Que venha a CPI

LysaneasDomingo, largo do machado, rio de janeiro. 1974, ditadura militar.  Lysâneas Maciel sobe num banquinho e anuncia os argumentos para se votar no MDB. Parte da juventude politizada do Rio de Janeiro está fechada com o voto nulo. 

A praça coalhava de arapongas. Tensão no ar. Lysâneas parece uma figura mítica. Destemido, eleva sua voz. Ignora os arapongas. Fala da fragilidade do congresso sob o arbítrio da ditadura. Mas ressalta a sobrevivência, na letra da lei, do instituto da CPI, Comissão Parlamentar de Inquérito. 

Com o apoio de 1/3 dos deputados, é possível criar uma CPI. Lysâneas quer criar uma CPI sobre a tortura. Apela a cada um dos presentes. Lembra que naquele mesmo instante há gritos de dor nos porões. Há uma máquina de moer carne e alma a todo vapor. Precisa do nosso  voto para travar a batalha pela criação da CPI.

A luta contra a tortura precisa ocupar o espaço do parlamento.

Batalha que nenhum órgão da mídia cobriu, noticiou ou comentou.

Nenhuma manchete no Jornal Nacional.

Amigos que pregam o voto nulo estão presentes. Sussurram argumentos, tecem análises supostamente embasadas no materialismo histórico.

O corpo, a voz, a atitude daquele homem clamam por um compromisso ali, invisível, informal mas com a firmeza de uma prega funda.

Somos gatos pingados na praça. Saio convicto do voto.

O boca a boca ocorre. 100 mil votaram em Lysâneas para renovar seu mandato de deputado federal, uma eleição consagradora.

Dois anos depois, Lysâneas Maciel foi cassado. A CPI pela qual ele batalhou jamais foi instalada. A CPI era um tabu. A tortura continua no Brasil.

Nos dias de hoje, a CPI foi apropriada pelos golpistas, como antevisto pelo então deputado tucano e hoje senador Artur Virgílio, em 2001:

“Imagine, então, um eventual governo do PT, exposto, no Congresso Nacional, a um pedido de CPI atrás do outro, fictício ou não, legítimo ou não, um atrás do outro. Viria a ingovernabilidade, o caos administrativo e, quem sabe, a interrupção do mandato presidencial”.

Que venha a CPI da Petrobras, com toda a sanha do Ali Kamel comandando as bancadas demotucanas.

Lugar de enfrentar os golpistas é na rua, à luz do sol.

Lysâneas Maciel não mudou a história do Brasil. Sequer mudou a história da tortura. E, ao mesmo tempo, fez muito mais do que isso. Enriqueceu a história humana.

Que não fique no esquecimento toda a sabotagem feita, no passado e no presente contra a petrobras:

explosão p36

Resgate impossivel

Publicado em Notícias

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