O ataque ao Mundo do Trabalho

Uma luta política que agita o império, e não sai na mídia brasileira, envolve os empregados do setor de serviços nos EUA. Agora com novo escândalo. Revelador da guerra travada pelos patrões e seus representantes.

O Bank of America, três dias após receber US$25 bilhões de recursos públicos, em outubro de 2008, organizou uma conferência com ativistas conservadores, representantes de empresas e investidores.

 Objetivo: Organizar a oposição à  prioridade legislativa da Lei da  Livre Escolha dos Empregados  (Employee Free Choice Act –   EFCA)

 A EFCA permitirá que os  trabalhadores formem um  sindicato, seja pela eleição  tradicional seja obtendo a  assinatura da maioria dos trabalhadores em formulários próprios.

Os participantes da reunião em 17 de otubro — inclusive pelo menos um representante de outra gigante socorrida, a AIG — foram encorajados a persuadir seus clientes a enviar “grandes contribuições” para as organizações que trabalham contra a EFCA, bem como para os Senadores Republicanos que poderiam ajudar a bloquear a aprovação da lei.

Tudo gravado. Pode ser ouvido no site do HuffingtonPost. O áudio dá uma idéia dos métodos desta guerra contra a EFCA. 

Bernie Marcus, co-fundador da organização ‘Home Depot’,  conduziu a reunião ao lado de Rick Berman, fundador de outro organização, o ‘Center for Union Facts’. 

Ambos caracterizaram a legislação como uma ameaça ao capitalismo americano, ou até pior.

“É a morte de uma civilização”, disse  Marcus. “É assim que uma civilização desaparece.”

Doações de milhares, se não milhões de dólares, eram necessárias, ele argumentou, para evitar que a America se torne “uma França.”

“Se um varejista não se envolver com isto, se ele não gastar dinheiro nesta eleição, se ele não enviar dinheiro para o (ex-senador) Norm Coleman e todos os outros, ele deveria ser arruinado. Ele deveria ser expulso do seu maldito trabalho”. Voz de  Marcus.

Antes ele argumentou: “Como acionista, se eu souber que um CEO (dirigente) de uma compania não está fazendo nada sobre isto [EFCA]… eu perseguiria o filho da puta…”

Obama e os Senadores Democratas se comprometeram a aprovar a lei, embora quando irá à votação ainda seja um ponto de acalorado debate. Espera-se que os Senadores Republicanos façam de tudo para procrastinar a votação.

Semanas antes da útlima eleição americana, Marcus, Berman e outros participantes da conferência, temiam pelo novo quadro legislativo.

Querendo ajudar os oponentes da EFCA no Senado, eles apelaram a todos os presentes, a maioria analistas de mercado ou indivíduos com portfolios de investimento, para  incentivar seus clientes a turbinar a campanha dos Republicanos ameaçados de perderem a eleição.

“Se não houver bastantes Republicanos operando como uma barreira (firewall), após esta eleição será muito difícil segurar a barra,” Berman preveniu.

“O único jeito após estas eleições, se não tivermos uma procrastinação no Senado… é fazer desta uma questão tão quente em alguns Estados, de modo que mesmo um Democrata bem cotado para a eleição de 2010 tenha que pensar duas vezes se deixará ou não esta coisa prosseguir.”

A certo momento, outro indivíduo sugeriu que os participantes enviassem o grosso das contribuições para a organização de Berman como forma de influenciar as eleições, sem violar a lei do financiamento eleitoral.

“Algumas organizações assinaram cheques de US$250.000, $500.000, alguns US$2 milhões para isto,” disse um homem, provavelmente  Steven Hantler, o director de livre empresa e empreendedorismo da Fundação Marcus, pertecente a  Bernie Marcus.

Citando a massiva caixa de campanha que os sindicatos juntaram paa a batalha da EFCA, Marcus pediu aos participantes doarem para as campanhas (anúncios na TV) mais do que para pagar lobistas. “Demitam estes caras de Washington,” ele se referiu aos operadores da rua K (rua tradicional de lobistas em Washington), “eles são inúteis.”

Exemplos de campanhas na TV podem ser vistas aqui:

no-secret

O mote da campanha é o suposto fim do direito ao voto secreto dos trabalhadores. A campanha é apresentada como dirigida contra o “Resgate dos Chefes Sindicalistas” .

Algo parecido com a campanha, na certa graciosa, de alguns colunistas daqui. A este respeito, sugiro a leitura do artigo do Manoel do Rosário: Os maus companheiros.

O sindicato mais engajado na aprovação da lei é o SEIU (Sindicato dos Empregados no Comércio). Só em 2008,  88.926 trabalhadores aderiram ao sindicato, um crescimento de 21%, o maior desde 1983.

Eles lançaram uma campanha:

“Diga aos controladores do Bank of America: Demitam o CEO Kevin Lewis”.

Na próxima 5.a feira o SEIU irá às agências bancárias do Bank of America(BofA) para falar com os bancários.

Dirão que não basta a demissão do Kevin. Apresentarão uma lista de reivindicações sobre o destino de parte da ajuda financeira que receberam do Governo Bush, ou seja dos contribuintes, que já soma US$ 45 bilhões:

  • Prover atendimento médico aos 247.000 trabalhadores do BofA
  • Manter os cerca de 12.000 mutuários com problemas nas suas casas, com o dinheiro destinado aos bonus de premiação.
  • Assinar novos contratos com os locatários que vivem em moradias que estão sendo fechadas.
  • Compromisso em fornecer seguro saúde suportável para todos os seus empregados e seus dependentes.

Os representantes do SEIU dizem que “A era da cobiça e da irresponsabilidade acabou”. 

A se ver. Mas, com certeza, a vida dos que se intitulavam “Mestres do Universo” já foi bem mais fácil.

 

 

 

 

 

Outra referência ao assunto foi escrita aqui, em 22/12/2008.

Publicado em Política
Um comentário em “O ataque ao Mundo do Trabalho
  1. Ana disse:

    É sinistro. Socialização das perdas com recursos públicos e (nem sei qual a palavra é mais suave que um palavrão)endurecimento com os trabalhadores. É abusivo

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