Agenda da Bandidagem

Choque de realidade

TiVi Brasil se desligou do mundo entre 7 e 11 de março. Ao voltar, encontra na mídia a agenda da bandidagem. Quem acompanha o dia a dia nem deve notar. Experimente ficar uns dias sem TV e sem Jornais. O choque da realidade ilumina.

Salvar Daniel Dantas

A finalidade principal da ofensiva contra o delegado Protógenes é escancarada. Às favas com os escrúpulos, pontificou o coronel da ditadura. Seus seguidores civis não deixam por menos.  Cometem ilegalidades certos de que terâo facilidades no supremo. As críticas da mídia ao delegado não visam corrigir erros (secundários) do delegado.Visam melar a operação Satiagraha. A pachorra de colonistas, como o Noblat, de repercutir o que supõe ser um projeto de autobiografia do delegado, não é inocente. Calejado, o jornalista sabe a que papel se presta.

Selecionar a Agenda

As duras acusações da Pastoral da Terra contra o suspeitíssimo Gilmar Mendes (suspeitíssimo porque suspeito antes de ser nomeado por FHC para o STF, conforme alerta público do jurista Dalmo Dallari em 2002) foram jogadas para baixo do tapete. Mais importante do que responder às provocações da Folha de São Paulo é enfrentar a clara ameaça ao Estado de Direito representada pela ação facciosa do presidente do Supremo Tribunal Federal.

A Suspeita de conluio entre o STF e a facção mais extremista do PIG

A paródia publicada pelo site “O Biscoito Fino e a Massa” retrata a consistência da operação grampo/estado policial, conduzida pela Veja e por Gilmar Mendes:

“A revista não divulgou qualquer áudio da gravação, mas publicou a transcrição da conversa entre Cheney e Rumsfeld na qual se decidiu pela guerra. O diálogo não revela qualquer ilicitude na conduta dos antigos homens de estado americanos, mas prova a extensão da teia de espionagem construída pelo delegado brasileiro: 

Rumsfeld: Talvez Saddam ainda decida renunciar às suas armas de destruição em massa e nos permita evitar a guerra e o derramamento de sangue.

Cheney: Sim, afinal de contas o mais importante é criar as condições para um planeta mais justo e pacífico.

Rumsfeld: Em todo caso, se a guerra for inevitável, já estabeleci todos os parâmetros para que as convenções humanitárias sejam respeitadas e a população civil seja resguardada.  

Cheney: E eu já avisei aos executivos da Haliburton que não esperem nenhuma vantagem especial nos contratos do pós-guerra somente pelo fato de terem um acionista na vicepresidência. Estão todos avisados de que terão de disputar dentro da lei. 

Procurados pela Revista Veja, Dick Cheney e Donald Rumsfeld confirmaram o conteúdo das conversas e asseguraram que a transcrição era correta”.

Continua em http://www.idelberavelar.com/

Importar Eva Joly

A Islândia contratou uma aliada de peso: Eva Joly será conselheira especial para a investigação do colapso financeiro e os crimes correlatos que levaram a Islândia à bancarrota. Como pode ser lido aqui, esta foi a melhor notícia do ano para os islandenses. Ainda mais depois que o presidente do banco central se recusou a deixar o cargo, apesar dos apelos da nova primeira ministra, como noticiado aqui.

Eva Joly é uma juíza (de instrução) francesa, norueguesa de nascimento. Ela se notabilizou pela investigação contra a petroleira francesa Elf e seus atos de corrupção na África   (fonte e combustível de inúmeras guerras no continente africano que nossa mídia retrata como meros “conflitos tribais”).

Eva Joly se especializou no combate à fraude financeira e à lavagem de dinheiro.

 O filme, “a comédia do poder”, dirigido por Claude Chabrol   é baseado na vida de Eva Joly. Pouco divulgado no Brasil,  claro.

 De fala mansa e firmeza de propósitos, pode-se ouvir sua  entrevista, em inglês com legendas islandesas, aqui, Eva  Joly seria um tormento para o Gilmar Mendes.

 O governo Lula deveria pensar em pedir os préstimos da  juíza. Até porque, ela conhece o conluio do complexo  midiático-industrial, que usa paraísos fiscais para  lavagem do dinheiro sujo da mídia (extorsões, propinas e  super faturamento), e é um grande empecilho para qualquer investigação mais consequente sobre  o assunto, dado o silêncio ou a sabotagem da mídia. É ou não é uma pessoa indicada para se enfrentar a agenda da bandidagem?

José Dirceu, Protógenes e a Veja

Lamentável o post do Zé Dirceu sobre a matéria da Veja contra o delegado Protógenes.

Merece uma análise à parte.

José Dirceu teve um papel importantíssimo na formação do PT e na condução à vitória eleitoral em 2002.

Primeiro, lá atrás, quando organizou a luta ideológica e política interna contra os grupos partidários que tinham uma visão leninista e/ou trotskista do partido.

Depois, na defesa de uma política de alianças que permitiu a candidatura Lula ultrapassar os limites dos 40% de votos. A consequência clara disto seria uma política reformista e não revolucionária. 

Não temos um apanhado de todos os atos de Dirceu nestes períodos. Certamente cometeu erros, equívocos e injustiças. No entanto, o sentido geral foi positivo. Não à toa, era o principal quadro do partido.

Na crise do chamado “mensalão” também teve um papel importante. Primeiro porque foi o quadro partidário que enfrentou politicamente a crise de forma que não causava vergonha.

Depois porque revelou uma enorme energia para enfrentar o massacre da mídia. Foi agredido, ainda como deputado, com pauladas e isto mereceu aplausos e chacotas da mídia. Foi enxovalhado em locais públicos por extremistas açulados pela grande imprensa.

Dirceu levantou o princípio da presunção da inocência e do direito à ampla defesa de uma forma que foi positiva para o país. Pode-se vê-lo, concorde-se ou não com suas idéias políticas e com seus métodos, como um símbolo da resistência contra o linchamento público.

Foi lamentável assistir setores do partido usando aquela crise como uma janela de oportunidade para a luta política interna pequena. Pequena porque era uma grande incoerência atacar Dirceu e poupar Lula.

Ruy Fausto, um brilhante escritor, chegou ao ponto de insinuar ou acusar Dirceu de ser um agente da polícia secreta cubana com base… num suposto desconforto de exilados em relação a Dirceu décadas atrás, nos anos 60 do século passado.

Heloísa Helena, numa daquelas CPIs, chegou a dizer algo como “espero que na minha campanha, na época da Clara Ant, não tenha havido caixa dois” e aí engasgou na conclusão: “senão…senão…” Senão o quê? Renunciaria? Se completasse a frase teria recebido uma carta: Senadora, não seja sonsa e renuncie. De onde a senhora achava que vinha aquele dinheiro tão disputado por todos os candidatos do PT? Era motivo de luta interna a distribuição para todos, sem perguntar de onde vinha.

Quando Lula tentou falar a verdade “O PT só fez o que todos fazem”, o mundo caiu sobre sua cabeça. Pragmático, Lula viu que não era a verdade que se queria.

Na época, tratava-se de sangrar o Lula, destruir o PT e salgar a terra onde seu cadáver fosse enterrado para nada mais nascer dali. “Vamos nos livrar desta raça”, dizia o ex-arena, ex-pds, ex-pfl e atual dem Bonhauser.

Zé Dirceu não renunciou ao mandato de deputado, o que o teria livrado da cassação, e enfrentou de forma corajosa o processo de seus pares. Ainda teve que enfrentar um posicionamento infeliz do então presidente do PT, Tarso Gernro, que defendeu o impedimento de candidatura para quem renunciasse. Um movimento que pode ser interpretado como destinado a enfraquecer a decisão de não renunciar de Dirceu.

Cassado, Zé Dirceu anunciou que escreveria um livro, num prazo relativamente curto. Mudou de idéia e, ao lado de manter um blog político, decidiu se dedicar ao negócio de consultoria e advocacia empresarial. Pode-se lamentar, mas foi uma decisão pessoal e legítima. 

Pela sua importância histórica, por sua recusa em desaparecer da cena política, Dirceu continuou alvo das mais diversas denúncias.

 

Ainda agora, no rastro da operação Satagraha, aparecem insinuações aparentemente muito frágeis contra o Dirceu. Certamente ele foi outra vez vítima de vazamentos e notinhas irresponsáveis na imprensa. Pode até ter sido vítima de interpretação forçada e equivocada do delegado.

Nada disto, no entanto, legitima a interpretação de que a operação satiagraha foi ilegal. Nada disto, legitima interpretar a reportagem da revista Veja como fidedigna.

A presunção de inocência do delegado não foi respeitada nem o direito a ampla defesa. A mídia sequer procurou o delegado, facilmente encontrado por Paulo Henrique Amorim, que negou a veracidade da matéria da revista.

Zé Dirceu é experiente e deve ter se posicionado de forma consciente.

Preferia que fosse apenas um equívoco. Uma reação emocional. Não parece.

Publicado em Notícias

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