Vivo e Morto na Social Democracia

O que está vivo e o que está morto na social-democracia?
Por Tony Judt no New York Review of Books, dezembro de 2009
O texto abaixo é a adaptação de uma palestra proferida na Universidade de Nova York em 19 de outubro de 2009.

Aqui o reproduziremos numa sequência de posts. Este é o 1º:


Os americanos gostariam que as coisas fossem melhores.De acordo com pesquisas de opinião pública nos últimos anos, todos gostariam que seus filhos tivessem melhores chances de vida ao nascer. Eles prefeririam que sua esposa ou filha tivesse as mesmas chances de sobreviver à maternidade como as mulheres de outros países avançados. Eles apreciariam uma cobertura médica completa a menor custo, maior esperança de vida, melhores serviços públicos, e menos criminalidade.
Quando dito que essas coisas estão disponíveis na Áustria, Escandinávia, ou na Holanda, mas que acarretam impostos mais altos e um Estado “intervencionista”, muitos destes mesmos americanos respondem: “Mas isso é o socialismo! Nós não queremos que o Estado interfira em nossos assuntos. E, acima de tudo, nós não queremos pagar mais impostos “.
Esta curiosa dissonância cognitiva é uma história antiga. Um século atrás, o sociólogo alemão Werner Sombart fez a famosa pergunta:Porque é que não há socialismo na América? Há muitas respostas para essa pergunta. Alguns têm a ver com a dimensão do país: propósitos compartilhados são difíceis de organizar e manter em uma escala imperial. Há também, naturalmente, fatores culturais, incluindo a suspeita tipicamente americana sobre o governo central.

Comentários da TiViBrasil (Cláudio)

Claro que o conceito de social democracia neste texto nada tem a ver com o psdb. O nome do partido dos tucanos é mais uma evidência da capacidade de nós humanos usarmos as palavras que, a princípio, servem para precisar conceitos, no sentido oposto, para eludir, confundir, mascarar.

Os norte-americanos, e toda a cultura européia, chamam de América os EUA e de americanos os filhos do império. Não mudamos a tradução, para deixar evidenciado este “imperiocentrismo” sobre o restante das américas.

A desconfiança da maioria dos norte-americanos em relação ao governo central é complexa e, no mais das vezes, muito seletiva. A mesma maioria que rejeita qualquer intervenção estatal maior do que a existente contra a desigualdade social, apóia os investimentos estatais na indústria bélica, nas mais de 700 bases militares espalhadas pelo mundo. Parte desta maioria quer uma forte intervenção estatal para criminalizar e reprimir o aborto, as drogas, os imigrantes pobres e qualquer dissidência que possa ser caracterizada como traição à pátria.

Os EUA são o único país do mundo que ousou jogar bomba atômica sobre a população civil . Não uma, mas duas. Pesquisas de opinião mostram uma concordância majoritária com tal atitude. O principal argumento é que as bombas pouparam vidas de soldados americanos. Ao mesmo tempo, a maioria rejeita como imoral a idéia de que “os fins justificam os meios”.

O Japão é o único país do mundo que sofreu ataque de bombas atômicas, que viu dizimada a população de duas cidades, de uma hora para outra, sem aviso prévio. A cultura japonesa moderna tece loas ao “american way of life”.

A busca de raízes históricas para justificar a corrente cultural dominante, seja nos EUA, seja no japão, fica capenga se não ressaltar o papel dos modernos meios de comunicação de massa e a indústria cultural associada.


Publicado em Notícias

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