E se fosse Petrobrax?

Os acionistas da Bolsa de New York cobrariam demissões. Com poder para impô-las.

 Quantas demissões já teriam sido anunciadas ? 

Quantos dólares estariam saindo da Petrobrás para cobrir os prejuízos dos bancos americanos?

A exploração do petróleo brasileiro atenderia prioritariamente os interesses do Brasil?

Não se lembra do caso Petrobrax?

Recorde clicando aqui.

 

 

 

Para onde vai a riqueza gerada pela Petrobras?

O preço do barril de petróleo tem sido motivo freqüente de discussões, seja devido ao preço da gasolina, seja pela viabilização do pré-sal. Quando estes debates ocorrem, um dos primeiros assuntos mencionados é o custo de extração do petróleo. Como o próprio nome diz, se refere apenas à retirada do petróleo do reservatório, após o longo caminho da descoberta e aprendizado tecnológico, não incluindo depreciação de investimentos, custos financeiros e outros. Apenas um poço na área do pré-sal custa cerca de US$ 60 milhões; no pioneiro foram gastos US$ 250 milhões.

Segundo a Petrobrás, no segundo e terceiro trimestre de 2008, este custo estava em cerca de US$ 10 / barril. Com as participações governamentais o valor subia para US 31 / barril. A parcela governamental é calculada considerando o preço do petróleo no mercado internacional. Em 2007, o custo médio de extração estava em US$ 7,7 por barril e US$ 19,4 com impostos.

A Petrobrás não existe para exportar petróleo, mas para abastecer o País de derivados, garantindo seu desenvolvimento econômico. Faz pequena exportação do petróleo pesado excedente e importa algum leve para fechar seu balanço de refino. Portanto, é na venda de seus produtos nas refinarias que devemos nos deter.

Distribuição da riqueza gerada

Na discussão sobre o pré-sal, há uma corrente de opinião dentro do próprio Executivo, que afirma não ser mais a Petrobrás uma empresa do governo, por ter um elevado percentual de suas ações na mão de estrangeiros. Desde a venda das ações ordinárias da União em 2000 no governo FHC, a participação estrangeira passou a 38,5% do capital social (não existia em 1997 e era 20,4% em julho de 2000, antes da venda). Ultrapassa o valor da União Federal que, com 32,2% mantém o controle da empresa por deter 55,7% das ações ordinárias (eram 84% em 1999), que têm o poder de voto.

Apesar deste fato, que se espera ser corrigido pelo aumento da participação da União, a Petrobrás é uma empresa extraordinária para o País. Como lembrado pelo professor da USP e ex-diretor da empresa, Ildo Sauer, se subtrairmos do resultado da venda da Petrobrás no mercado interno os produtos e serviços que adquire de outros fornecedores, chegamos ao valor agregado por ela à economia do país.

Em 2007, este montante foi de 120 bilhões de reais. Mas, para onde foi distribuído? Desse total, 10,7% foram para o pagamento das despesas referentes a seus empregados (salários, encargos, planos de aposentadoria e saúde e participação nos resultados); 11,2% para as instituições financeiras e fornecedores (juros, variações cambiais e monetárias, aluguéis e afretamentos) e 19,4% para os acionistas (juros, dividendos e lucros retidos), sendo um terço de dividendos e juros, ficando o restante sob a forma de reserva de capital para investimentos. Notar, portanto, que os acionistas não recebem apenas dividendos, mas têm seu patrimônio elevado, pois dois terços do valor a eles destinados são reinvestidos na companhia.

Mas e os restantes 58,7%? Foram destinados a pagamentos de impostos, taxas, contribuições, royalties, participações especiais para a União, Estados e Municípios. Em suma: quase 60% são pagos em impostos e seus investimentos garantem a descoberta de reservas de petróleo, abastecendo o país de derivados, movimentando a economia e gerando empregos. Da parcela destinada aos acionistas, dois terços são reinvestidos.

Investimentos

Os investimentos efetuados pela Petrobrás em 2007 foram de 45 bilhões de reais.

Mas uma multinacional do petróleo não estaria fazendo o mesmo? Muito provavelmente preferiria exportar o petróleo produzido para abastecer o país de seus acionistas, remetendo mais dividendos, reduzindo a parcela a ser reinvestida e efetuando a compra de equipamentos e serviços no exterior. A tecnologia de águas profundas seria gerada e adquirida no exterior, pagando royalties pelo seu uso, sem capacitação interna. Uma parcela maior de empregos seria gerada lá fora.

Costuma-se também ouvir que é importante abrir para outras multinacionais trazerem os investimentos necessários. Porém, notar que são obtidos nas mesmas fontes que a Petrobrás utiliza e onde nunca lhe faltaram recursos. O total necessário é função do ritmo de produção que deve ser adequado às necessidades do País. Não é conveniente fazer uma produção predatória, exportando petróleo além do razoável, gastando hoje o que fará falta no futuro.

Comparativo do preço ao consumidor em vários países

Outra questão importante é o preço dos derivados de petróleo. Como pode ser visto nos gráficos (média de 2007), os valores cobrados pelas refinarias nos diversos países eram equivalentes, a diferença está nos impostos cobrados. Do preço da gasolina nos postos, eram responsáveis por 20% nos EUA, 65% na Europa e 50% no Brasil. Para quem advoga a redução do valor dos impostos nos combustíveis, é interessante verificar se, para o futuro do mundo, é melhor adotar o modelo americano ou europeu. O americano incentiva o uso do transporte individual, cobrando baixos impostos e consome um quarto da produção mundial de petróleo. Para garantir o abastecimento do país e o `american way of life` tem que manter um aparato bélico constrangedor em todo o mundo.

Petróleo: riqueza das nações

A história do petróleo tem mostrado que o produto é estratégico, necessário para garantir o suprimento de energia para movimentar a economia, motivo de guerras, riqueza ou desgraça dos países. A economia dos EUA prosperou graças ao petróleo, enquanto o México, seu vizinho, não teve tanta sorte. Possuía reservas de 50,8 bilhões de barris em 1993, vendo seu valor despencar para 12,2 bilhões em 2007, suficientes para apenas 9,6 anos de produção, após ser usada desde o final da década de 80 como garantia para o pagamento de sua dívida externa. O petróleo exportado no passado, sem um planejamento adequado, olhando para o futuro, poderá ser importado sabe-se lá a que preço. Como dizia o presidente mexicano Porfirio Diaz (1877-1880 e 1884-1911) `Pobre México, tão distante de Deus e tão perto dos Estados Unidos`.

Os países do Oriente Médio têm reservas para durar entre 70 a 90 anos e os EUA, se dependesse apenas de sua produção doméstica, menos de 4 anos. Os dados são da BP Statistical Review of World Energy, de 2008 (http://www.bp.com/statisticalreview).

Cada país é soberano para transformar o petróleo em riqueza ou instrumento de dominação. Cabe a seus povos decidirem seus destinos, desde que as informações não lhes sejam sonegadas. A discussão sobre o pré-sal está apenas começando.

* Diomedes Cesário da Silva é vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

Clique aqui para baixar a versão PDF deste artigo, que inclui gráficos.

FONTE: http://www.aepet.org.br 

Publicado no Blog do Dario em6 de janeiro de 2009.

 http://dariodasilva.wordpress.com/2009/01/06/para-onde-vai-a-riqueza-gerada-pela-petrobras/

Publicado em Mercado Financeiro

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