O caso de amor dos paulistas com os tucanos

O governo de São Paulo está com os tucanos desde 1995, são 14 anos ininterruptos.

O suporte à hegemonia demo-tucana entre os paulistas vem de mais longe ainda, vem do anti-getulismo, de Jânio Quadros, Ademar de Barros e de Paulo Maluf.

Pois o que interessa aqui é o voto das camadas populares na direita. Este é o voto decisivo. Não falamos aqui do voto intelectual em Mário Covas ou do voto das elites ou dos leitores do Estadão e da Folha.

Falta um cronista que apreenda e nos faça compreender esta longa hegemonia.

Não é apenas a mídia, francamente favorável, não é apenas a propaganda, farta.

O narrador desta estória precisa conhecer as vielas de São Paulo mas não pode desconhecer a história do Brasil.

Arrisco aqui duas vertentes explicativas. Mais para provocar o narrador ainda invisível, ao menos para mim. Nada além disso, uma provocação.

Em São Paulo há uma reverência especial aos ricos que não existe, por exemplo, no Rio de Janeiro.

E que é o oposto do caso descrito por Thomas Frank sobre a hegemonia dos neocons em Kansas, USA, um movimento que ‘imagina a si próprio como inimigo da elite, como a voz dos injustamente perseguidos, como um protesto íntegro do povo contra o que recebeu ao longo da história’.

Em São Paulo, o movimento conservador entre a maioria da população não se ilude, vota a favor dos ricos e crê que assim se beneficia.

Talvez por ser o estado mais rico da nação, por ter sido durante décadas o rumo escolhido pelos retirantes famintos do interior do Brasil, as elites paulistas consigam uma admiração reverencial que só se encontrava nos grotões em relação aos “coronéis” do nordeste.

A cidade de São Paulo é um inferno cotidiano, trânsito, violência, sujeira e caos urbano. Mas é uma cidade rica, com atrativos da maior metrópole brasileira.

O orgulho paulistano não reside nas suas praias (do estado), nas suas montanhas ou no seu céu. Reside na força da grana e na vida nortuna, nos restaurantes e boates, nos shopping centers da capital e do interior, e das estradas largas, modernas, apesar dos pedágios caríssimos.

Lembro que durante o governo Brizola no Rio de Janeiro, a campanha cotidiana da Rede Globo para magnificar a violência na “cidade maravilhosa” criava uma impressão de violência absolutamente fora de controle, um estado hobbesiano de todos contra todos que cumpria, em São Paulo, duas funções: 1) Ajudava a jogar para debaixo do tapete a própria violência; 2) Atiçava a auto estima e o orgulho paulista em relação ao Rio de Janeiro.

Além disso, as duas vezes que a esquerda venceu as eleições para a prefeitura de São Paulo, com Luiza Erundina e com Marta Suplicy, os paulistanos viveram uma intensa campanha de mídia, onde sua cidade, seus representantes eram colocados em cheque a cada problema.

Enchente? Cadê a prefeita? Ai dela se não estivesse na cidade. Se estivesse, as perguntas agressivas, as cobranças por soluções não faziam parte do que os paulistas estavam acostumados. A cidade ficava exposta, suas misérias, problemas, sujeira, violência. Pacto de silêncio foi rompido.

O quanto isto afetava a auto estima de setores voláteis do eleitorado? O quanto isto propiciava a que setores do eleitorado voltassem a desejar uma “pax fiespiana” abençoada pelos barões da mídia local?

São teses, repito, que não tenho como comprovar. Sequer as defendo com ardor.

Penso que o caso paulista é fascinante. Entender como há esta fidelidade canina para com os mais ricos, sem a ilusão de que eles “sejam gente como a gente”.

FHC, Serra, Kassab, gente como a gente? Não, a percepção para o eleitorado popular conservador é de que eles são melhores, mais intelectualizados, mais ricos, mais bem sucedidos. E por isso mesmo merecem governar.

Quando não se trata de governar o estado, a hegemonia não é tão fácil, veja-se as seguidas eleições do Senador Suplicy e a eleição do Senador Aloizio Mercadante.

Esta hegemonia de governar a cidade foi perdida, claramente, no cinturão industrial em torno da capital.  Osasco, Diadema, Mauá, Santo André, há muito vivem o conflito trabalho x capital. A reversão da postura reverencial dos pobres, e trabalhadores, destes locais em relação aos ricos da fiesp não teve volta e influenciou o Brasil inteiro. Falta influenciar o resto de São Paulo.

Ao nosso desejado cronista da vida política de São Paulo não haverá de faltar uma reflexão sobre o reverso da questão, o quanto a fiesp trabalha para cooptar o PT paulista e, de lambuja, o PT nacional.

Escola Estadual de SP, lixo e ensino precário na cidade mais rica do país

 

Enchentes sem entrevista nem com prefeito nem com governador

 

O choque de gestão urbanístico dos tucanos

 

Políca contra polícia

 

O PCC, que não existiria mais, toca fogo.

 

Secretário diz que a culpa é do PT

 

Publicado em Fotos & Moda

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