Domingo de Carnaval

Calor no Rio de Janeiro. Muita gente animada nas ruas. Impressiona o fôlego da moçada.

Enaquanto isso

O Globo mantem o silêncio obsequioso sobre as denúncias contra a governadora Yeda Crusius. 

Dois de seus colonistas revelam que a entrevista do Jarbas Vasconcellos era para disparar a novela Mensalão 2.o

A primeira já foi difícil. Mas, conseguiram. Separaram o caixa 2 do PT do resto da turma. Preservaram os financiadores, os corruptores.

Os machucados no inventor do valerioduto, o Senador tucano Azeredo, foram pequenos. Nem abriram processo na comissão de ética do senado.

Mas como vão conseguir agora? Como fazer com que o Quércia, aliado de Jarbas e de Serra, desfile como a banda ética do PMDB? 

Os corruptores conseguirão ficar à sombra de novo? Eles se livraram na época do Collor e do mensalão. Mas, agora, com a internet crescendo?

Com o cerco à lavagem de dinheiro que EUA e Europa são obrigados a fazer?

Por falar nisso, quase sempre é uma diversão inteligente ir ao site do Paulo Henrique Amorim:

Se o amigo navegante prestar bem atenção, tem um tucano escondido nessa árvore à direita

 

Morte, Medo, Burrice e BBB

Li, no Blog do Miro, que o BBB emburrece o brasileiro. Discordo.

Discordo numa boa, não há ciência aqui, apenas uma opinião vadia.

O programa Big Brother, apropriação pirata do título do livro de George Orwel, é sim uma expressão cultural.

Traz para a televisão um jogo vivido cotidianamente. O jogo da eliminação.

A simplicidade da regra é facilmente percebida por todos. Num determinado período alguém será eliminado, com alta dose de imprevisibilidade.

Inexiste a possibilidade da não eliminação. Não pode haver empate. A opção de parar o jogo e dividir o butim irmamente está fora de questão.

A vida na nossa cultura não está repleta desta simbologia? No trabalho, na política, no show business? Qual  aliança permitirá que eu siga no jogo, qual  sapo que terei que engolir, qual traição – desculpa aí, parceiro – serei obrigado a perpetrar ?

Ser bom, ser mau, ser gentil, ser grosso? Seduzir, trepar, beijar, trair? Qual a melhor estratégia para escapar da degola?

Não é isso que aprendemos no dia a dia da vida como ela é, na nossa sociedade? 

João era um pacato funcionário da Embraer, empregado há 15 anos. Mas algo deu errado na economia mundial. 

Fazer bem o seu ofício pode ser imprescindível. Mas não garante nada. Alguém decidirá se ele continuará empregado ou não. 

O BBB é claro e franco: não há nada que imponha que a virtude vencerá e o vício perderá.

A cada rodada do Big Brother, as pessoas são convidadas a participar do júri, a se integrar ao poder decisório.

“Quem será eliminado? , você decide!” grita o apresentador.

A moral do BBB é a moral da nossa cultura: a punição é a norma, a recompensa a exceção, a sorte grande só pode ser de um. Sem vínculos com a virtude ou com o vício. Mais importante é a rede de relações sociais elaborada.

O apresentador é rico. A TV para quem ele presta serviços é rica e poderosa.

A aposta nos ricos, ainda é a aposta da nossa cultura. E, que legal, no BBB podemos participar da escolha de quem será o próximo milionário, o que leva tudo.

Talvez mais significativo ainda, podemos participar da escolha de quem será o perdedor. Aqui entra outra hipótese para explicar porque hordas avançam para a frente da TV e para os botões decisórios.

Todos morreremos. Sabemos disso. Todos seremos eliminados.

Esse saber exige formas de mediarmos o nosso dia a dia. Nossa espécie desenvolve estratégias culturais para lidar com esse conhecimento.

Uma estratégia é afastar a morte do nosso cotidiano. Expressa-se no cientificismo que deve sempre identificar uma causa como que para dizer: ah bom, foi isso que o(a) matou. Como se a mortalidade não fosse inevitável. Seria como que um erro que aconteceu e que deve ser catalogado, afastado, enterrado e esquecido. Não é bem o caso do BBB. A não ser pela participação secundária dos “especialistas” convocados para explicar porque fulano , que ia tão bem, coitado, perdeu a simpatia da opinião pública.

Outra estratégia é se convencer que a vida continua depois da morte. A variante desta estratégia, no cristianismo, ainda faz a eternidade depender do comportamento moral nesta vida fugaz. O livre-arbítrio de algumas dezenas de ano determinará o destino eterno. Não é o caso, claro, do BBB. A não ser pela participação secundária das revistas de sexo, que poderão recompensar ou não o “carisma” dos que perderam.

Outra estratégia é banalizar a morte, simbolizar a eliminação, vivenciá-la de forma enviesada no dia a dia, como que para se preparar para o derradeiro encontro. O pânico aparentemente  imotivado, pode cumprir esta função. Talvez aqui resida a atratividade mundial do Big Brother. 

O BBB é o conto de fadas da pós-modernidade. É a moral de uma sociedade do medo. Do império do medo.

O medo da catástrofe iminente de uma sociedade complexa e interdependente ao extremo. Ou o medo de ser deixado para trás, ficar só na beira da estrada enquanto os outros  voam felizes na primeira classe.

Medo das disfunções naturais ou humanamente provocadas. De uma bala perdida ou de um míssel teleguiado. De uma bancarrota financeira ou de que os “descartáveis” resolvam invadir a praia.

Uma teia social dependente de que o egoísmo, premiado e incentivado, de cada um garanta bons resultados coletivos, hoje e amanhã. 

Estes argumentos estão presentes, de forma mais elegante, no livro do Zygmunt Bauman “Medo Líquido”.

O Miro parece se lamentar quando diz : “o apresentador Pedro Bial, que renegou seu passado de jornalista sério…”

Sei não, talvez seja mais digno o Bial ganhar o dinheiro dele (que também é oriundo do dinheiro dos cidadãos, há uma grande ilusão difundida na sociedade de que o dinheiro das empresas particulares não é social) como animador da barbárie do BBB do que escrevendo a biografia oficial do seu patrão. 

Mas, gostei de ler o texto do Miro. Vale a pena. No mínimo para saber que “Estima-se que o BBB-9 renderá cerca de R$ 110 milhões à emissora – R$ 60 milhões em cotas de patrocínio e outros R$ 50 milhões em merchandising, anúncios extras, espaços vendidos na casa, assinaturas de pacotes na TV paga, etc. Ele hoje seria o produto mais rentável e lucrativo da empresa, superando as receitas com as telenovelas”.

Ajuda a entender que nós não pagamos apenas os salários dos funcionários públicos. Pagamos os salários e os lucros de todo mundo. Inclusive do vencedor do BBB-9.

Enfim, minha única discordância é quanto ao BBB emburrecer a sociedade. Antes disso, o BBB revela a sociedade; o nosso estágio evolutivo atual.

Visite a galeria do JET, o autor da foto. Basta clicar nela.

 

George Soros e os interesse bilionários

O investidor bilionário George Soros disse que a crise econômica corrente tem sua raiz na desregulação financeira dos anos 80, com Ronald Reagan e Margareth Tatcher.

“Estamos numa crise que é a mais séria desde 1930 e que é diferente de todas as outra crises que vivenciamos nas nossas vidas”, disse  Soros, 78 anos.

O que ele quer? Ajuda do governo, claro. Injeção de capital na veia. Dinheiro do goveno diretamente para os bancos e cortar o compulsório ao mínimo.

Seu Hedge Fund supervisiona US$21 bilhões.

Esperto o Soros. Brilhou e ganhou na desregulamentação. Quer o mesmo na re-regulamentação.

Publicado em Notícias

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