃO. Nenhum partido apoiou o SIM embora em todos tenha havido militantes interessados e apoiadores do SIM.

Nem o mais otimista dos apoiadores da proposta esperava vitória, qualquer coisa acima de 20% seria, e foi, motivo de comemoração.

Renda basica 23

comemorando o resultado


Na esteira dessas discussões, o ex ministro grego
Yanis Varoufakis, cuja relevância no debate econômico é notória, se associou à ideia marcando-a como necessária para o futuro do trabalho.

Mais importante ainda, foram revelações trazidas por várias pesquisas de opinião que tentaram destrinchar a percepção sobre a proposta de uma RBI. Numa delas, algo bastante pitoresco: 90% das pessoas responderam que continuariam a trabalhar apesar da RBI e 80% julgam que os demais não vão fazer nada por causa da RBI. Uma desconfiança e tanto nos outros. Apenas 2% disseram que não fariam nada se recebessem RBI. Talvez esses sejam algo parecido com Diógenes o filósofo que passava todo o seu dia num barril e, ao fim e ao cabo, trouxe sua contribuição à humanidade. Ou sejam zumbis frustrados a realizar trabalhos sujos, prejudiciais e que melhor fariam nada fazendo.

Outras pesquisas revelaram que :
69% de todos os eleitores acreditam que votarão em outro referendo sobre renda básica no futuro.
83% dos que votaram SIM acreditam que haverá outro referendo.
63% dos que votaram NÃO acreditam que haverá outro referendo.
72% acreditam que muitos tipos tradicionais de trabalho se tornarão redundantes e que a renda básica é necessária para atingir novos modelos de estilo de vida. O argumento mais forte para a renda básica, na Suiça, é a natureza mutável do trabalho devido ao avanço das tecnologias e que novos modelos de estilo de vida são, por conseguinte, necessário.
Dos eleitores jovens (18-29 anos de idade) 41% imaginam que a renda básica será introduzida nos próximos anos. 78% acham que as questões relativas à RBI têm que ser discutidas e que ela é um caso a ser estudado.
Oito em cada dez eleitores com menos de 39 consideram este primeiro voto como apenas o começo.

49% vêem a renda básica como valorizando e incentivando o trabalho doméstico e voluntário não remunerado.
Metade da Suíça aceita a renda básica como uma forma de reconhecer, finalmente, todo o trabalho não remunerado e não reconhecido que está acontecendo fora do emprego.
Dois terços de todos os eleitores acreditam que a renda básica será introduzido dentro das próximas duas décadas.
70% dos eleitores do NÃO acreditam que a renda básica será introduzido dentro de 25 anos.
44% da eleitores do SIM acreditam que renda básica será apresentada no prazo de 15 anos.
77% dos suíços querem testar RBI em municípios locais versus 14% que preferem que seja testado em outros lugares.

Fontes: http://www.pressenza.com/es/2016/06/referendum-en-suiza-la-renta-basica-requiere-de-un-cambio-de-paradigma/

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