Desemprego: o que fazer?

“Le bouclier fiscal c’est pour le capital, celui des ouvriers c’est la grève générale” 

“O escudo fiscal é para o capital, o dos operários é a greve geral”

[…]Na Depressão de 1929, quando o nível de ocupação atingiu patamares reduzidos jamais vistos, o enfrentamento do desemprego não se deu exclusivamente pela porta da geração de novos postos de trabalho[…]

Ao invés da entrada no mercado de trabalho a partir dos 5 ou 6 anos de idade, conforme experiência anterior da sociedade agrária, houve a postergação para os 15 anos, após passagem pelo ensino básico. Ou seja, a educação passou a antecipar qualquer experiência laboral, da mesma forma que depois da conclusão de um determinado tempo de trabalho regular (geralmente 30 anos para mulher ou 35 anos para o homem), foi definida a saída do mercado de trabalho para a inatividade financiada por fundos públicos.

Nesses termos, a superação da crise do desemprego da década de 30 implicou uma nova combinação da jornada de trabalho com o tempo de vida. A jornada do trabalho pela sobrevivência, que representava 4/5 do tempo de vida do ser humano antes da Depressão de 1920, passou para não mais do que 2/5 em função da postergação do ingresso e da antecipação da saída do mercado de trabalho[…]

A oportunidade de implantação de uma agenda decente e inovadora de combate ao desemprego atualmente em expansão requer a ousadia de ações transformadoras da relação entre a jornada de trabalho pela sobrevivência e o tempo de vida. Para uma sociedade cada vez mais focada no conhecimento, parece não haver razões para o ingresso no mercado de trabalho antes dos 25 anos de idade, apenas após a conclusão do ensino superior. Isso não significaria, contudo, a possibilidade de experiência laboral voltada exclusivamente à aprendizagem teórica abstrata, mas a crescente experimentação prática, com maior aproximação possível do ensino aos requisitos da demanda econômica dos trabalhadores, por meio do estágio e períodos de labor por curtos períodos no ano, como nas férias educacionais.

trabalho-infantil

Nesses termos, questiona-se no Brasil, por exemplo, por que somente os filhos dos pobres estão condenados ao ingresso no mercado de trabalho tão cedo, o que implica, muitas vezes, o abandono da escola, quando não a combinação de brutais jornadas de atividades de 16 horas por dia (oito horas de trabalho, duas a quatro horas de deslocamentos e quatro horas de frequência escolar). A aprendizagem de qualidade torna-se muito distante nessas condições de reprodução humana. Os filhos dos ricos, por permanecerem mais tempo na escola, ingressam mais tardiamente no mercado de trabalho e ocupam os principais postos, com maior remuneração e status social, enquanto os filhos dos pobres somente disputam a base da pirâmide do mercado de trabalho, transformado num mecanismo de reprodução das desigualdades no país.

A condenação ao trabalho precoce somente pode ser ultrapassada mediante a substituição da renda do trabalho por uma garantia monetária ao estudo. Isso seria extremamente útil ao universo de 500 mil estudantes de mais de 15 anos que se matriculam no ensino médio, mas não conseguem frequência anual devido à sua dependência à renda do trabalho.

Da mesma forma, caberia também o avanço da alternativa de gradual redução da jornada de trabalho a partir do avanço do envelhecimento humano, bem como a instalação de programas de pré-aposentadorias que permitissem a passagem menos drástica da ocupação para a inatividade remunerada, sem mais o choque atual que representa o ingresso na aposentadoria. Talvez por isso, o Brasil registre um terço dos aposentados e pensionistas ainda ativos no mercado de trabalho, bem como forte concentração de trabalhadores de mais idade no exercício do duplo trabalho e horas extraordinárias.

Por fim, ademais do encaminhamento de ações de atenção à renda básica de cidadania, abre-se a oportunidade de implantação da política de emprego garantido de 12 horas semanais a todos entre 25 a 55 anos de idade. Na ausência de demanda econômica de trabalhadores, o fundo público deveria cobrir o emprego da mão-de-obra ociosa para atividades de qualificação e exercício laboral em atividades socialmente úteis, como, por exemplo, a urbanização das periferias dos centros metropolitanos, assistência técnica de micro e pequenos empreendimentos e serviços de atenção a inativos (idosos, doentes e portadores de deficiências).

Marcio Pochmann escreve mensalmente às quintas-feiras no jornal Valor Econômico. Os grifos e a ilustração são da TiViBrasil

Velho vendedor Foto de rembert iken, clique na foto paa ir à galeria do autor

A França na luta contra o desemprego

Marre de travailler pour des cons incultes antisociaux et antiécolos”

“Cansados de trabalhar para trapaceiros ignorantes antisociais e antiecológicos”

Centrais sindicais estimam que mais de 1,5 milhões de manifestantes saíram à ruas num dia de greve contra o desemprego.

“Le bouclier fiscal c’est pour le capital, celui des ouvriers c’est la grève générale” 

“O escudo fiscal é para o capital, o dos operários é a greve geral”

Eles não querem pagar o custo da crise da especulação financeira e do excesso de mais valia.

“Parisot par ici, assied-toi et négocie”

“Parisot (fabricante de móveis) por aqui, senta e negocia”

 

Um país
Uma Escola
Nosso Futuro

A Federação Têxtil na luta pela Saúde e pela Aposentadoria

textil

Sarkozy em julho de 2008: 

“Désormais, quand il y a une grève, personne ne s’en aperçoit”

“Agora, quando há uma greve, ninguém percebe”

 

 

Êpa, Sarkozy, tudo muda. A turma não tá de brinquedo não.

Operários Demitidos da Continental Presentes:

 

 “Augmentez nos salaires, pas les actionnaires” 

“Aumentem nossos salários, não os ‘acionários’ (acionistas)”

CGT: Três milhões de manifestantes em toda a França


Publicado em Renda de Cidadania

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