O protecionismo lá e cá.

Uma crise que A Globo não vai decidir.

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 A lei protecionista “Compre  Americano”, ou “Buy American Act”  existe desde 1933  e está em vigor!

Ela  diz que as compras governamentais  americanas são prioritariamente para os  fabricantes americanos.

 É possível que O Globo não informe isto  para não estimular idéias “esdrúxulas”.

Tal lei sofreu pequenas alterações devido aos tratados de comércio internacional. Mas, o principal ficou inalterado.

O projeto de investimentos para a  recuperação econômica que a Câmara  de Deputados dos EUA aprovou, a rigor, não são compras governamentais.

São investimentos com dinheiro do contribuinte para que empresas privadas realizem obras de infraestrutura (pontes, ferrovias, aeroportos, rodovias, construções militares, moradias e etc).

Mesmo assim, empurraram o “Buy American” nestes investimentos.

O Senado americano rascunha uma emenda que estende o benefício para TODOS os bens manufaturados e não apenas para aço e ferro.

Por outro lado, o grande capital americano sabe que 95 % dos consumidores mundiais vivem fora dos EUA.

Eles podem ter muitos defeitos, mas não são idiotas.

Não querem que as provisões feitas no “Buy American” gerem retaliações com ‘Buy German,’ ‘Buy Chinese,’ ‘Buy Brazil’ e assim por diante.

General Motors, Cartepillar e outras gigantes se articulam para amenizar o problema. Chris Braddock , da Câmara de Comércio Americana, é um dos grandes representantes deste capital.

Ele diz:  “Nós certamente não somos contra que companias e governos ‘comprem americano’, mas somos contra que o governo arbitrariamente estabeleça esta obrigação, porque isto prejudicaria nossa economa de várias formas”.

O problema é que lá nos EUA, o patriotismo é uma questão decisiva.

Mesmo o Wall Street Journal, que compartilha totalmente com a visão do Grande Capital, não faz campanha declarada contra a Lei. Faz ponderações. Reproduz artigos de análise. 

Não editorializa notícias. Nada de manchetes escandalosas. 

Porque?  Por causa do mercado. Porque seus leitores não perdoariam.

No Brasil, o mercado atendido pelo O Globo e similares não liga para isto.

Acho até que uma parte gosta de se ver como “não brasileiro”, como uma suposta “elite mundial”.

Não superestimo O Globo. A citação a este jornal é porque ele fornece, em geral, a linha política mais dissimulada, mais sutil da TV Globo. 

Então, aqui no Brasil, qualquer iniciativa de defesa do patrimônio nacional é combatida tenazmente. Não apenas com colunas, análises, com a luta de idéias. O que é saudável. Mas com a editorialização das notícias. Com a escalada de manchetes e locutores furibundos.

Lá nos EUA, os lobbies americanos vão trabalhar para amenizar o problema. Mas ninguém vai enfrentar o contribuinte americano com manchetes escandalosas ou notícias editorializadas.

Como vai ser? Não sei. Mas suponho que Obama vetará alguma coisa. Talvez a radicalização do Senado.

Faz parte do jogo duro entre os Estados Nacionais. Faz parte do jogo da política interna.

Acho que a mídia nativa não noticiou. Mas um dos últimos atos do Presidente Bush foi aumentar a taxação do queijo Roquefort Francês.

Em exatos 300% (trezentos por cento).

A meedida, anunciada em 13 de  Janeiro foi uma retalição contra a União Européia ter banido a importação de carne dos EUA que contenha hormônios.

O Roquefort foi apenas um de dezenas de produtos luxuosos da Europa que receberam taxações expressivas.

O mundo não caiu na cabeça do Bush por causa do Roquefort, do Foie Gras e outras guloseimas que tais.

E o Brasil com isso?

Claro, o Itamaraty, o Celso Amorim e o Lula  usarão esta questão do “Buy American” para a luta de posições.

Corretamente.

Mas,  o mais importante é destacar que a economia brasileira precisa ser defendida, independente da grita da mídia nativa.

O Brasil volta a apresentar uma vulnerabilidade que é o déficit em transações correntes que agora já atinge também a balança comercial.

Ou seja, enviamos mais dólares do que recebemos  nas trocas comerciais e de serviços.

O Governo precisa agir. Corremos o risco de um ataque especulativo de fundos como os do G Soros e similares. A moeda nacional pode sofrer uma desvalorização excessiva.

O Governo tentou fazer alguma coisa com o controle mínimo das importações. Recuou ante a grita da mídia.

Não tenho a receita do bolo. Até porque não tenho os dados completos. Há quem defenda a centralização do câmbio. Como o professor Carlos Lessa.

Não sei. O que sei é que precisamos de gente que se preciso for, fará a centralização do câmbio. Não recuará por conta da mídia ou de preconceitos ideológicos.

O que insisto é que o Governo precisa enfrentar a mídia com propostas consistentes e buscar o apoio da população. Na defesa da economia nacional e popular e numa cruzada antirecessiva.

Se a classe média e os ricos precisarem ficar um tempo sem acesso a carro importado e outros produtos de luxo, paciência.

É uma questão de organizar a fila. Com prioridades.

Publicado em Política

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