Mentira do Reinaldo Azevedo: Má fé ou burrice? Lições de interpretação de textos e aritmética para os crentes da Veja

Recebi e-mail de uma amiga que – fazer o quê? – é uma crente leitora da revista Veja. Ela reproduz um post do blogueiro da Veja onde ele denuncia o que teria sido uma mentira escandalosa do Lula.
Com a palavra o tal Reinaldo Azevedo (íntegra aqui):
“Mas ainda não era a maior mentira. Segundo informa a Folha, o homem disse ter elevado o número de universitários do país de 6 milhões para 12 milhões. O homem etá no “mundo de Lula”. Haddad ouvia tudo caladinho — e certamente não vai corrigir a batatada, embora seu ministério tenha divulgado o Censo Universitário no fim de 2011. Os números são outros.       Em 2001, havia 3 milhões de estudantes matriculados nas universidades do país; no fim de 2010, eram 6,37 milhões — quase a metade do que Lula alardeou”.

Reinaldo indica o site do MEC,  a página  que trata do Censo Educacional, para dar alguma veracidade às suas afirmações. Trata-se apenas do velho truque de comparar laranjas com bananas.

Basta ler o texto do Lula para se perceber a lorota do Tio Rei, como a crente o chama. A íntegra pode ser lida aqui (para quem duvidar da transcrição, pode escutar no youtube aqui, aos 17 minutos):

“Na semana passada, o IBGE nos deu uma excelente notícia: o percentual de brasileiros com ensino superior completo aumentou, em dez anos, de 4,4% para 7,9%. Em números exataos fica mais forte (Dilma ajuda: “de seis milhões para doze milhões”).

Que diferença, não? Bem, pode ser que os crentes não tenham ainda percebido a mentira. Vamos desenhar:

A afirmação de que o número de brasileiros com ensino superior completo aumentou em dez anos de, vai lá, 6 para 12 milhões é completamente diferente da afirmação de que os estudantes matriculados no ensino superior tenham aumentado de 6 para 12 milhões.  A primeira afirmação refere-se ao estoque de pessoas com ensino superior completo no país. A segunda refere-se ao número atualmente matriculado, ao fluxo, e não ao estoque.

Há 10 anos, (é provável que, na verdade, estejamos falando dos dados do Censo 2000 comparado aos de 2010), 4,7% dos brasileiros tinham ensino superior completo. Destes, alguns morreram, a maioria sobreviveu e a eles se acrescentaram, ano após anos, novos brasileiros que concluíram o ensino superior, num ritmo superior ao do mero crescimento populacional. De modo que hoje, provavelmente em agosto de 2010, data de referência do Censo 2010, somos 7,9%.

Comparar dados do IBGE sobre o estoque de formados com os dados do MEC sobre o número atual de formandos é má fé ou burrice.

Se eu colhi e estoquei 10 laranjas no meu pomar, ao longo do tempo, e no mês seguinte perco duas laranjas, que apodreceram,  e colho mais 5, posso dizer que tenho em estoque 13 laranjas. Mas não posso dizer que o meu laranjal produz 13 laranjas por mês.

Os dados do IBGE a que Lula se refere provavelmente são dados do Censo, onde se colhe a auto declaração dos brasileiros sobre seu nível de formação educacional. Os dados do Censo Educacional do MEC são sobre as atuais matrículas nas universidades brasileiras. São dados administrativos. Pode-se até cotejá-los para estudos diversos mas não dá para equipará-los. Quer dizer, dá até dá, como nos mostra o tal do Tio Rei. A liberdade, até mesmo para a mentira e a manipulação deve ser irrestrita, (desde que não veiculada por concessão pública). Tio Rei elaborou sua falácia na internet. Tá legal. A liberdade de crença também deve ser irrestrita, desde que haja separação entre a laicidade do Estado e as igrejas. Minha amiga é livre para crer no que quiser. E continua minha amiga.

Publicado em Notícias, Política
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