Silêncios Antropológicos

Roberto DaMatta escreve no jornal O Globo como se fosse um antropólogo para-normal, capaz de entrar na mente
de quem se propõe analisar.
A última proeza do para-normal deu-se numa coluna, reproduzida no clippiing do Ministério
do Planejamento, onde analisa a estapafúrdia decisão relatada pelo Presidente do STF que retirou
Antonio Pallocci e Marcelo Amorim Netto do processo que investigará a quebra de sigilo bancário do
caseiro Francenildo.
O DaMatta consegue escrever, escrever, escrever e não citar uma vez sequer o Gilmar Mendes, o STF e o
jornalista sumariamente inocentado, contra todas as evidências.
Isto porque o para-normal quer investir contra a esquerda e o pt. Ele ‘ouviu’, sabe-se lá como,  a mente de Pallocci:
“Como é que este merdinha ousa colocar-se contra mim? Eu, que tenho biografia e sou membro do partido
que mais tem feito pelos pobres e pelos que, no plano de nossa modernidade retrógrada, os representam” é parte
do relato DaMattiano.
A decisão do STF é um escândalo, digo eu, um esquerdista, fruto de mais uma relatório juridicamente ridículo do
Sr. Gilmar Mendes com viés nitidamente político.
O Pallocci está mais para neo-liberal do que para petista. Pallocci presta mais eficientemente seu papel
dentro do pt do que fora. Para a direção do pt, e para Lula, é interessante tê-lo como um
quadro partidário: facilita as conversas com o empresariado. É a minha hipótese.
Mesmo que esta hipótese seja verdadeira, que direito teria eu de entrar na cabeça do Pallocci e ‘ouvir’ as
confissões de um neo-liberal? Como escritor de ficção toda, como antropólogo, nenhuma.
Ao DaMatta não ocorreu entrar na cabeça do jornalista, ex diretor da globo, ex marido da Miriam Leitão, pai
do jornalista que trabalha no site que publicou o extrato do caseiro.
O antropólogo para-normal não deu bola para a observação do advogado de Jorge Mattoso:
“culparam o mordomo”.
São coisas que aproximariam o antropólogo da complexidade da vida e o afastariam da luta política fácil.
DaMatta, com sua seletividade e seus silêncios é solidário com Gilmar Mendes e com o jornalista.
Ao ler uma mente petista não vê que há dois petistas muito diferentes no mesmo processo, Mattoso e Pallocci. E,
como tais, tratados diferentemente por Gilmar Mendes. Este tem faro.
Pensando bem, seria pedir demais ao para-normal. Trocar os dons “espíritas” por uma reflexão mais complexa.

Roberto DaMatta escreve no jornal O Globo como se fosse um antropólogo para-normal, capaz de entrar na mente de quem se propõe analisar.

A última proeza do para-normal deu-se numa coluna, reproduzida no clipping do Ministério do Planejamento, onde analisa a estapafúrdia decisão relatada pelo Presidente do STF que retirou Antonio Pallocci e Marcelo Amorim Netto do processo que investigará a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo.

O DaMatta consegue escrever, escrever, escrever e não citar uma vez sequer o Gilmar Mendes, o STF e o jornalista sumariamente inocentado, contra todas as evidências.

Isto porque o para-normal quer investir contra a esquerda e o pt. Ele ‘ouviu’, sabe-se lá como,  a mente de Pallocci:

“Como é que este merdinha ousa colocar-se contra mim? Eu, que tenho biografia e sou membro do partido que mais tem feito pelos pobres e pelos que, no plano de nossa modernidade retrógrada, os representam” é parte do relato DaMattiano.

A decisão do STF é um escândalo, digo eu, um esquerdista, fruto de mais uma relatório juridicamente ridículo do  Sr. Gilmar Mendes com viés nitidamente político.

O Pallocci está mais para neo-liberal do que para petista. Pallocci presta mais eficientemente seu papel dentro do pt do que fora. Para a direção do pt, e para Lula, é interessante tê-lo como um quadro partidário: facilita as conversas com o empresariado. É a minha hipótese.

Mesmo que esta hipótese seja verdadeira, que direito teria eu de entrar na cabeça do Pallocci e ‘ouvir’ as confissões de um neo-liberal? Como escritor de ficção toda, como antropólogo, nenhuma.

Ao DaMatta não ocorreu entrar na cabeça do jornalista, ex diretor da globo, ex marido da Miriam Leitão, pai do jornalista que trabalha no site que publicou o extrato do caseiro.

O antropólogo para-normal não deu bola para a observação do advogado de Jorge Mattoso: “culparam o mordomo”.

São coisas que aproximariam o antropólogo da complexidade da vida e o afastariam da luta política fácil.

DaMatta, com sua seletividade e seus silêncios é solidário com Gilmar Mendes e com o jornalista.

Ao ler uma mente petista não vê que há dois petistas muito diferentes no mesmo processo, Mattoso e Pallocci. E, como tais, tratados diferentemente por Gilmar Mendes. Este tem faro.

Pensando bem, seria pedir demais ao para-normal. Trocar os dons “espíritas” por uma reflexão mais complexa.

Publicado em Notícias
Um comentário em “Silêncios Antropológicos
  1. Ana disse:

    Excelente reflexão. Causa espanto que os isentos não se pronunciem sobre quem irá pagar a fatura. Será um pouco de decência? Não creio.

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