“Ao processo de acumulação de capital corresponde o de acumulação das liberdades”, Ministro Eros Grau no voto a favor do banqueiro Daniel Dantas.

Este site não gosta de prisão. Não acredita na justiça da prisão.

A banalização da prisão é um instrumento bárbaro.

Por isto, não entrei na campanha contra as decisões do presidente do STF de conceder dois habeas corpus para Daniel Dantas.

Não assinei o pedido de impeachment do Gilmar Mendes (ou Gilmar Dantas, conforme ato falho – ou não?- de jornalista do Globo), pela motivação declarada. Assinaria por outras razões, bem mais sérias.

Não sou cego à hipocrisia destes senhores.

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Leio o voto do relator. E está lá, no 11º parágrafo: Por isso não me excedo ao observar que a história não é objeto de apropriação individual, ainda que os que acumulam riquezas acumulem também liberdades, fartem-se de liberdades. Ao processo de acumulação de capital corresponde o de acumulação das liberdades, mas a prisão cautelar não resultaria justificável tão só em razão disso.

Como não se excede, se em momento algum o juiz da 1ª instância, Dr De Sanctis, justificou a prisão cautelar nestes termos?

A leitura do voto dos ministros do STF é triste e deprimente. A revolta deles é corporativa. Seletiva.

O que dizer da tortura com método policial? O que dizer da violação de domícilios sem sequer ordem judicial? Há quanto tempo isto ocorre no Brasil e nenhum destes senhores se dignou a dar o nome de Estado Policial?

Não é apenas esta parcialidade que está em jogo.

A pachorra do Gilmar Mendes em avaliar como de baixa qualidade uma revista, Carta Capital, que eu gosto e que é concorrente da Veja, que ele gosta e na qual o instituto que preside já fez propaganda, é ultrajante.

Gilmar Mendes (ou Gilmar Dantas, conforme ato falho – ou não?- de jornalista do Globo) ataca o blog do Paulo Henrique Amorim, nos seguintes termos: “só blogs de péssima qualidade, de nenhuma credibilidade, e revista de péssima qualidade conseguiam incorporar este tipo de notícia.”

Mais à frente, usa manchete do Paulo Henrique Amorim para fundamentar seu juízo sobre a intenção do Juiz De Sanctis: “Publica-se então na imprensa: Queiroz dá o drible da vaca em Mendes. É disso que se trata, não é de nova fundamentação, era de fundamentação idêntica com o propósito inequívoco de desmoralizar esta corte”.

Ora, se o site do jornalista não tem credibilidade, como usá-lo para interpretar ato do Dr. De Sanctis?

Que que é isso, gente? Nem discuto a decisão do STF. Discuto a incoerência deste moço.

Discuto a ação política da maioria dos membros do STF.

Julgam correto conceder o Habeas Corpus a Daniel Dantas? Ok. Que o façam.

Mas a própria Suprema Corte dá um tom político à decisão? Que isso? Recuperem o recato e a decência, excelências!

A péssima seleção que o relator faz dos fatos novos que levaram o juiz De Sanctis a decretar nova prisão fica sob suspeição pela simples leitura do voto do ministro Mello.

Como pode a mais alta corte de justiça do país ter uma ação tão enviesada e corporativa a ponto de deixar passar em branco os arroubos do seu presidente e a parcialidade do relator contra decisão do juiz da 1.a instância?

Como pode o STF embarcar no jogo político do Gilmar Mendes?

Como podem falar nos autos de um processo como se o tal grampo da Veja, que ninguém escutou, fosse verdadeiro e comandado por autoridades policiais?

Não há dúvida? A Veja divulga, é fato?

Segundo o relator, as baionetas da ditadura militar não vergaram o STF! Pô, onde esse cara viveu?

Ao pronunciar tal bravata, agride a história para se aliar a Gilmar Mendes (Dantas?) e à Veja na súbita e suspeita campanha contra o Estado Policial em que vivemos.

Não, não estão a falar do Estado Policial que mantém milhares de pobres nas cadeias, que prende e arrebenta com os sem-advogados, sem capital.

Sei lá, entre as poucas razões que deveriam ensejar a prisão de alguém, estão a sua recusa em reparar o dano causado ou a óbvia ação para impedir que seus crimes sejam desvendados. Creio que Daniel Dantas, à luz deste critério, seria um forte candidato à prisão.

Este é meu juízo. Perfeitamente normal que não seja o juízo do STF.

Agora, como servidores públicos, embora não tenham feito concurso,  ao menos hajam (ai, dou ao reler) ajam com o devido recato.

Eu, como cidadão posso fazer tudo que a lei não proíba. O servidor público só pode fazer o que a lei permite.

Desta diferença surge a possiblidade de eu julgar a Veja uma porcaria e a impossibilidade de, num ato formal, o presidente da corte se pronunciar politicamente  contra uma revista e contra blogs concorrentes da Veja e do resto da  mídia corporativa.

O relator do caso Daniel Dantas escreve no seu voto que a pior ditadura é a da toga. Certo. Mas mirou a toga errada.

Publicado em Política

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